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Vol. 41. Núm. 4.
Páginas 359-366 (Octubre - Diciembre 2019)
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Vol. 41. Núm. 4.
Páginas 359-366 (Octubre - Diciembre 2019)
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DOI: 10.1016/j.rbce.2018.03.009
Open Access
A pós‐graduação na educação física brasileira: condições e possibilidades das subáreas sociocultural e pedagógica
The postgraduation in the brazilian physical education: conditions and posibilities of it's sociocultural and pedagogical subareas
El posgrado en la educación física brasileña: condiciones y posibilidades de las subáreas sociocultural y pedagógica
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Marluce Raquel Decian Corrêaa,
Autor para correspondencia
marlucedecian@gmail.com

Autor para correspondência.
, Leandro Quadro Corrêab, Luíz Carlos Rigoc
a Escola Superior de educação física, Pelotas, RS, Brasil
b Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, RS, Brasil
c Universidade Federal de Pelotas, Programa de pós‐graduação em educação física. Pelotas, RS, Brasil
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Tabela 1. Lista dos programas de pós‐graduação recomendados pelas Capes e sua caracterização
Tabela 2. Apresenta o número e o percentual de periódicos dos estratos superiores do Qualis Periódicos quadriênio (2013‐2016), conforme classificação e nacionalidade
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Resumo

Esta pesquisa teve por objetivo traçar um panorama da atual configuração da pós‐graduação stricto sensu da educação física brasileira; analisar as condições e possibilidades de expansão das subáreas sociocultural e pedagógica; e analisar a configuração do Qualis Periódicos da área 21, referente ao quadriênio 2013‐2016. O estudo teve um caráter exploratório e seguiu os princípios epistemológicos e metodológicos da pesquisa qualitativa, usou prioritariamente a análise documental. Concluiu‐se que as lógicas epistemológicas e avaliativas que vigoraram na área 21 nas últimas avaliações, principalmente por referendar um Qualis Periódicos predominantemente biológico, têm obstruído as condições e possiblidades de expansão das subáreas sociocultural e pedagógica.

Palavras‐chave:
Pós‐graduação stricto sensu
Qualis Periódicos
Ciências sociais e humanas
Ciências biológicas e da saúde
Abstract

This research's goal is to paint a picture of the post graduation studies, stricto sensu, of brazilian physical education; analyzing conditions and possibilities of expansion of it's sociocultural and pedagogical subareas; analyzing “area 21” “Qualis Periodicos” condition, concerning the period between 2013‐2016. This study has an exploratory approach and followed the methodological and epistemological method of qualitative research, using mainly documental data. Concludes, that the epistemological logic and the evaluations enforced in “area 21” during the periods evaluated, expecially those that enforced a biological predominant “Qualis Periódico” have been obstructing the conditions and possibilities of expansion of the sociocultural and pedagogical subareas.

Keywords:
Pos graduação strictu sensu
Qualis Periodico
Social and human sciences
Biological and health sciencies
Resumen

El presente trabajo tiene como objetivo trazar un panorama de la actual configuración de los estudios de posgrado, stricto sensu, de la educación física brasileña; analizar condiciones y posibilidades de expansión de las subáreas sociocultural y pedagógica, y analizar la configuración del sistema Qualis Periódicos del área 21, en relación con el cuatrienio 2013‐2016. Este estudio tiene carácter exploratorio, obedece principios epistemológicos y metodológicos de investigación cualitativa, y utiliza principalmente el análisis documental. Se concluye que las lógicas epistemológicas y de evaluación que se llevaron a cabo en el área 21 durante las últimas evaluaciones, especialmente aquellas que reforzaban un Qualis Periódico predominantemente biológico, obstruyeron las posibilidades de expansión de las subáreas sociocultural y pedagógica.

Palabras clave:
Posgrado stricto sensu
Qualis Periódicos
Ciencias sociales y humanas
Ciencias biológicas y de la salud
Texto completo
Introdução

A pós‐graduação stricto sensu da educação física brasileira é um fenômeno relativamente recente. Os primeiros cursos surgiram entre o fim da década de 1970 e início da década de 1980. Todavia, ao longo das décadas de 1990, 2000 e 2010 ocorreu um expressivo crescimento no número de cursos de mestrado e de doutorado na área.

A maioria dos estudos costuma classificar esse campo científico1 em três subáreas: biodinâmica, sociocultural e pedagógica. Na subárea biodinâmica, situam‐se as pesquisas que legitimam suas investigações, predominantemente pelos princípios epistemológicos oriundos das ciências biológicas e da saúde; já nas subáreas sociocultural e pedagógica localizam‐se as pesquisas que seguem predominantemente modos operantes oriundos das ciências sociais e humanas (Rigo et al., 2011; Manoel e Carvalho, 2011; Amadio e Barbanti, 2000; Bracht, 2006; Betti, 2004).

Entretanto, de acordo com a classificação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), os programas de pós‐graduação em educação física, juntamente com os programas da fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional, constituem a área 21, a qual está alocada na grande área da saúde (Capes, 2016). Alocação essa que historicamente tem sido motivo de controvérsias, como a expressa no documento do Fórum de Pesquisadores das subáreas sociocultural e pedagógica (2015), que aponta para a necessidade de uma alocação autônoma e especifica para a educação física2.

Silva et al. (2014b) alertam que apesar de se identificar um crescimento visível na pós‐graduação strictu sensu da educação física brasileira nos últimos anos, esse crescimento não se dá de maneira equânime nas diferentes subáreas. Desse modo, sem desqualificar ou desmerecer possível avanço (Manoel e Carvalho, 2011; Tani, 2000; Betti, 2004; Silva et al., 2014; Silva et al., 2014; Rigo et al., 2011), faz‐se necessário investigar e analisar com mais cuidado os avanços e as singularidades constituintes desse campo, e não apenas comemorar dados que apontam para o seu crescimento numérico.

A partir dessa pressuposição, os principais objetivos deste artigo são: traçar um panorama atual da pós‐graduação stricto sensu da educação física brasileira; analisar o estado e as condições de possibilidade de expansão das subáreas sociocultural e pedagógica; e analisar o Qualis Periódicos da área 21, referente ao quadriênio 2013‐2016.

Considerações metodológicas

O estudo teve caráter exploratório e seguiu os princípios epistemológicos da pesquisa qualitativa. Seu apoio empírico deu‐se por meio da análise documental, segundo indicadores metodológicos apontados por Minayo (1998); May (2004); Oliveira (2007). O corpus empírico da pesquisa constituiu‐se das seguintes fontes primárias: Plano Nacional de pós‐graduação (PNPG 2011‐2020); Documento de Área (2016) da Área 21da Capes; Plataforma Sucupira; os sítios dos programas de pós‐graduação; e o Qualis Periódicos da área 21 (quadriênio 2013‐2016).

O acesso à Plataforma Sucupira e aos sítios oficiais dos programas de pós‐graduação em educação física ocorreram no decorrer de 2017. A partir dessa consulta, organizou‐se uma tabela com os dados de cada programa de pós‐graduação em educação física. A análise do Qualis Períódicos da área 21, versão 2013‐2016, ateve‐se aos extratos A1, A2 e B1, conforme o WebQualis da área 21 (2017). Para se identificar a que subárea cada periódico desses extratos tinha maior adesão, foi lido o escopo de cada um deles e, quando necessário, foram analisados os últimos três números do respectivo periódico.

O projeto que deu origem a este artigo foi enviado ao e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola Superior de Educação Física da Universidade Federal de Pelotas (protocolo n° 70460417.9.0000.5313).

Um breve panorama da atual configuração da pós‐graduação stricto sensu da educação física brasileira

A partir da consulta feita no site da Plataforma Sucupira, foram localizados 37 programas de pós‐graduação da subárea educação física, 20 das subáreas fisioterapia e terapia ocupacional e 10da subárea fonoaudiologia, 67 programas na área 21. Dos 37 programas da subárea educação física, cinco foram excluídos, dois por ter apenas o mestrado profissionalizante e três por não pertencer exclusivamente à subárea da educação física. Assim, a pesquisa analisou 32 programas acadêmicos, 20 com mestrado e doutorado e 12 apenas com o curso de mestrado.

No que diz respeito à distribuição geográfica, 15 estão alocados na região Sudeste, oito na Sul, seis na Nordeste, três na Centro‐Oeste e nenhum na Norte. Para uma melhor visualização dessa distribuição elaborou‐se uma figura (figura 1).

Figura 1.

Distribuição dos programas por nível (mestrado e doutorado) e região do Brasil.

(0,07MB).

Essa distribuição reproduz um problema antigo, mas ainda não superado, da pós‐graduação stricto sensu brasileira. Algo já alertado por Tani (2000), ao explicitar que um dos desafios da educação física brasileira seria diluir a concentração regional, tanto na graduação como na pós‐graduação. No entanto, no caso da pós‐graduação, a questão geográfica dos programas continua a ser uma fragilidade ainda não superada. Além da existência de poucos programas em determinadas regiões, alguns se restringem a cursos de mestrado, conforme ilustra a figura 1. Assim, essas regiões continuam a depender de outras para a formação de doutores. Além do custo elevado, há outro agravante, o de essas regiões tornarem‐se meras “filiais” de programas de universidades mais tradicionais de outras regiões.

Quanto à nomenclatura, identificou‐se que dos 32 programas analisados 70% têm o termo educação física em sua denominação. Os outros 30% dividem‐se em: ciências do movimento humano (quatro); ciências da atividade física (dois); ciências do esporte (um); motricidade (um); ciências do exercício e do esporte (um); e ciências do movimento humano e reabilitação (um).

Em parte, essa não padronização terminológica dos programas resulta do debate que se instaurou na educação física no fim dos anos 1980, quando alguns autores passaram a questionar a pertinência do termo educação física. Esse debate não se restringiu ao contexto brasileiro. Tani (1996) ressalta que na América do Norte, por exemplo, desde a década de 1980, a expressão acadêmica científica mais usada tem sido a de cinesiologia. Além disso, na Europa verificou‐se a presença desse debate com sugestões de termos como ciência do esporte; ciência motriz; ciência do movimento humano ou ainda ciência da motricidade humana, termo cunhado por Sérgio (1989). No entanto, a não existência de uma homogeneização terminológica, bem como a predominância do termo educação física, mais do que uma mera fragilidade teórica pode também ser percebida como um indicador de uma certa autonomia teórica conceitual da pós‐graduação strictu sensu brasileira (Lazzarotti Filho, 2011).

Com o objetivo de melhor explicitar o panorama dos 32 programas analisados, apresenta‐se a tabela 1 com o nome dos programas, a instituição, o conceito no quadriênio 2013‐2016, a data de criação e o número de docentes vinculados a cada uma das duas grandes áreas: EF/Ciências sociais e humanas (subárea sociocultural e pedagógica) e EF/Ciências biológicas e da saúde (subárea biodinâmica)3.

A tabela mostra que os 32 programas têm 666 pesquisadores. Desses, 478 (71,77%) estão lotados na subárea biodinâmica, 165 (24,77%) nas subáreas sociocultural e pedagógica e 23 (3,45%) em ambas. Na comparação desses dados com os apontados por Rigo et al. (2011), nota‐se que de 2010 a 2017 houve um crescimento bastante desproporcional entre as duas grande áreas da educação física. Enquanto, juntas, as subáreas sociocultural e pedagógica passaram de 142 (em 2010) para 165 pesquisadores credenciados em 2017, a subárea biodinâmica passou de 260 para 478.

Esse crescimento desigual entre as duas grande subáreas da educação física certamente reporta a inúmeros fatores, entre os quais se destaca a insistência de uma avaliação centrada em critérios e em conceitos oriundos do campo das ciências biológicas e da saúde, menospreza as singularidades epistemológicas/metodológicas das subáreas da educação física/ciências sociais e humanas. Tal atitude, além de imperar a expansão das duas subáreas pertencentes ao campo das ciências sociais e humanas, compromete a qualidade dos produtos oriundos dessas subáreas, principalmente porque, diferentemente da valoração feita pela área 21, quanto mais as Ciências Sociais e Humanas se aproximam das e tentam se assemelhar às Ciências não humanas, menos qualidade e menos relevantes elas tendem a se tornar (Japiassú, 2002; Foucualt, 1999).

O Qualis Peródicos, por sua vez, pode ser considerado uma consequência e também uma das causas desse estado que tem se reproduzido na pós‐graduação strictu sensu da educação física brasileira. Assim, por sua importância, nesse jogo de poder e saber (Foucault, 2006), a seguir apresenta‐se uma análise do Qualis Periódicos da área 21 do quadriênio 2013‐2016.

Qualis Periódicos (2013–2016): uma análise de suas implicações

O Qualis Periódicos representa a totalidade dos periódicos que publicaram artigos de docentes pertencentes aos programas de pós‐graduação reconhecidos pela Capes (Soma et al., 2016). A sua consulta é feita pelo aplicativo WebQualis (Capes, 2013). Logo, cada área de conhecimento tem o seu WebQualis. (Marchleswki et al., 2011; Vitor‐Costa, Maia da Silva e Soriano, 2012).

O Qualis Periódicos (quadriênio 2013‐2016) da Área 21 (educação física, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia ocupacional), conforme consta no WebQualis, na Plataforma Sucupira, está composto por 2.219 periódicos. Desses, 239 (10,8%) estão alocados no estrato A1; 275 (12,4%) no A2; 377 (17,0%) no B1; 381 (17,2%) no B2; 225 (10,1%) no B3; 357 (16,0%) no B4; 344 (15,5%) no B5; e 20 (0,9%) no C. A distribuição desse percentual segue algumas diretrizes gerais da Capes para todas as áreas. Como é o caso, por exemplo, da restrição em no máximo 25% para A1e A2 e no máximo 50% do total dos periódicos do Qualis Periódicos de cada área, para a soma dos estratos A1, A2 e B1 (Capes, 2017). Além disso, de acordo com o documento de área (2013) da área 21 a pontuação usada para cada produto publicado estabelece: 100 pontos para o estrato A1, 80 para A2, 60 para B1, 40 para B2, 20 para B3, 10 para B4, cinco para B5 e 0 para C (CÁEFF, 2013).

Em decorrência dos objetivos deste estudo e das condições de possibilidade de sua feitura, optou‐se por analisar somente a configuração dos estratos A1, A2 e B1. Tal opção deu‐se, principalmente, em decorrência de esses serem os estratos mais valorizados nas avaliações da área 21. Assim, analisaram‐se 891 periódicos (239 ‐ A1, 275 ‐ A2 e 377 ‐ B1).

Após a leitura do escopo dos periódicos, procurou‐se identificar com quais das subáreas da educação física cada periódico apresentava uma maior adesão. Criou‐se também uma classificação para aqueles periódicos que apresentavam adesão com ambas as subáreas, foram classificados como híbridos.

A figura 2 apresenta essa classificação. É possível observar que nos três estratos superiores a adesão dos periódicos à subárea biodinâmica é superior a 90%. A1 ‐ 94,1%; A2 ‐ 92, 6% e B1‐ 90,2%. Essa tamanha desigualdade em boa parte está relacionada a superioridade númerica de pesquisadores vinculados ao campo das ciências biológicas e da saúde na área 21. Como o Qualis Periódicos de cada ano é o resultado da produção dos docentes credenciados na pós‐graduação, instituiu‐se uma relação entre o campo de atuação dos pesquisadores e o perfil do Qualis Periódicos de cada área. No caso da área 21, além da superioridade númerica de pesquisadores da subárea biodinâmica, conforme assinalado no item anterior, têm‐se que adicionar os pesquisadores oriundos das outras três subáreas que compõem a área 21 (fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional), em sua grande maioria pertecentes ao campo das ciências biológicas e da saúde, o que faz com que a área 21 tenha um Qualis Periódicos eminentemente biológico, como evidencia a figura 2.

Figura 2.

Apresenta o percentual de periódicos A1, A2 e B1 e suas respectivas adesões com as subáreas.

(0,05MB).

Outro componente que merece ser destacado são os critérios usados para a estratificação dos periódicos. Diferentemente de outras áreas, a área 21 tem optado por usar o Fator de Impacto (Journal Impact Factor) como o principal divisor de águas para definir os periódicos que serão alocados nos estratos A1 e A2. O Journal Citation Reports (JCR) também é usado para estabelecer se o periódico será classificado como A1, A2 ou B1, menospreza o fato de que originalmente o JCR não foi criado “como medida da qualidade científica da pesquisa num artigo” (Oliveira, 2017a, p. 95).

Como consequência dessa sobrevalorização do JCR, institui‐se na área 21 uma busca quase desesperada pela publicação em periódicos detentores de um elevado Fator de Impacto, como se isso fosse um certificado para todos os artigos. Esquece‐se, por exemplo, que tanto o JCR como o Institute for Scientific Information (ISI) são controlados pela Thomson Reuters. E que “esses índices provêm de companhias privadas, cuja lógica em última instância é o lucro” (Zingano, 2017, p. 121). Como atesta, por exemplo, o valor que muitos periódicos têm cobrado pela publicação de cada artigo.

Outro componente que merece ser ressaltado refere‐se às exigências requeridas para a titulação de mestres e doutores. Silva et al. (2014) observam que muitos programas passaram a exigir de seus mestrandos e doutorandos não apenas o cumprimento dos créditos e a defesa de uma dissertação ou tese, mas também a publicação ou a submissão de artigos em periódicos de determinados estratos (tabelas 1 e 2).

Tabela 1.

Lista dos programas de pós‐graduação recomendados pelas Capes e sua caracterização

UniversidadeUFNome do ProgramaCursosData de InícioConceitoTotal de docentes por área de concentraçãoTotal de docentes no programa
Ciências Biológicas e da Saúde  Ciências Sociais e Humanas  Ambas 
FESF/UPE  PE  PPG em EF  M/D  2008/ 2013  17  ‐  23 
FUFSE  SE  PPG em EF  2012  14  ‐  ‐  14 
UCB  DF  PPG em EF  M/D  1999/ 2006  10  14 
UNB  DF  PPG em EF  M/D  2006/ 2014  23  ‐  30 
USP  SP  PPG em Ciências da Atividade Física  2014  15  ‐  23 
USP  SP  PPG em EF e Esporte  M/D  1977/ 1989  12  17a  33 
USP(Campus Ribeirão Preto)  SP  PPG em EF e Esporte  2016  13  ‐  17 
UDESC  SC  PPG em Ciências do Movimento Humano  M/D  1997/2009  19  26 
UERJ  RJ  PPG em Ciências do Exercício e do Esporte  M/D  2015/ 2015  13  20 
UNICAMP  SP  PPG em EF  M/D  1988/ 1993  25  10  ‐  35 
UEL/UEM  PR  PPG em EF  M/D  2006/ 2011  33  ‐  42 
UNESP  SP  PPG em Ciências da Motricidade  M/D  1991/ 2001  27  10  ‐  37 
UFMT  MT  PPG em EF  2012  11  ‐  15 
UFMG  MG  PPG em Ciências do Esporte  M/D  1989/ 2008  23  ‐  ‐  23 
UFPEL  RS  PPG em EF  M/D  2007/ 2014  19 
UFPE  PE  PPG em EF  2016  14  ‐  15 
UFSC  SC  PPG em EF  M/D  1996/ 2006  22  ‐  29 
UFSM  RS  PPG em EF  2012  10  ‐  16 
UNIFESP  SP  PPG em Ciências do Mov. Humano e Reabilitação  M/D  2017/ 2017  15  ‐  ‐  15 
UFV  MG  PPG em EF  M/D  2007/ 2016  17  ‐  20 
UFES  ES  PPG em EF  M/D  2006/ 2014  16  ‐  22 
UFMA  MA  PPG em EF  2016  14  ‐  ‐ 
UFPR  PR  PPG em EF  M/D  2002/ 2007  15  ‐  22 
UFRJ  RJ  PPG em EF  M/D  2009/ 2016  10  ‐  11 
UFRN  RN  PPG em EF  2011  10  ‐  14 
UFRGS  RS  PPG em Ciências do Mov. Humano  M/D  1989/ 1999  20  ‐  29 
UFTM  MG  PPG em EF  2011  17  ‐  19 
UNIVASF  PE  PPG em EF  2015  16 
UNIMEP  SP  PPG em Ciências do Mov. Humano  M/D  2013/ 2013  13  16 
UNIVERSO  RJ  PPG em Ciências da Atividade Física  2006  ‐  11 
USJT  SP  PPG em EF  M/D  2004/ 2010  14 
UFTPR  PR  PPG em Ciências do Mov. Humano  2017  12  ‐  ‐  12 
a

O caso da USP merece um destaque especial para ajudar na compreensão mais precisa da configuração do programa. A presença de um número elevado de pesquisadores na grande área das Ciências Sociais e humanas, em grande medida deve‐se ao fato da área de concentração referente à área das Ciências Sociais e Humanas (Estudos Socioculturais e Comportamentais da educação física e Esporte) alocar linhas de pesquisa relacionadas a Aprendizagem Motora e ao Desenvolvimento Motor, que não costumam seguir parâmetros epistemológicos e metodológicos das Ciências Sociais e Humanas.

Tabela 2.

Apresenta o número e o percentual de periódicos dos estratos superiores do Qualis Periódicos quadriênio (2013‐2016), conforme classificação e nacionalidade

Estrato/Nacionalidade  EstrangeiroN (%)  NacionalN (%) 
A1  237 (99,2)  2 (0,8) 
A2  236 (85,8)  39 (14,2) 
B1  333 (88,3)  44 (11,7) 

Sem ater‐se a maiores detalhes dessas novas exigências, observa‐se na figura 2 que, mesmo incluídos os periódicos com perfis híbridos, há um número reduzido de periódicos com adesão às subáreas sociocultural e pedagógicas no Qualis Periódico da área 21, principalmente A1 e A2. Assim, é possível observar mais um desafio para as essas subáreas, pois atualmente vários programas passaram a exigir de seus doutorando a obrigatoriedade de terem no mínimo um artigo aceito e/ou publicado em periódicos situados nos estratos superiores (Silva et al., 2014).

Além do número reduzido de periódicos com adesão às subáreas sociocultural e pedagógica situados nos estratos superiores, tem‐se de incluir o tempo médio que os periódicos costumam levar para dar o retorno aos artigos submetidos. Ou seja, tudo indica que o artigo tenha que ser submetido antes da conclusão da pesquisa. Também se faz necessário atentar para o risco que existe de essas exigências fomentarem “o desencadeamento de um acentuado desvio de condutas éticas na produção do conhecimento” (Silva et al., 2014, p. 1441), principalmente pelo fato de “o produtivismo e a competição exacerbada” (Oliveira, 2017, p. 72) estarem entre as causas principais da crescente epidemia das “más condutas” em pesquisa.4

Outro componente que se optou por analisar neste artigo foi a procedência (nacionalidade) dos periódicos que constituem os estratos superiores do Qualis Peródicos da área 21 (quadriênio 2013‐2016). A tabela exibe o número e o percentual de periódicos nacionais e estrangeiros.

Como se pode verificar no estrato A1, o Jornal de Pediatria, em dupla versão (impressa e online), é o único periódico nacional. Isso representa um percentual de 0,8% dos 239 periódicos alocados no estrato (A1). No estrato A2 (39) os periódicos são brasileiros, desses 33 (84,6%) têm características da área das ciências biológicas e da saúde e somente seis (15, 4%) têm adesão ao campo das ciências sociais e humanas ou são híbridos. No estrato B1, localizaram‐se 44 periódicos nacionais. Desses, 31 (70,5%) têm maior adesão à subárea biodinâmica e 13 (29,5%) com um escopo híbrido ou que se aproximava mais das subáreas sociocultural e pedagógica.

A existência de poucos periódicos nacionais e também de poucos periódicos com adesão às subáreas sociocultural e pedagógica tem se reproduzido em praticamente todas as versões do Qualis Periódicos da área 21. O Qualis Periódicos da área 21 relativo a 2009, por exemplo, não apresentava periódico nacional classificado como A1 e A2 que tivesse adesão ao campo das ciências sociais e humanas (Rigo et al., 2011).

A baixa presença de periódicos nacionais nos estratos superiores está longe de ser uma exclusividade da área 21. Todavia, isso desmerece a necessidade de rever essa tendência. Em primeiro lugar, é necessário atentar para o quanto a ciência moderna e o “campo acadêmico” transformaram‐se em “capitais”: capital “simbólico”, “cultural” e “econômico” (Bourdieu, 1983; 2004). Assim, o Qualis de uma área, mais do que a hierarquização de periódicos, institui valor econômico, cultural e simbólico a determinados periódicos em detrimento de outro. Por isso é importante avaliar até que ponto a supervalorização de critérios como o JCR tem levado a área a uma dependência da produção do conhecimento em língua inglesa (Zingano, 2017).

Uma consequência visível dessa lógica é a subvalorização dos periódicos nacionais em detrimento dos estrangeiros, inclusive daqueles que têm uma periodicidade constante, que estejam indexados em importantes bases de dados e que têm uma alta inserção nos programas de pós‐graduação da área. A maior valorização dos periódicos estrangeiros dá‐se principalmente em virtude do JCR, mesmo que a representatividade desses periódicos para a área seja baixa e sua inserção no Qualis da área deva‐se somente ao fato de um ou outro pesquisador da área ter publicado algum produto nesses periódicos estrangeiros, ainda que seja como coautor. Uma análise do Qualis Periódicos do triênio 2007‐2009, por exemplo, mostrou que 75% dos periódicos dos estratos A1 e A2 tinham no máximo dois artigos da área naquele triênio, (Rigo et al., 2011).

Considerações finais

Sem pretender esgotar as análises e o debate que circundam os objetivos desta pesquisa, a partir das questões que se assinalaram‐se no corpo do texto, concluiu‐se que a configuração epistêmica e avaliativa que rege a área 21 reduz as condições de possibilidade de expansão das subáreas sociocultural e pedagógica no âmbito da pós‐graduação da educação física brasileira. Como revela o pequeno crescimento que teve no número de pesquisadores credenciados nessas subáreas nos últimos anos, principalmente se comparado ao crescimento que teve a subárea biodinâmica.

Sem pretender buscar motivos exclusivos, a supervalorização do JCR na composição do Qualis Periódicos da área aparece com uma das principais causas. Portanto, mesmo se os pesquisadores dessas subáreas buscarem desafogar suas publicações em revistas de outras áreas do campo das ciências sociais e humanas, dificilmente esses periódicos irão ocupar os estratos superiores do Qualis da área 21, ainda que em suas respectivas áreas de origem estejam classificados como A1 ou A2.

A grande valorização ao JCR na composição do Qualis Periódicos parece ser um fator mais decisivo para a composição de um Qualis Periódicos eminentemente estrangeiro em seus estratos superiores e com pouca adesão às áreas sociocultural e pedagógica. Sobre isso, parece pertinente a área atentar para o fato de que o “conteúdo científico de um artigo é muito mais importante do que a métrica ou a identidade da revista em que é publicado” (Oliveira, 2017b, p. 96). Além de não ignorar que o campo acadêmico/científico, longe de ser um locus desinteressado, é político e econômico.

Financiamento

O presente trabalho contou com apoio financeiro (bolsa) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências
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[Betti et al., 2004]
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P. Bourdieu.
O campo científico.
Pierre Bourdieu: Sociologia., pp. 122-156
[Bourdieu, 2004]
P. Bourdieu.
Os usos sociais da ciência: por uma sociológia clínica do campo cíentifico.
Editora da Unesp, (2004),
[Bracht, 2006]
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Maiores considerações sobre o conceito de campo científico ver Bourdieu (1983, 2004).

O presente documento é fruto do acúmulo de discussões realizadas por pesquisadores em três reuniões: agosto de 2014, dezembro de 2014 e abril de 2015 (FPSP, 2015).

Nos programas em que um mesmo docente atuava concomitantemente em duas áreas de concentração, este foi alocado em uma subcategoria denominada “ambas”. Pelo fato de nem todos os programas apresentarem em seus sítios uma diferenciação de docentes permanentes de colaboradores, optou‐se por não considerar essa diferenciação entre os docentes cadastrados.

O termo “más condutas” em pesquisa originou‐se nos EUA nos de 1970 para definir diferentes práticas eticamente questionáveis nas práticas de pesquisa como: plágios, autoplágios, co‐autorias interessadas, etc. Oliveira (2015; 2017). Especificamente sobre o fenômeno da banalização das co‐autorias, caso bastante encontrado na área 21, consultar Castiel et al. (2007).

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