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Vol. 38. Núm. 3.
Páginas 213-219 (Julio - Septiembre 2016)
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3020
Vol. 38. Núm. 3.
Páginas 213-219 (Julio - Septiembre 2016)
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DOI: 10.1016/j.rbce.2014.04.002
Open Access
Entre a cura e o divertimento: as viagens de férias junto à natureza em estâncias hidrominerais (1930‐1940)
Between healing and amusement: vacations trips alongside nature in thermal springs (1930‐1940)
Entre la cura y la diversión: los viajes de vacaciones junto a la naturaleza en estancias hidrominerales (1930‐1940)
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3020
Daniele Cristina Carqueijeiro de Medeirosa,b, Carmen Lúcia Soaresc,d,
Autor para correspondencia
carmenls@unicamp.br

Autor para correspondência.
a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Faculdade de Educação, Programa de Pós‐Graduação em Educação, Campinas, SP, Brasil
b Prefeitura Municipal de Campinas, Secretaria Municipal de Educação, Campinas, SP, Brasil
c Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Bolsista de produtividade em pesquisa, Brasil
d Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Faculdade de Educação Física, Departamento de Educação Física e Humanidades, Campinas, SP, Brasil
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Resumo

A natureza e seus elementos, como o sol, a água e o clima –considerados regeneradores –, afirmam‐se nos discursos médicos como destinos apropriados aos viajantes durante as férias, estabelecidas legalmente aos trabalhadores com a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943. Este artigo trata das viagens de férias em estâncias hidrominerais e toma como objeto principal de análise um dos destinos: Poços de Caldas (MG). Seu objetivo foi analisar, a partir de um conjunto de revistas de vulgarização científica e guias de viagens das décadas de 1930 e 1940, o lugar da cura e do divertimento nessa estância. Analisa, assim, o lugar da educação do corpo nas prescrições voltadas para os destinos escolhidos.

Palavras‐chave:
Corpo
Natureza
Férias
Águas termais
Abstract

Nature and its elements, such as sun, water, weather (all considered regenerative) are asserted in medical discourses as appropriate destinations for the vacations time, a worker's right legally established in 1943 by the CLT (Consolidações das Leis do Trabalho). This paper deals with vacation trips to thermal springs by analyzing one specific travelling destination: Poços de Caldas/MG. Based on a set of travel guides and magazines of scientific dissemination published in the decades of 1930 and 1940 we aim at analyzing this thermal spring as a place of healing and amusement. Thus, we analyze the role played by body education in the prescriptions of such travelling destinations.

Keywords:
Body
Nature
Vacation
Thermal water
Resumen

La naturaleza y sus elementos, como el sol, el agua y el clima –considerados regeneradores– se afirman en los discursos médicos como destinos apropiados para los viajantes durante las vacaciones, establecidas legalmente para los trabajadores con las Consolidaciones de las Leyes del Trabajo (CLT) en 1943. Este artículo aborda los viajes de vacaciones en estancias hidrominerales y tiene como objetivo principal uno de los destinos: Pozos de Caldas, MG. Su objetivo fue analizar, a partir de un conjunto de revistas de divulgación científica y guías de viaje de las décadas de 1930 y 1940, el lugar de la cura y de la diversión en esa estancia. Analiza, asimismo, el lugar de la educación del cuerpo en las prescripciones orientadas a los destinos escogidos.

Palabras clave:
Cuerpo
Naturaleza
Vacaciones
Aguas termales
Texto completo
Introdução

Uma discussão acerca das férias na dinâmica de vida dos habitantes da cidade pressupõe um questionamento sobre os lugares escolhidos e, sobretudo, sobre as possibilidades de usufruir desse tempo, associado ao repouso, à regeneração ou ao divertimento. De imediato, a escolha desses ambientes perpassa por aquilo que nossa retina reconhece como pitoresco e os ambientes permeados pela natureza tomam parte nessa cena, decerto associados a momentos de relaxamento, divertimento e também de cura. (Boyer, 1999, 2003; Burbage, 1998; Corbin, 1995; Dalben e Soares, 2011; Hasse, 1999; Lenoble, 1969; Rauch, 1995, 2001; Sant’anna, 2007; Thomas, 1988).

Quando tomamos as férias junto à natureza nos anos de 1930 a 1940 como tema e problema de pesquisa, seguindo o caminho daqueles que conseguiam usufruir desse direito recém‐conquistado legalmente, deparamo‐nos logo com uma premissa: as férias, quando usufruídas efetivamente, deveriam ocorrer longe das cidades, junto à natureza, seja na montanha, no campo ou no litoral.1 Justificativas e prescrições para essa escolha eram muitas e se originavam a partir de diferentes discursos, como, por exemplo, o discurso médico e suas prerrogativas higienistas, em que não faltavam críticas aos problemas oriundos da vida urbana (Goes JR., 2003; Rocha, 2003; Soares, 2008; Soares e Gleyse, 2006).

As cidades brasileiras da época passavam por um acentuado desenvolvimento e crescimento populacional, São Paulo é o exemplo mais emblemático (Campos, 2004): tomada pelos ares de modernidade, era palco de inovações em relação ao mundo dos divertimentos, em cujo interior novos discursos, principalmente médicos, alertavam sobre os perigos dessa nova dinâmica presente na vida urbana, em que “por mantermo‐nos ao par dos tempos, apressamos o passo além de nossa capacidade de resistência” (Marsh, 1944, p. 14).

O incentivo ao uso de um período definido para as férias, ou seja, a institucionalização de um tempo determinado para o repouso e o divertimento, era permeado pelas justificativas de ordem médica, à qual se agregava outro discurso não menos importante e definidor: a aprovação da CLT em 1943 (Brasil, 1943). Nessa legislação surgiu, pela primeira vez, o direito do trabalhador a férias remuneradas e, como consequência, a outros benefícios ligados ao período de descanso, benefícios esses amplamente usufruídos por outras camadas da população.

Considerando o quadro brevemente esboçado acerca desse tema e problema de pesquisa, este artigo pretende analisar, a partir da determinação do período de férias pela CLT, de que forma uma educação do corpo2 ditada por um acurado pensamento médico influenciava a prescrição dos destinos de férias. Seguindo o rastro daqueles que viajaram nas décadas de 1930 e 1940, deter‐nos‐emos em um dos destinos escolhidos à época – a estância hidromineral de Poços de Caldas (MG) –, para contrapor o papel da cura e do divertimento na escolha dos seus destinos.

O corpus documental de nossa pesquisa está delimitado em torno de sua problemática central que estabelece relações entre o direito a férias remuneradas, prescrições médicas, destinos indicados e cuidados com o corpo e foi constituído a partir de um conjunto de revistas de vulgarização científica e guias de viagens da época.3 A escolha recaiu sobre revistas, por representarem, de acordo com Martins (2001), uma fonte bastante significativa de comunicação, num Brasil que se tornava urbano; a aparência luxuosa de uma revista, que mescla imagens e textos, era capaz de atingir uma gama expressiva e diferenciada de leitores. Já os guias de viagens exerciam o papel de prestimosos indicativos, com muitas informações de caráter científico. Seguindo as análises de Corbin (1989), o olhar acurado pela ciência que os guias destinavam aos locais de veraneio, desde o século XVIII, configurava‐se como essencial na divulgação do destino adequado e, sobretudo, na escolha por parte dos veranistas. Nossa discussão, portanto, parte desse conjunto de fontes para analisar em que medida a cura e o divertimento eram fatores que influenciavam nos destinos de férias junto à natureza.

Malas arrumadas, trajeto definido; é hora de nos embrenhar nessa viagem no encalço dos veranistas das décadas de 1930 e 1940.

As receitas médicas e os destinos de férias

[…] pássaros e cigarras. Grilos e sapos. Automóveis e bondes. Latidos de cães, miados de gatos. Canto de galo. Mugido de vacas. Balidos de cabras. Farfalhar do arvoredo. Barulhar das águas correntes. Campainhas de ambulâncias, depois, sereias de ambulâncias e Corpos de Bombeiros. Escapamento aberto de motocicletas. Vitrolas. Rádios. De vez em quando um ruído de avião. (Martins, 2001, p. 505)

Um turbilhão de contradições se fazia presente em uma São Paulo que recebia, a cada dia, grande quantidade de pessoas vindas de diferentes lugares e que mudavam a cena urbana. Nesse novo cenário, dividiam espaço brasileiros vindos de cidades e regiões distintas e imigrantes de diferentes países. Inúmeros aspectos da vida individual e coletiva se transformavam rapidamente, hábitos deveriam ser abandonados e substituídos por outros, elaborados a partir de prescrições de uma medicina higiênica que tomava para si a responsabilidade da prevenção e da preservação da vida (Rauch, 1983; Sant’anna, 2011; Vigarello, 1993). Desse modo, tornava‐se indispensável pensar em uma medicina e uma higiene que se aproximassem dessa nova configuração urbana. Uma nova ordem sanitária dos aglomerados populacionais, portanto, deveria ser colocada em marcha num contexto urbano em que a limpeza se tornara condição fundamental para a manutenção da saúde (Vigarello, 1996).

Essa nova ordem sanitária voltada para a população alterou algumas concepções do urbano, misturou deslumbramentos e receios. Tal misto de sentimentos com relação à vida na cidade se encaixava no argumento divulgado nas revistas médicas brasileiras, que consideravam a cidade um dos principais fatores de ameaça à saúde da população. Aspectos como a fadiga cotidiana e o esgotamento começaram a fazer parte do vocabulário médico que aparecia em revistas como Vida e Saúde, na qual podemos ler a seguinte reflexão: “Acompanha o trabalho um sentimento de responsabilidade, de cuidado, uma apreensão do limite de tempo que as outras coisas impõem, uma sensação de escravidão à rotina, de repetição constante.” (Constock, 1944, p. 05).

O excesso de trabalho é visto como fator prejudicial ao bom desenvolvimento e ao desempenho do trabalhador. A solução, então, seria estimulá‐lo a usar seu período de férias obrigatórias de forma a recuperar suas energias, restabelecer o vigor necessário e, assim, contribuir para o crescimento social. Os discursos das revistas médicas se nutriam dessa suposta necessidade de descanso e tomavam para si a responsabilidade da condução aos melhores destinos de férias. Assim, segundo os discursos médicos e governamentais, as férias devem ser de descanso e descontração, para serem úteis ao trabalho, sua função mais nobre, e não poderiam causar mais cansaço do aquele da rotina do labor. Vejamos um extrato de Vida e Saúde acerca do tema:

Nesta época do ano, está‐se pensando em férias. Os lugares de recreio vão‐se enchendo de gente. O que se chama recreio é frequentemente aliado a prazeres exaustivos, ao ponto de a pessoa voltar das férias mais cansada do que quando saiu para tomá‐las.

Quem realmente queira tirar o maior proveito de suas férias agirá com prudência se buscar um lugar apartado do bulício, onde a vida social seja simples e a recreação não prejudicada pela afluência de gente. (Constock, 1944, p. 5)

As revistas aconselhavam desde a arrumação das malas –cuidando para que não se “sobrecarregassem as minúcias” (Costock, 1944, p. 05) – até a indicação de destinos mais adequados ao repouso. Os discursos ali presentes se apropriavam da compreensão de uma determinada natureza como destino ideal das férias, capaz de aliar repouso e regeneração do corpo. Essa aliança promovia uma relação mais direta do homem com os elementos da natureza, supostamente deturpada e, mesmo, comprometida pelas conglomerações urbanas (Rauch, 2001).

Hasse (1999, p. 126), ao analisar as relações entre corpo e natureza em Portugal no início do século XX, encontrou forte prescrição médica voltada para os destinos em que “a mudança introduzida na rotina, a diversão do espaço, o efeito do campo e a atraente sedução do mar e das vagas e os seus resultados terapêuticos não deixam de ser recomendados sem hesitação pelos médicos”.

Se essas eram as relações encontradas em um país europeu, não poderíamos sugerir que a mesma concepção de natureza se fizesse presente no Brasil. Em uma época em que a maioria dos habitantes brasileiros vivia na zona rural, as concepções da elite intelectual e urbana sobre a natureza brasileira passavam ainda pela caricatura do personagem Jeca Tatu: a zona rural era um espaço de doenças e apatia, como relata Marras (2004, p. 106). Por outro lado, uma natureza exuberante florescia longe dali, no interior deste país de dimensões continentais. Todavia, essa mesma natureza era considerada perigosa: sem as devidas regulações, aventurar‐se por caminhos ainda não trilhados era contraindicado para quem só buscava descanso e regeneração do corpo.

Assim, uma nova concepção de natureza foi inaugurada e auxiliou médicos e pacientes na procura dos ambientes mais profícuos e úteis ao descanso. Tal concepção conceituava a natureza como ponto de oposição à vida urbana, ao novo ritmo acelerado que traduzia os novos ares de modernidade (Dalben e Soares, 2011). Ela se tornava, portanto, um espaço operante na lógica da cidade e, a partir desse contato, o trabalhador aumentaria o vigor do corpo e restauraria sua saúde. Desenvolvia‐se assim um corpo oposto àquele fatigado e fragilizado pela cidade:

Fuja da poeira das cidades e do ar confinado dos seus escritórios ou salas de trabalho. Aproveite os sábados e os domingos para procurar o ar dos campos. […]. Ande pelo mato, respire o ar da manhã, longe das poeiras e dos rumores. […]. Limpe o seu corpo das infecções orgânicas e a sua mente das ideias pesadas de trabalhos e de preocupações. Aprenda a viver em contato com a terra. (PROCURE… 1940, p. 18).

As revistas se tornaram eficazes não apenas no que se refere aos benefícios do contato com a natureza, mas também na divulgação das possibilidades de locais que pudessem ser usufruídos de acordo com esses preceitos. Assim, as páginas das revistas médicas e de guias criados especialmente para essa finalidade vinham recheadas de sugestões e indicações de locais para o veraneio e de dicas de como aproveitá‐los. Um desses guias, criados com a finalidade de auxiliar os veranistas a escolher o local adequado para as viagens de férias, foi o Caderno de Turismo, elaborado pelo Departamento Estadual de Informações, da Divisão de Turismo e Expansão Cultural do Estado de São Paulo. O primeiro número, de 1947, tratava especificamente de Itanhaém; o segundo, de 1948, mostrava as belezas naturais e os passeios de Campos do Jordão.4

Tais guias, produzidos por obra de uma secretaria estadual, mostravam‐se em consonância com as relações entre as férias e os benefícios da natureza até agora tratados e com a legislação vigente sobre o tema. Além disso, eram importantes indicadores de viagens, considerando o conjunto de informações ali descritas. Ao tratar de Itanhaém, por exemplo, ofereciam todas as informações turísticas, convergentes com as indicações médicas de distanciamento do bulício da cidade e da necessidade de contato com a natureza: em “Itanhaém […] deve‐se viver essencialmente ao ar livre, entregue aos esportes da praia e às excursões que, sobre um tonificante contato com a natureza, propiciam, não raro, em ambiente bucólico, a evocação de páginas sugestivas de nossa história.” (São Paulo, 1947, p. 19).

Além dessas duas cidades, outro tipo de estabelecimento configurou‐se nas páginas das revistas como prestimoso destino das viagens de férias: as estâncias hidrominerais, pela perfeita simbiose entre o campo e a cidade contida em seus ares. Caldas de Cipó, famosa estância hidromineral, figurou nas páginas de Vida e Saúde com o epíteto de “portentoso manancial de saúde líquida” (Salles, 1945, p. 09). As análises minuciosas sobre a composição das águas e a temperatura tornaram‐se peças fundamentais em sua indicação para a cura de moléstias: cada tipo de doença tinha um tratamento assegurado pelas variações na composição das águas.

Outra estância hidromineral citada com frequência pelas revistas era Poços de Caldas, a mais famosa do Brasil. A aliança entre as águas sulfurosas e as melhorias proporcionadas pela mão do homem elevaram‐na, antes embebida em ares místicos e provincianos, ao título de “Vichy brasileira”.5 Sua fama crescente atraiu milhares de turistas inebriados pelos anúncios de suas qualidades, que não incluíam apenas as águas, mas os cassinos, o golf club e demais estabelecimentos de ostentosa vida social. O misto de cura das águas e divertimento do corpo potencializava a fama dessa estância.

A cura e o divertimento do corpo nas férias brasileiras: difícil equação

O conteúdo veiculado pelas revistas em relação ao bom uso do período de férias sublinhava o necessário repouso e regeneração do corpo. Os alertas iam sempre em direção ao cuidado para com os excessos dos divertimentos e mostravam quão nefastos e prejudiciais poderiam ser na volta ao trabalho. As revistas buscavam mostrar o panorama dos locais de recreio, como praias e estâncias, que, na época do verão, ficavam apinhados de pessoas – ávidas pelo divertimento – e reiteravam a finalidade primária das férias promulgadas na CLT: “É lamentável […] que o desejo de divertir‐nos se haja a tal ponto apoderado de nós, que restabelecer‐nos e habilitar‐nos para fazer mais e melhor trabalho quase tem sido esquecido em nossos dias de férias” (Marsh, 1944, p. 14).

Como reunir, então, a cura do corpo, o divertimento e o gozo desejados pelos veranistas? Provavelmente, um local que se identificasse com ambas as necessidades de férias tornar‐se‐ia bastante procurado durante o período de verão. E foi exatamente isso que aconteceu com Poços de Caldas. Essa estância hidromineral exibia uma numerosa lista de atrativos aos quais aludiam tanto os médicos – que exaltavam a qualidade das águas cientificamente testadas – quanto os turistas, atraídos pelos inúmeros cassinos e casas de shows; e atingiam até mesmo os interesses governamentais e financeiros. Todo esse conjunto de benefícios tornou‐a, entre 1930 e 1940, a maior estância hidromineral do país, chegou a atender a 294.900 visitantes em 1945 (Mourão, 1961, p. 25). Em consonância com esse momento de desenvolvimento, a imprensa em Poços de Caldas também se mostrou robusta entre 1931 e 1946 e inúmeras publicações sobre os mais variados assuntos, que iam da moda, da religião, das festividades até a ciência, surgiram (Pontes, 1999). Muitos desses periódicos, entretanto, não passaram do primeiro número e os que prosseguiram buscavam, em geral, um único objetivo: aumentar o número de turistas na estância.

As revistas e os guias, por condensar informações, imagens e sensações de fácil compreensão, foram rapidamente incorporados à divulgação do turismo em Poços de Caldas. Nesse contexto é que começou a ser ali divulgada a crenologia – ciência das águas, inicialmente estudada por Pedro Sanches,6 que logo atraiu outros médicos com o intuito de dar continuidade a esses estudos iniciais. Para divulgação dessa ciência, foi criada uma revista “altamente especializada” nos estudos das águas: a Revista Brasileira de Crenologia. Fundada por Martinho de Freitas Mourão e Benedictus Mario Mourão em 1933, foi lançada como porta‐voz dos estudos brasileiros sobre as águas quentes e aberta a receber “contribuições de todo o Brasil” (Revista…, 1933, p. 11), chegou a ultrapassar, em determinados números, a marca de 10 mil exemplares (Pontes, 1999). O que a torna ainda mais interessante para nosso estudo é o fato de que, sob o manto protetor do estudo das águas, a revista continha, em suas páginas, inúmeras informações turísticas sobre a estância. Enquanto revistas como a Vida e Saúde publicavam exclusivamente informações sobre os benefícios das estações termais – já que sua preocupação maior era divulgar, em linguagem menos científica, as concepções de saúde advindas do pensamento médico‐higienista (Dalben e Soares, 2008) –, a Revista Brasileira de Crenologia apresentava grande publicidade de pensões e hotéis, assim como preços de viagens, que disputavam o espaço com reportagens ligadas às análises científicas sobre as águas e seus benefícios.

Além da nítida relação entre o estudo das águas e o potencial turístico da estância destacados pela revista de crenologia, havia outro aspecto bastante significativo para o desenvolvimento desses locais considerados como os mais adequados para as férias: o incentivo turístico proclamado pelo governo Getúlio Vargas por meio do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Criado em 1937, com o intuito de coordenar as ações, as políticas e a ideologia do Estado Novo, esse departamento contava com uma subdivisão denominada Departamento de Propaganda e Difusão Cultural (DPDC), voltada, exclusivamente, para o turismo. Essa divisão de turismo planejara um Instituto de Hidrologia, órgão que seria responsável por coordenar e orientar as ações turísticas de balneários e outros empreendimentos da área, bem como estabelecer diretrizes para o turismo, o termalismo e o climatismo em cidades‐estância (Goulart, 1990).

No seio do DPCD, as informações sobre Poços de Caldas como local de férias ganharam ainda mais reforços, no momento em que a Divisão de Turismo criou uma publicação em língua espanhola para a divulgação da estância. O exemplar não contém data, tiragem ou indícios de a qual país era destinado; entretanto, o título da primeira reportagem permite inferir que seu destino seria um país da América do Sul, pois ali lemos que Poços de Caldas é referida como “La mayor estância termal da America del Sur” (Departamento… [1930‐1946], p. 02).

O impresso se vale da associação entre a cura das águas e o ambiente social animador para assegurar que a alegria e a saúde, a cura e o divertimento devem caminhar juntos para o bom aproveitamento do período de veraneio. Além de todo o conhecimento sobre as águas, o grande argumento da publicação é que os ares de Poços de Caldas – que, com seus divertimentos, se distancia dos ares de uma estação de doentes – é que tornam essa estância a maior e melhor do Brasil. Os cassinos, as termas sempre bem frequentadas e o convívio social diferenciado são exaltados para concluir que só com esses elementos a estância é capaz de se tornar completa:

Alguién pensará que la afluência de enfermos a Poços de Caldas imprime a linda estación balneária um aire de sanatório. Nada más lejos de la realidad. Entre todas las ciudades del Brasil tal vez sea Poços de Caldas la que menos aparente un lugar de cura (Departamento… [1930‐1946], p. 6‐7).

A figura do médico ou as águas sulfurosas – mencionadas somente nas últimas páginas – parecem ser fatores de permissão aos prazeres e aos divertimentos da estância. Se o elemento de cura estava presente, mesmo que em segundo plano, então poderiam figurar nas páginas do impresso imagens e descrições dos cassinos, dos passeios, do country club e até mesmo da noite poços‐caldense, já que a alegria da estância era um dos fatores responsáveis pela cura.

Embora a maioria das revistas produzidas com o intuito de divulgar a estância fizesse uma mescla entre os artigos científicos sobre os benefícios das águas e o mundo dos divertimentos em uma estada na estação de curas, alguns periódicos especializaram‐se nesse aspecto mundano e distante da cura para atrair os visitantes à estância. A revista Poços de Caldas (1944), lançou uma edição comemorativa do aniversário de 27 anos da cidade, patrocinada pela Associação Comercial, cujo conteúdo exaltava os encantos de Poços. Nessa revista, é possível constatar que apenas alguns dados iniciais se detiveram no tema das águas sulfurosas e seus benefícios para a saúde; os demais artigos, bem ao contrário, concentravam‐se em um único aspecto: a vida social poços‐caldense.

Elza Monteiro Ferreira, mademoiselle frequentadora dos altos círculos sociais, escreveu um artigo que consideramos bastante emblemático de nossa discussão: “Assim é Poços de Caldas”. Seu conteúdo se propõe a descrever os aspectos mundanos da cidade, considerados pela autora como os mais importantes. Não faltam descrições detalhadas dos transeuntes e das impressões que deixam em sua passagem, pois “toda esta gente que se movimenta com tanto donaire é a fina flor da sociedade brasileira que se mistura com diplomatas ianques, titulados europeus e ricaços sul‐platinos” (Ferreira, 1944, p. 07).

Retomando nossas análises acerca da importância desse local para as férias, não seria menor destacar, aqui, que, para além de suas águas e montanhas, do clima ameno e temperado, de uma natureza provedora, a alegria e a animação dos círculos sociais passaram a ser encarados como um novo fator provedor de saúde na estância. Respeitar os ditames médicos sobre a época ideal – de janeiro a abril – para frequentar a estância nem sempre foi o objetivo mais evidente da imprensa local. O comércio e o lucro advindos da exploração desse turismo quase de massa fizeram com que esses veículos de comunicação passassem a ampliar os períodos considerados como ideais para as férias; e, desse modo, o inverno também começou a ser considerado como período adequado ao repouso.

Revistas como A Justiça (1943) e Visitem Poços de Caldas na Estação de Inverno (1940)7 atestam bem essa nova possibilidade de explorar o turismo nessa estação. Nessas revistas não eram encontradas recomendações médicas a respeito dos benefícios de uma estação de inverno ou da vantagem do clima para a cura das doenças; pelo contrário, as principais vantagens estabelecidas para a estação diziam respeito aos seus aspectos mundanos: propagandas de cassinos, fotos de membros da alta sociedade em pontos pitorescos, tabelas com preços comparativos da estada. Os grandes auxiliares para a cura nessa estação eram o grande movimento e o footing da avenida principal. Sabia‐se da indicação médica a respeito dos meses de janeiro a abril; entretanto, as revistas afirmavam que “a época ideal para uma estação de cura, é, porém, de maio a dezembro. Não havendo acúmulo de serviço nos estabelecimentos de banhos, as pessoas podem ser mais bem servidas, acontecendo o mesmo nos hotéis” (Revista Ilustrada de Poços de Caldas, 1938, p. 07).

Esse deslocamento da atenção – da cura para o divertimento do corpo – nessa estância fez com que médicos renomados retomassem o debate em torno das férias como período de repouso na estância, considerando que as ideias centrais acerca da cura junto à natureza teriam sido desvirtuadas. Benedictus Mario Mourão (1961, p. 06), em um artigo sobre a decadência de Poços de Caldas, afirma que a estância “tornou‐se hoje […] mais turística do que propriamente hidromineral, ou melhor, de cura, recuperação e repouso. Atualmente é mais uma cidade de veraneio, de ‘week end’, de férias escolares ou de centro de diversões”. O médico continua seu raciocínio, explicita, por meio de gráficos e comparações, que o número de atendimentos caíra muito a partir de 1945, em coincidência com o fechamento dos cassinos na estância.

Incentivados pelas publicações, que em sua quase totalidade apresentavam seus aspectos sociais e mundanos, os turistas apinharam os verões de Poços de Caldas entre as décadas de 1930 e 1940, transformaram‐na num importante espaço de socialização. Algumas questões, então, parecem permanecer: é possível afirmar que as famosas águas sulfurosas de Poços de Caldas se tornaram coadjuvantes na fama da estância? A cura do corpo migrou do contato sulfuroso para o contato mundano? O divertimento tomou, efetivamente, o lugar da cura?

A tênue linha entre a cura e o divertimento

A “rainha das águas brasileira” fora, de certo modo, inventada também por um conjunto de informações que circularam de modo intenso e extenso. Nesse quadro, as revistas científicas de alcance nacional, como Vida e Saúde, ao lado de outras, como foi o caso da Revista Crenologia, exerceram um papel significativo, ao proclamar os benefícios de suas águas. Não menos relevante foi a forte presença do estado brasileiro e de sua propaganda acerca dos benefícios das águas e da importância do bom uso das férias, se usufruídas naqueles locais.

Descarregar as malas não era suficiente para fazer bom proveito de uma estada em Poços de Caldas. A permanência nessa estância implicava seguir as diretrizes médicas acerca dos efeitos benéficos das águas, do asseio corporal, mas, sobretudo, de uma educação ali implícita acerca do contato com a natureza. Usufruir de cachoeiras, passeios e banhos quentes implicava um conjunto de procedimentos que iam do adequado uso de roupas especiais para cada ocasião (Soares, 2011) até gestos e demonstração de sentimentos.

A cura aliava‐se ao divertimento, definitivamente; e era necessário arrumar‐se e portar‐se de modo adequado àquele estilo próprio de uma elite, já habituada a frequentar cassinos e festejos noturnos da cidade. As possibilidades de usos do corpo mesclavam‐se e tornavam‐se concomitantes; e até mesmo o esporte (Morais, 2007) e a mecanoterapia (Departamento… [entre 1930 e 1946]) começaram a fazer parte das atividades que compunham esse universo de cura e divertimento. Era necessário munir‐se de condutas e códigos específicos do corpo, que se diferenciavam da vida cotidiana.

Uma estada na estância de Poços de Caldas era, pois, um universo ambíguo e cheio de contradições a serem vividas pelos frequentadores. Entre a cura e o divertimento, era impossível estabelecer uma linha divisória e ambos os universos desempenharam um papel significativo na educação do corpo nessa estância e nessa busca pela natureza.

Financiamento

Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), bolsa de produtividade em pesquisa nível 2, processo n° 302492/2010‐0, e bolsa de iniciação científica do Serviço de Apoio ao Estudante (SAE – 1a. Chamada) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), 2010/2011.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências
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Este artigo não analisa o turismo como campo de conhecimento e de pesquisa. Mesmo assim, toma como referência um dos autores clássicos do tema e duas de suas obras: Boyer (1999, 2003).

Esse corpus documental foi constituído por revistas voltadas para a divulgação de discursos médicos, Viver e Vida e Saúde, e guias como o Caderno de Turismo. As fontes específicas sobre Poços de Caldas foram: A Justiça; Revista Brasileira de Crenologia e Revista Ilustrada de Poços de Caldas, além de informativos comerciais produzidos por estabelecimentos da cidade. Todas as fontes usadas foram produzidas no período recortado para esta pesquisa.

Na pesquisa feita até o momento, não foram encontrados outros números desse guia de viagens.

Estância hidromineral francesa situada na região d’Auvergne, é conhecida pelo poder de suas águas vulcânicas e dos inúmeros tratamentos estéticos.

De acordo com Stelio Marras (2004), Pedro Sanches se instalou em 1873 na vila de Caldas, já formado em medicina, e passou a se interessar pelo estudo das águas a partir das curas anunciadas pelo povo. Em sua figura pessoal reúnem‐se três fatores empenhados em transformar as “águas do povo” em uma “estância hidromineral” como as europeias: a aristocracia rural local, interessada em expandir o valor das terras que são suas propriedades; a própria corte imperial, já frequentadora de estações de águas europeias e no Brasil; e a ciência médica, que, com maior infraestrutura, seria capaz de detectar as propriedades curativas das águas, outrora “milagrosas”.

Essa revista, aparentemente, teve volume único.

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