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Vol. 41. Núm. 1.Enero - Marzo 2019
Páginas 1-124
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Vol. 41. Núm. 1.Enero - Marzo 2019
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DOI: 10.1016/j.rbce.2018.04.005
Open Access
O que os olhos não veem, mas o coração sente: classificação per capita e por faturamento do quadro de medalhas dos Jogos Paralímpicos Rio‐2016
Out of sight, but not out of mind: classification per capita and by billing of the medal board at the Paralympic Games Rio 2016
Ojos que no ven, corazón que siente: clasificaciones per cápita y por facturación del medallero en los Juegos Paralímpicos de Rio 2016
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Bruno Pedrosoa,b,
Autor para correspondencia
prof.brunopedroso@gmail.com

Autor para correspondência.
, Guilherme Moreira Caetano Pintoc,d, Claudia Tania Picinine, Luiz Alberto Pilattif,g
a Universidade Estadual de Ponta Grossa, Departamento de Educação Física, Programa de Pós‐Graduação em Ciências Sociais Aplicadas, Ponta Grossa, PR, Brasil
b Universidade Estadual de Ponta Grossa, Departamento de Educação Física, Programa de Pós‐Graduação em Ciências da Saúde, Ponta Grossa, PR, Brasil
c Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Programa de Pós‐Graduação em Engenharia de Produção, Ponta Grossa, PR, Brasil
d Universidade Estadual de Ponta Grossa, Departamento de Educação Física, Ponta Grossa, PR, Brasil
e Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Departamento de Engenharia de Produção, Programa de Pós‐Graduação em Engenharia de Produção, Ponta Grossa, PR, Brasil
f Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Departamento de Engenharia de Produção, Programa de Pós‐Graduação em Engenharia de Produção, Ponta Grossa, PR, Brasil
g Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Departamento de Engenharia de Produção, Programa de Pós‐Graduação em Ensino de Ciência e Tecnologia, Ponta Grossa, PR, Brasil
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Tabela 1. Relação escore‐país dos jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio‐2016
Tabela 2. Classificação dos jogos Paralímpicos veiculada pela mídia dos jogos Rio‐2016
Tabela 3. Quadro de medalhas de ouro per capita dos jogos Paralímpicos Rio‐2016
Tabela 4. Quadro de medalhas total per capita dos jogos Paralímpicos Rio‐2016
Tabela 5. Quadro de medalhas de ouro por faturamento dos jogos Paralímpicos Rio‐2016
Tabela 6. Quadro total de medalhas pelo faturamento dos jogos Paralímpicos Rio‐2016
Tabela 7. Correlação de Spearman entre as variáveis número de medalhas ouro conquistadas, número total de medalhas conquistadas, tamanho populacional e PIB
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Resumo

Objetivou‐se analisar o quadro de medalhas dos jogos Paralímpicos Rio‐2016 considerando o número de habitantes e o Produto Interno Bruto (PIB) dos países medalhistas. Inferiu‐se que as primeiras colocações dos jogos Paralímpicos no quadro de medalhas usado pela mídia foram ocupadas por países com maior potencial econômico, o que foi reforçado pelos cálculos de correlação de Spearman entre as variáveis investigadas neste estudo. Observou‐se, ainda, que o Brasil, mesmo não tendo obtido um desempenho ruim, apresenta um grande potencial de melhoria no número de medalhas de ouro e total de medalhas, tendo em vista seu tamanho populacional e PIB.

Palavras‐chave:
Jogos Paralímpicos
Desempenho atlético
Classificação
Pessoas com deficiência
Abstract

We objectified to analyze the medal board of the Rio 2016 Paralympic Games considering the number of inhabitants and the Gross Domestic Product (GDP) of medalist countries. We inferred that the first positions of the Paralympic Games medal table used by the media were occupied by countries with greater economic potential, which was reinforced by Spearman correlation calculations between the variables investigated in this study. We also noted that Brazil, even not having obtained poor performance, has a great potential for improvement in the number of gold and total medals, given its population size and GDP.

Keywords:
Paralympic games
Athletic performance
Classification
Disabled persons
Resumen

El objetivo fue analizar el medallero de los Juegos Paralímpicos de Rio 2016 según el número de habitantes y el Producto Interior Bruto (PIB) de los países medallistas. Se comprobó que las primeras posiciones del medallero de los Juegos Paralímpicos utilizados por los medios de comunicación estaban ocupados por países con mayor potencial económico, algo que fue reforzado por medio del cálculo de la correlación de Spearman entre las variables investigadas en este estudio. Se observó también que Brasil, a pesar de no haber obtenido bajo rendimiento, tiene un elevado potencial de mejora en el número de medallas de oro y total de acuerdo con el tamaño de su población y el PIB.

Palabras clave:
Juegos Paralímpicos
Rendimiento deportivo
Clasificación
Personas con discapacidad
Texto Completo
Introdução

Em Aylesbury, na Inglaterra, o neurologista Ludwig Guttmann, buscando melhorar a vida de lesionados na Segunda Guerra Mundial, constituiu o Centro Nacional de Lesionados Medulares do Hospital de Stoke Mandeville, berço do esporte adaptado. No entanto, oficializa‐se apenas em 1948, nos jogos de Stoke Mandeville (Costa e Sousa, 2004).

A concretização dos ideais de Guttmann ocorreu nos jogos Olímpicos de Roma em 1960. Por sugestão de Antonio Maglio, diretor do Centro de Lesionados Medulares de Ostia (Itália), os jogos de Stoke Mandeville foram feitos imediatamente após o término dos jogos Olímpicos, sob a denominação de Olimpíadas dos Portadores de Deficiência, disputados nas mesmas instalações dos jogos Olímpicos (Costa e Sousa, 2004).

É sensato mencionar que os termos “Olímpiada” e “Paralimpíada”, apesar de correlatos, não são sinônimos de “jogos Olímpicos” e “jogos Paralímpicos”. O período de quatro anos, iniciado no primeiro dia do ano em que ocorrem os jogos e findado no último dia do ano que antecede a próxima edição, corresponde à noção de “Olímpiada” e de “Paralimpíada”. No plural, os termos exteriorizam a soma de todas as edições já feitas. Os termos correlatos, jogos Olímpicos e jogos Paralímpicos, compreendem o período do megaevento (International Olympic Commitee, 2012).

O esporte adaptado usa um sistema de classificação funcional, que indica o grau de comprometimento funcional dos atletas, visa a propiciar condições iguais aos atletas e tornar os resultados mais justos (Marques et al., 2009).

Atentando‐se às classificações funcionais, atualmente são disputadas as seguintes modalidades: atletismo, basquete em cadeira de rodas, bocha, canoagem, ciclismo, esgrima de cadeira de rodas, futebol de 5, futebol de 7, golbol, halterofilismo, hipismo, judô, natação, remo, rúgbi em cadeira de rodas, tênis de mesa, tênis em cadeira de rodas, tiro com arco, tiro esportivo, triatlo, vela e voleibol sentado (Comitê Paralímpico Brasileiro, 2016).

Quanto à premiação dos jogos Paralímpicos, é adotado o mesmo modelo dos jogos Olímpicos, destinam‐se a medalha de ouro ao primeiro colocado, a de prata ao segundo e a de bronze ao terceiro.

Na carta olímpica – documento que regulamenta os jogos – não existe menção de classificação de países por desempenho. O Comitê Olímpico Internacional (COI), em seu sítio oficial, não apresenta uma classificação por países. No entanto, a mídia divulga um quadro de medalhas, criado pela imprensa estadunidense, para exaltar seu desempenho esportivo, ranqueia os países com o critério de número de medalhas de ouro. Para o desempate é usado o número de medalhas de prata e, se persistir a igualdade, o número de medalhas de bronze (Conselho Federal de Educação Física, 2012).

Divergentemente ao COI, o International Paralympic Commite (IPC) apresenta, em seu sítio, o quadro de medalhas dos jogos Paralímpicos, que segue os critérios de classificação adotados pela mídia.

Mesmo tendo clareza que não é consensual a adoção do quadro de medalhas nos jogos Olímpicos e Paralímpicos, os autores do presente estudo usam como dado o número de medalhas obtidas pelos países, consideram o tamanho populacional e o Produto Interno Bruto (PIB), relacionados pela literatura como fatores que têm ligação direta com o sucesso esportivo de uma nação (Dos Santos, Da Costa & Da Silva, 2012; Bernard & Busse, 2004; Bian, 2005; Luiz & Fadal, 2011). A análise, que não é determinística, reflete visualização situacional inexistente nas classificações difundidas midiaticamente. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo analisar o quadro de medalhas dos jogos Paralímpicos Rio‐2016 considerando o número de habitantes e o Produto Interno Bruto (PIB) dos países medalhistas.

Procedimentos metodológicos

O corpus documental do presente estudo foi composto pelos seguintes documentos: quadro de medalhas dos jogos Paralímpicos disponível no IPC; dados de recenseamento populacional disponível no sítio eletrônico de cada país; listagem dos PIBs nominais das nações ano‐base 2015.

A coleta de dados foi feita em três etapas. A primeira etapa refere‐se ao levantamento do número de medalhas conquistadas por cada país e sua respectiva classificação considerando o número de medalhas de ouro, prata e bronze, que no presente trabalho receberá a denominação de “Quadro de medalhas usado pela mídia” obtido no site do CPI.

A segunda etapa refere‐se ao levantamento do tamanho populacional dos países medalhistas através dos dados de Recenseamento, obtidos em consulta ao sítio dos órgãos governamentais responsáveis pelo recenseamento populacional de cada país. Usaram‐se os dados oferecidos nos respectivos sítios oficiais em 18 de setembro de 2016, dia do término dos jogos Paralímpicos do Rio‐2016. Para Cabo Verde, Costa do Marfim, Grécia, Paquistão, Romênia e Kuwait, em função de a última atualização dos dados populacionais disponível ser anterior a 1° de julho de 2015, as informações foram extraídas da última atualização do World Population Prospects, publicado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em julho de 2016 (Organização das Nações Unidas, 2016).

Considerando que grande parte dos países não oferece a relação de imigrantes estrangeiros vivendo em seu solo e nem o número de indivíduos nascidos em seu país que residem em outras localidades, optou‐se por considerar como dado populacional a quantidade de habitantes que reside na área territorial dos países.

A terceira etapa refere‐se ao levantamento do PIB dos países medalhistas, obtido através da listagem dos PIBs nominais das nações, ano‐base 2015, divulgada pelo Banco Mundial (The World Bank, 2016). Nos casos em que o PIB não constava da listagem, como os de Cuba e de Taiwan, foram usados os valores da última atualização – 2014 – divulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas, 2015) e a estimativa para 2016 divulgada pelo Fundo Monetário Internacional (International Monetary Fund, 2016), respectivamente.

Após a coleta dos dados, os países foram ordenados em quatro quadros: a) considerando a razão entre número de habitantes e o número de medalhas de ouro conquistadas – “Quadro de medalhas de ouro per capita”; b) considerando a razão entre o número de habitantes e o número total de medalhas – “Quadro de medalhas total per capita”; c) considerando a razão entre PIB e o número de medalhas de ouro conquistadas – “Quadro de medalhas de ouro por faturamento” e; d) considerando a razão entre o PIB e o número total de medalhas conquistadas – “Quadro de medalhas total por faturamento”.

No que concerne à classificação do quadro de medalhas per capita e do quadro de medalhas por faturamento, relacionaram‐se os dez países mais bem classificados, os dez primeiros colocados do quadro de medalhas usado pela mídia (entre os quais o Brasil está incluído) e os países‐sede, inseridos sob a justificativa de se investigar a ocorrência de evolução do desempenho desses na ocasião em que sediam os jogos.

A hipótese do presente estudo é que quanto maior for a população e o PIB, melhor será o desempenho esportivo nos jogos Paralímpicos. Portanto, essas variáveis são fundamentais para uma compreensão ampliada da problemática em exame.

Para a análise dos dados, os cálculos estatísticos usados foram o teste de Kolmogorov‐Smirnov e a correlação de Spearman. O teste de Kolmogorov‐Smirnov foi usado para verificar a normalidade dos dados em função de a amostra ser maior do que 30 casos. Como não foi encontrada normalidade nos dados, fez‐se necessário usar a correlação de Spearman para verificar a relação entre as variáveis. A força da correlação de Spearman foi classificada de acordo com Dancey e Reidy (2006).

A fim de atestar se há um menor interesse nos jogos Paralímpicos por parte dos países de maior PIB, efetuou‐se um cálculo adicional. Foram selecionados os 30 países com melhor colocação nos jogos Olímpicos Rio‐2016 e nos jogos Paralímpicos Rio‐2016 e foi destinado um escore para cada país, conforme o número de países que obteve pontuação. Dessa forma, o primeiro colocado nos jogos Paralímpicos Rio‐2016 recebe escore de 98, o segundo 97 e assim sucessivamente. A relação escore‐país pode ser observada na: tabela 1.

Tabela 1.

Relação escore‐país dos jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio‐2016

Jogos Paralímpicos Rio‐2016Jogos Olímpicos Rio‐2016
País  Escore  País  Escore  País  Escore  País  Escore 
China  98  Uzbequistão  73  Estados Unidos  98  Jamaica  73 
Inglaterra  97  Nigéria  72  Inglaterra  97  Croácia  72 
Ucrânia  96  Cuba  71  China  96  Cuba  71 
United States of America  95  Belarus  70  Rússia  95  Nova Zelândia  70 
Austrália  94  Coreia do Sul  69  Alemanha  94  Canadá  69 
Alemanha  93  Tunísia  68  Japão  93  Uzbequistão  68 
Holanda  92  África do Sul  67  França  92  Cazaquistão  67 
Brasil  91  Tailândia  66  Coreia do Sul  91  Colômbia  66 
Itália  90  Grécia  65  Itália  90  Suíça  65 
Polônia  79  Bélgica  64  Austrália  79  Irã  64 
Espanha  78  Eslováquia  63  Holanda  78  Grécia  63 
França  77  Argélia  62  Hungria  77  Argentina  62 
Nova Zelândia  76  Irlanda  61  Brasil  76  Dinamarca  61 
Canadá  75  México  60  Espanha  75  Suécia  60 
Irã  74  Egito  59  Quênia  74  África do Sul  59 

Fonte: Autoria própria (2017).

Para efetuar o cálculo, fez‐se a contagem inversa, de forma que o maior PIB perde um ponto, o segundo maior PIB perde dois pontos e assim sucessivamente. Posteriormente, somou‐se a pontuação obtida pelos 30 primeiros colocados dos jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio‐2016 para uma posterior comparação. A interpretação dos resultados prevê que se o menor resultado ocorrer nos jogos Olímpicos, se confirma a tese de que os países de maior PIB tendem a menosprezar os jogos Paralímpicos.

Resultados e discussão

A tabela 2 considera a classificação veiculada pela mídia, os dez países mais bem classificados considerando os jogos Rio‐2016, os países‐sede dos jogos e os países da América do Sul que obtiveram medalhas no megaevento nas cinco últimas edições dos Jogos Paralímpicos.

Tabela 2.

Classificação dos jogos Paralímpicos veiculada pela mídia dos jogos Rio‐2016

  Edição dos jogos
País  Rio‐2016Londres‐2012Pequim‐2008Atenas‐2004Sydney‐2000
China 
  107  81  51  239  1°  95  71  65  231  1°  89  70  52  211  1°  63  46  32  141  1°  34  22  17  73  6° 
Inglaterra  64  39  44  147  2°  34  43  43  120  3°  42  29  31  102  2°  35  30  29  94  2°  41  43  47  131  2° 
Ucrânia  41  37  39  117  3°  32  24  28  84  4°  24  18  32  74  4°  24  12  19  55  6°  20  14  37  35° 
Estados Unidos  40  44  31  115  4°  31  29  38  98  6°  36  35  28  99  3°  27  22  39  88  4°  36  39  34  109  5° 
Austrália  22  30  29  81  5°  32  23  30  85  5°  23  29  27  79  5°  26  39  36  101  5°  63  39  47  149  1° 
Alemanha  18  25  14  57  6°  18  26  22  66  8°  14  25  20  59  11°  19  28  31  78  8°  16  41  38  95  10° 
Holanda  17  19  26  62  7°  10  10  19  39  10°  10  22  19°  12  12  29  27°  12  30  15° 
Brasil  14  29  29  72  8°  21  14  43  7°  16  14  17  47  9°  14  12  33  14°  10  22  24° 
Itália  10  14  15  39  9°  11  28  13°  18  28°  19  31°  10  27  18° 
Polônia  18  12  39  10°  14  13  36  9°  12  13  30  18°  10  25  19  54  18°  19  22  12  53  8° 
Grécia  13  24°  12  44°  10  24  20°  13  20  34°  11  33° 

Fonte: Adaptado do IPC (2016).

O – Número de medalhas de ouro

P – Número de medalhas de prata

B – Número de medalhas de bronze

T – Total de medalhas conquistadas

C – Classificação final na edição dos jogos

Verifica‐se, considerando as cinco últimas edições do megaevento, o predomínio da China. Após o sexto lugar nos jogos de Sydney (2000), o país figurou na primeira colocação em todas as demais edições dos jogos. Além da China, apenas a Inglaterra, a Austrália e os Estados Unidos mantiveram‐se nas dez primeiras colocações nas cinco últimas edições dos jogos Paralímpicos.

O predomínio da China nos jogos Paralímpicos, com população deficiente estimada entre 60 a 100 milhões, justifica‐se por fatores de ordem política, social e de formação esportiva. O investimento da China no esporte é alto, os jogos Paralímpicos, tal qual os jogos Olímpicos, são usados como propaganda do regime político chinês (Brittain, 2006; Brittain, 2010). Esse contexto reforça a ideia de que os jogos Paralímpicos alcançaram o patamar de espetáculo esportivo internacional, com todos os efeitos decorrentes.

O tratamento social da população deficiente evoluiu após o filho de Deng Xioaping, líder do país no passado, e ele próprio necessitarem do uso de cadeira de rodas. Foram produzidas leis locais para melhorar a vida da população deficiente. O desempenho nos jogos Paralímpicos é um indicativo do progresso da população deficiente na sociedade chinesa (Brittain, 2006).

Na formação esportiva, a China adota medidas para detectar e encorajar talentos do paradesporto a iniciarem cedo sua prática e participarem do processo de formação esportiva (Brittain, 2006). Para Guan e Hong (2016), o apoio governamental e a China Disabled Persons Federation (CDPF), entidade responsável por desenvolver o paradesporto de maneira independente, são determinantes para o sucesso esportivo da China.

Em relação aos países‐sede, a Austrália e a China obtiveram o melhor desempenho no ano em que competiram em seu território. No caso da Austrália, após o primeiro lugar quando sediou o evento em 2000, seu desempenho decaiu nos anos subsequentes (5° lugar em Atenas, Pequim, Londres e Rio de Janeiro). Já a China liderou o quadro de medalhas dos jogos Paralímpicos nessas edições.

A Inglaterra e o Brasil, como sedes, não alcançaram o topo do quadro de medalhas. No entanto, a Inglaterra obteve resultados importantes nas edições analisadas no presente estudo: 2° lugar em Sydney, Atenas, Pequim e Rio de Janeiro e 3° lugar em Londres e, apesar de não ter sido um fracasso, sua pior participação ocorreu quando sediou a competição. Em relação ao Brasil, é notória sua evolução no período. Em Sydney ficou na 24° colocação, em Atenas na 14ª, em Pequim em 9°, em Londres em 7° e no Rio de Janeiro, na condição de sede, terminou na 8° colocação. Embora não tenha sido sua melhor classificação, nessa edição o país obteve 72 medalhas, maior número já obtido no megaevento.

No caso da Grécia, o desempenho apresenta grande oscilação no período investigado, obteve a 33° colocação nos jogos de Sydney, caiu para 34° nos jogos de Atenas, subiu para 20° nos jogos de Pequim, caiu para 44° nos jogos de Londres e, por fim, subiu para 24° nos jogos do Rio. Nesse sentido, não é possível identificar tendências em relação ao desempenho grego.

É possível identificar a existência da tendência de que o país‐sede eleve seu desempenho nos jogos Paralímpicos. Tal afirmação está alicerçada em alguns pontos dos resultados até aqui apresentados: (i) a Austrália liderou o quadro de medalhas na ocasião; (ii) a China, além de liderar o quadro de medalhas, tornou‐se uma potência esportiva desde então; (iii) o Brasil conquistou seu maior número de medalha na história dos jogos (72); (iv) a Inglaterra manteve um resultado similar.

Outro viés de análise refere‐se ao fato de que, historicamente, alguns países apresentam melhor desempenho nos jogos Paralímpicos em comparação com os jogos Olímpicos, ou o contrário. Nesse sentido, nota‐se que China (3° nos jogos Olímpicos Rio‐2016 e 1° nos jogos Paralímpicos), Estados Unidos (1° nos jogos Olímpicos Rio‐2016 e 4° nos jogos Paralímpicos), Inglaterra (2° nos jogos Olímpicos Rio‐2016 e 2° nos jogos Paralímpicos), Austrália (10° nos jogos Olímpicos Rio‐2016 e 5° nos jogos Paralímpicos), Alemanha (5° nos jogos Olímpicos Rio‐2016 e 6° nos jogos paralímpicos) e Itália (9° nos jogos Olímpicos Rio‐2016 e 9° nos jogos Paralímpicos) permaneceram nas dez primeiras colocações em ambas as edições dos jogos, apresentaram‐se como potências olímpicas e paralímpicas.

Por outro lado, alguns países obtêm um alto desempenho em apenas uma das competições. A Ucrânia, Austrália e o Brasil destacam‐se nos jogos Paralímpicos, mas não nos jogos Olímpicos. Já França, Japão e Coreia do Sul destacam‐se nos jogos Olímpicos e não obtêm desempenho elevado nos jogos Paralímpicos. Além disso, o caso dos Estados Unidos, em virtude de seu alto potencial olímpico, chama a atenção e foi arrolado para ampliar esta discussão junto ao cenário do Brasil.

Quanto aos Estados Unidos, o esporte olímpico e o paradesporto são geridos por uma única instituição, a United States Olympic Committee (USOC), não há um comitê paralímpico autônomo. Segundo Brittain (2010), esse cenário e a diferença de tratamento destinado pelo USOC aos atletas paralímpicos, que recebem menos verbas de incentivo, justificam o desempenho inferior nos jogos Paralímpicos em relação ao dos jogos Olímpicos. Além disso, a difusão da prática do paradesporto em outros países e a consequente melhoria de desempenho em competições prejudicam os resultados dos Estados Unidos.

Esses fatores indicam uma menor atenção e certa desvalorização do país em relação aos jogos Paralímpicos. Já no caso do Brasil, há um comitê paralímpico autônomo e as verbas destinadas ao paradesporto são garantidas pela Lei n° 10.264 de 16 de julho de 2001, que prevê que 15% das arrecadações para o esporte sejam direcionadas ao comitê paraolímpico (Brasil, 2001). Nesse sentido, o Brasil tem investimento garantido e gestão independente no paradesporto, o que justifica seu desempenho historicamente superior nos jogos Paralímpicos.

A fim de atestar a hipótese de que os jogos Paralímpicos são desvalorizados em relação aos Olímpicos, foi efetuado o cálculo de contagem inversa dos escores, conforme descrito na seção de metodologia. O resultado, para os jogos Paralímpicos Rio‐2016, foi de 1.617 e para os jogos Olímpicos Rio‐2016, de 1.680.

Nesse sentido, tendo em vista o menor resultado dos jogos Paralímpicos, não é possível confirmar a hipótese de que os países de PIB mais elevado desvalorizam os jogos Paralímpicos. Além disso, o caso dos Estados Unidos e do Brasil, discutido anteriormente, indica que fatores como o investimento e o modelo de gestão dos comitês nacionais podem influenciar o desempenho nos jogos Paralímpicos.

Observa‐se ainda que seis países (China, Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha, Brasil e Ucrânia) entre os dez primeiros classificados nos jogos Paralímpicos figuram entre os 30 países mais populosos do mundo. Por outro lado, países como Índia, Indonésia, Paquistão, Nigéria e México, que figuram entre os dez países mais populosos do mundo, não apresentaram classificação elevada nos jogos Paralímpicos Rio‐2016.

Quanto ao PIB, verifica‐se que nove países (China, Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Alemanha, Holanda, Brasil, Itália e Polônia) entre os dez primeiros colocados figuram entre os 30 países com maior valor de PIB do mundo. Por outro lado Japão, França e Índia, que apresentam PIB entre os dez maiores do mundo, não ocuparam as dez primeiras colocações nos jogos Rio‐2016.

Para aprofundar a análise sob esse viés, a tabela 3 apresenta o “Quadro de medalhas de ouro per capita”. A classificação dos países é efetuada através da razão entre o número total de habitantes e o número de medalhas de ouro conquistadas nos jogos Paralímpicos. Como critérios de desempate usaram‐se a razão entre o número de habitantes e o número de medalhas de prata e, se persistisse a igualdade, a razão entre o número de habitantes e o número de medalhas de bronze.

Tabela 3.

Quadro de medalhas de ouro per capita dos jogos Paralímpicos Rio‐2016

Classificação  País  Classificação nos jogos Rio‐2016  Ouro  População  Habitantes por medalha de ouro 
1°  Inglaterra  2°  64  65.110.000  6.921 
2°  Ucrânia  3°  41  42.658.149  8.893 
3°  Austrália  5°  22  24.191.700  13.576 
4°  Holanda  7°  17  17.049.700  16.176 
5°  Nova Zelândia  13°  4.715.890  24.952 
6°  China  1°  107  1.378.820.000  53.917 
7°  Estados Unidos  4°  40  324.507.000  70.545 
8°  Alemanha  6°  18  81.770.900  79.699 
9°  Tunísia  21°  11.154.400  83.868 
10°  Cuba  18°  11.239.004  93.658 
13°  Polônia  10°  38.437.239  109.508 
16°  Itália  9°  10  31.575.300  127.320 
20°  Brasil  8°  14  206.673.000  205.033 

Verifica‐se que Inglaterra, Ucrânia, Austrália, Holanda, China, Estados Unidos e Alemanha mantiveram‐se nas dez primeiras colocações. A maior variação é apresentada pela China (de 1° para 6° lugar), algo natural considerando que se trata da maior população do mundo.

A pequena variação nas colocações exposta pela tabela 3 indica que o tamanho populacional parece não alterar em grande escala as colocações considerando o número de medalhas de ouro conquistadas e, portanto, não aparenta ser variável fundamental para a compreensão dos resultados dos jogos Paralímpicos.

Cabe destacar que, segundo Bian (2005), por aspectos culturais alguns países concentram um elevado número de praticantes em um esporte. Por conseguinte, esses países obtêm certa hegemonia em uma modalidade e aumentam suas chances de conquistar uma medalha. Nesse sentido, essa hegemonia torna‐se variável de confusão quando a classificação leva em consideração prioritariamente o número de medalhas de ouro conquistadas.

A tabela 4 apresenta o “Quadro de medalhas total per capita”, o qual efetua a classificação dos países considerando a razão entre o número total de habitantes e o número total de medalhas conquistadas nos jogos paraolímpicos Rio‐2016.

Tabela 4.

Quadro de medalhas total per capita dos jogos Paralímpicos Rio‐2016

Colocação  País  Classificação
Jogos Rio‐2016 
Total  População  Habitantes por medalha de ouro 
1°  Nova Zelândia  13°  21  4.715.890  224.566 
2°  Holanda  7°  62  17.049.700  274.995 
3°  Austrália  5°  81  24.191.700  298.663 
4°  Ucrânia  3°  117  42.658.149  364.600 
5°  Irlanda  28°  11  4.757.976  432.543 
6°  Inglaterra  2°  147  65.110.000  442.925 
7°  Trinidad e Tobago  56°  1.349.667  449.889 
8°  Namíbia  53°  2.324.388  464.878 
9°  Letônia  45°  1.958.800  489.700 
10°  Eslováquia  25°  11  5.426.252  493.296 
24°  Polônia  10°  39  38.437.239  985.570 
34°  Alemanha  6°  57  81.770.900  1.434.577 
39°  Itália  9°  39  60.665.551  1.555.527 
46°  Estados Unidos  4°  115  324.507.000  2.821.800 
48°  Brasil  8°  72  206.673.000  2.870.458 
60°  China  1°  239  1.378.820.000  5.769.121 
83°  Índia  43°  1.330.860.000  332.715.000 

Fonte: Adaptado de IPC (2016).

Nessa classificação, as alterações no posicionamento dos países ocorrem em grande escala. Apenas Holanda (de 7° para 2°), Austrália (de 5° para 3°), Ucrânia (de 3° para 4°) e Inglaterra (de 2° para 6°) mantiveram‐se nas dez primeiras colocações. Além disso, a Austrália melhora sua colocação em duas posições e a Holanda em cinco.

Diversos países do Top 10 da classificação divulgada pela mídia sofreram grande queda, tais como a China (1° para 60°), os Estados Unidos (de 4° para 46°), a Polônia (de 10° para 24°), a Alemanha (de 6° para 34°), a Itália (de 9° para 39°) e o Brasil (8° para 48°).

Por outro lado, a Nova Zelândia (de 13° para 1°) obteve destaque nessa classificação, ocupou a liderança. Isso indica que o país, mesmo com uma população pequena, conquistou um número de medalhas expressivo. O cenário se reproduz nos casos da Holanda (de 7° para 2°) e Austrália (de 5° para 3°) e também da Ucrânia (de 3° para 4°), que oscilou negativamente na classificação, mas permaneceu entre as primeiras colocações.

Cabe destacar que, como mencionado anteriormente, os países não divulgam sua população de pessoas com deficiência, o que prejudica essa análise. Entretanto, parte‐se do pressuposto de que, em termos percentuais em relação à população total, há pouca variação.

A tabela 5 apresenta o “Quadro de medalhas de ouro por faturamento” que, em seu critério de classificação, considera a razão entre o PIB nominal e o número de medalhas de ouro.

Tabela 5.

Quadro de medalhas de ouro por faturamento dos jogos Paralímpicos Rio‐2016

Colocação  País  Classificação
Jogos Rio‐2016 
Ouro  PIB  Faturamento por medalha de ouro 
1°  Ucrânia  3°  41  90.615  2.210 
2°  Tunísia  21°  43.015  6.145 
3°  Bielorrúsia  19°  54.609  6.826 
4°  Uzbequistão  16°  66.733  8.342 
5°  Cuba  18°  82.775  10.347 
6°  Sérvia  31°  36.513  12.171 
7°  Namíbia  53°  12.995  12.995 
8°  Letônia  45°  27.035  13.518 
9°  Geórgia  60°  16.530  16.530 
10°  Eslováquia  25°  86.582  17.316 
21°  Holanda  7°  17  752.547  44.267 
22°  Inglaterra  2°  64  2.848.755  44.512 
25°  Polônia  10°  474.783  52.754 
30°  Austrália  5°  22  1.339.539  60.888 
35°  China  1°  107  10.866.444  101.556 
39°  Brasil  8°  14  1.774.725  126.766 
45°  Itália  9°  10  1.814.763  181.476 
49°  Alemanha  6°  18  3.355.772  186.432 
60°  Estados Unidos  4°  40  17.946.996  448.675 

Fonte: Adaptado de IPC (2016).

Nota‐se que em relação ao quadro de medalhas divulgado pela mídia, apenas a Ucrânia (de 3° para 1°) manteve classificação entre os dez primeiros colocados, o que conduz ao entendimento que o país, mesmo dispondo de população pequena e faturamento limitado, conquistou um número de medalhas de ouro elevado.

Na sequência, Holanda (de 7° para 21°), Inglaterra (de 2° para 22°), Polônia (de 10° para 25°) e Austrália (5° para 30°). A China ocupa apenas o 35° lugar e os Estados Unidos o 60°, o que reforça a tese de que o desempenho é demasiadamente associado à disposição de recursos humanos e financeiros, destinados para o desempenho esportivo como forma de promoção do regime (Brittain, 2006; Brittain, 2010).

A tabela 6 apresenta o “Quadro de medalhas total pelo faturamento”, que classifica os países considerando a razão entre o PIB nominal e o número total de medalhas.

Tabela 6.

Quadro total de medalhas pelo faturamento dos jogos Paralímpicos Rio‐2016

Colocação  País  Classificação
Jogos Rio‐2016 
Total  PIB  Faturamento por medalha 
1°  Ucrânia  3°  117  90.615  774 
2°  Cabo Verde  76°  1.871  1.871 
3°  Uzbequistão  16°  31  66.733  2.153 
4°  Tunísia  21°  19  43.015  2.264 
5°  Namíbia  53°  12.995  2.599 
6°  Sérvia  31°  36.513  4.057 
7°  Azerbaijão  48°  11  53.047  4.822 
8°  Bielorrússia  19°  10  54.609  5.461 
9°  Cuba  18°  15  82.775  5.518 
10°  Mongólia  75°  12.016  6.008 
19°  Holanda  7°  62  752.547  12.138 
20°  Polônia  10°  39  474.783  12.174 
27°  Austrália  5°  81  1.339.539  16.538 
28°  Colômbia  37°  17  292.080  17.181 
32°  Inglaterra  2°  147  2.848.755  19.379 
36°  Brasil  8°  72  1.774.725  24.649 
49°  China  1°  239  10.866.444  45.466 
50°  Itália  9°  39  1.814.763  46.532 
59°  Alemanha  6°  57  3.355.772  58.873 
75°  Estados Unidos  4°  115  1.7946.996  156.061 

Fonte: Adaptado de IPC (2016).

Verifica‐se que, em relação ao quadro de medalhas divulgado pela mídia, novamente, apenas a Ucrânia – e mais uma vez no topo da lista – mantém‐se entre os dez primeiros colocados. Isso reforça os resultados anteriores em relação seu bom desempenho nos jogos Paralímpicos do país. Além disso, o Uzbequistão (3° ‐ 31 medalhas) e a Tunísia (4° ‐ 19 medalhas) figuraram nas primeiras colocações, conquistaram diversas medalhas mesmo com um menor faturamento.

Os resultados expostos pelo presente estudo indicam que as primeiras colocações do quadro de medalhas divulgado pela mídia tendem a ser ocupadas por países com alto faturamento. Logo, quando se relativiza o faturamento pelo número de medalhas de ouro, há uma alteração nesse cenário em medida superior ao que ocorreu no quadro de medalhas de ouro per capita. Com efeito, pode‐se pressupor que o potencial econômico está mais ligado ao sucesso nos jogos Paralímpicos do que o tamanho populacional.

Para testar a distribuição dos dados das variáveis (i) número de medalhas de ouro conquistadas, (ii) número total de medalhas de medalhas conquistadas, (iii) PIB e (iv) tamanho populacional, foi aplicado o teste de Kolmogorov‐Smirnov. O teste demonstrou uma distribuição não normal dos dados (p <0,001). Em função da constatação, foi feito o cálculo de correlação de Spearman entre tais variáveis (tabela 7).

Tabela 7.

Correlação de Spearman entre as variáveis número de medalhas ouro conquistadas, número total de medalhas conquistadas, tamanho populacional e PIB

  Número de medalhas de ouro conquistadas  Número total de medalhas conquistadas 
Número de medalhas de ouro conquistadas     
Número total de medalhas conquistadas  0,857   
PIB  0,529  0,566 
Tamanho populacional  0,556  0,396 

Todas as correlações significativas para p<0,01.

Fonte: Autoria própria (2016).

Nota‐se, com base na literatura de Dancey e Reidy (2006), correlação forte entre número de medalhas de ouro e total de medalhas conquistadas (0,857) e correlação moderada entre as variáveis PIB e número de medalhas de ouro conquistadas (0,529), PIB e total de medalhas conquistadas (0,566). Assim, é possível inferir que: a) O PIB é um fator importante na conquista de medalhas de ouro, tal qual no número total de medalhas; b) Os países que conquistam o maior número de medalhas de ouro tendem a conquistar mais medalhas como um todo.

Nota‐se, ainda, a existência de correlação moderada entre o número de medalhas de ouro e o tamanho populacional (0,556) e de correlação fraca entre o número total de medalhas conquistadas e o tamanho populacional (0,396). Nesse sentido, o tamanho populacional parece estar mais relacionado com o número de medalhas de ouro conquistadas do que com o número total de medalhas.

O tamanho populacional, ainda que se relacione com o desempenho nos jogos olímpicos, não é considerado o melhor indicador para explicar o número de medalhas (Bernard & Busse, 2004). Além disso, Rathke e Woitek (2008) afirmam que o tamanho populacional eleva o número de medalhas em nações com um bom desenvolvimento econômico. Alicerçado nos resultados expostos na tabela 7, infere‐se que esses resultados, atrelados aos jogos Olímpicos demonstram‐se cabíveis na discussão dos jogos Paralímpicos, auxiliam na reflexão do por que países com população relativamente pequena, como Inglaterra e Holanda, obtêm um número elevado de medalhas.

Nos resultados dos jogos Paralímpicos foram identificados países que não figuram entre os 30 países de maior faturamento entre os dez primeiros colocados (Ucrânia e Grécia). Isso, somado à existência de correlações moderadas entre as variáveis PIB e o tamanho populacional com o número de medalhas de ouro e número total de medalhas indica, preliminarmente, que outros fatores indicados por Brittain (2010), como a estrutura política e o investimento no paradesporto, também influenciam o desempenho nos jogos Paralímpicos.

Diversos autores afirmam que o potencial econômico (PIB) e o tamanho populacional contribuem para o sucesso esportivo de uma nação (Dos Santos, Da Costa & Da Silva, 2012; Bernard & Busse, 2004; Bian, 2005; Luiz & Fadal, 2011). Os resultados do presente estudo reforçam que a tendência exposta pela literatura em relação aos jogos Olímpicos tende a se reproduzir nos jogos Paralímpicos, especialmente em se tratando da influência do potencial econômico no desempenho no megaevento.

Considerações finais

As metodologias de classificação dos jogos Paralímpicos abordadas no presente estudo tornam nítida a existência de um bom desempenho da Ucrânia, que se manteve entre os dez primeiros colocados em todas as variações de classificação feitas. Nesse sentido, a identificação dos fatores que elevam o desempenho da Ucrânia se configura uma possibilidade para estudos futuros.

Tendo em vista que as alterações no quadro de medalhas foram acentuadas nas classificações que consideram o faturamento dos países e não se alteraram em grande medida na classificação de medalhas de ouro per capita, verifica‐se a tendência de que o desempenho nos jogos Paralímpicos esteja mais relacionado com o poder econômico em vez do tamanho populacional. Essa premissa foi reforçada nos cálculos de correlação de Spearman feitos entre as variáveis arroladas na discussão.

Em relação ao Brasil, fica evidenciado que, mesmo conquistando nos jogos Rio‐2016 o maior número de medalhas da história nos jogos Paralímpicos, esse apresenta elevado potencial de melhoria, tendo em vista seu tamanho populacional e faturamento. Almeida e Marchi Junior (2011) fazem uma colocação pertinente ao afirmar que para os resultados atingirem níveis ainda melhores, há a necessidade de uma discussão sobre as métricas do repasse de verba ao esporte, a fim de oportunizar o desenvolvimento de modalidades com menor incentivo financeiro.

Cabe ponderar que os países não publicam por meio de fontes oficiais sua população com deficiência, o que induz a análises relacionadas ao tamanho populacional considerando a população total, uma limitação no presente estudo.

O fato de o CPI promover em seu site a difusão do quadro de medalhas divulgado pela mídia conduz ao entendimento de que esse é tido como oficial nos jogos Paralímpicos, ao contrário do que ocorre nos jogos Olímpicos, o que é algo controverso e incoerente.

Por fim, ressalta‐se que as variáveis tamanho populacional e PIB, algo “que os olhos não veem” em um espetáculo esportivo, mostram‐se relevantes para a compreensão de seus resultados, bem como do produto que a indústria do entretenimento vende de um megaevento como os jogos Paralímpicos, a emoção, a colocação de uma medalha no peito de um campeão, algo que “o coração sente”. Assim, apesar das limitações do estudo, pode‐se inferir que o número de habitantes e o PIB são variáveis intervenientes fundamentais para, num espectro mais amplo, compreender não somente os jogos Paralímpicos, mas qualquer outro megaevento esportivo.

Financiamento

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse

Referências
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NOTICE Undefined index: identificador (includes_ws_v2/librerias/html/item.php[1194])

Produto Interno Bruto (PIB) é um indicador econômico, mensurado em unidades monetárias, que se conforma com a soma de todos os bens e serviços finais que são produzidos pela economia de um país em um determinado período de tempo (Oliveira, 2002). No contexto deste artigo, faturamento refere‐se à quantidade monetária que o país fatura em virtude da sua produção interna.

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