Información de la revista
Vol. 40. Núm. 3.Julio - Septiembre 2018
Páginas 213-336
Compartir
Compartir
Descargar PDF
Más opciones de artículo
Vol. 40. Núm. 3.Julio - Septiembre 2018
Páginas 213-336
Editorial
DOI: 10.1016/j.rbce.2018.07.001
Open Access
Publicar em inglês ou perecer: a esfinge da internacionalização
Publicar en inglés o perecer: la esfinge de la internacionalización
Publish in English or perish: the sphinx of internationalization
Visitas
412
Fernando Mascarenhasa,
Autor para correspondencia
fernando.masca@outlook.com

Autor para correspondência.
, Ari Lazzarotti Filhob, Lauro Casqueiro Viannac
a Universidade de Brasília, Faculdade de Educação Física, Brasília, DF, Brasil
b Universidade Federal de Goiás, Faculdade de Educação Física e Dança, Goiás, GO, Brasil
c Universidade de Brasília, Faculdade de Educação Física, Brasília, DF, Brasil
Este artículo ha recibido
412
Visitas

Under a Creative Commons license
Información del artículo
Texto Completo
Bibliografía
Descargar PDF
Estadísticas
Texto Completo

A RBCE é o periódico científico mais longevo da educação física brasileira, contribui initerruptamente há quatro décadas para o desenvolvimento da área. Sua história tem se construído a partir de uma produção que envolve diferentes temas, objetos, concepções, abordagens e problematizações (Almeida et al., 2015; Hallal e Melo, 2016). Partindo do pressuposto de que a área da educação física é composta por especificidades da subárea da biodinâmica, orientada pelas ciências da saúde e biológicas, e da subárea sociocultural e pedagógica, orientada pelas ciências humanas e sociais (Manoel e Carvalho, 2011), buscamos fazer com que sua política editorial contemple e expresse tal realidade.

Ao observar os demais periódicos da área, podemos dizer que a singularidade da RBCE se define, em grande medida, por seu caráter interdisciplinar. Ainda que formalmente vinculada à saúde, estabelece interlocução com distintas grandes áreas – biológicas, humanas, sociais aplicadas, linguística, letras e artes.

Mas daí decorre um dilema: publicar em inglês ou perecer, esse é o enigma que atualmente nos desafia. A RBCE ainda não incorporou práticas que, segundo os indexadores, as agências de fomento e os órgãos de avaliação, favorecem sua inserção no fluxo internacional da comunicação científica. Encontramo‐nos, por exemplo, com dificuldades para nos manter na Coleção SciELO Brasil, tendo em vista os valores de referência usados na avaliação da internacionalização dos periódicos constantes de sua base, em especial daqueles vinculados à grande área da saúde.

Para se ter uma ideia, os principais indicadores do SciELO para se avaliar o nível de avanço da internacionalização de um periódico são o percentual de artigos publicados no idioma inglês, com o percentual mínimo de 80% para a grande área da saúde e 25% para as humanas e sociais aplicadas, e o percentual de artigos de autores com afiliação estrangeira, mínimo de 25% para a saúde e 20% para as humanas e sociais aplicadas (SciELO, 2014). Estamos longe dessa meta. De 2014 a 2017, a RBCE publicou no SciELO 254 artigos, 9% no idioma inglês e 15% com ao menos um autor com afiliação estrangeira.

Por ouro lado, tomando como referência o Journal Scholar Metrics, um produto do EC3 Research Group da Universidade de Granada, Espanha, é possível identificar os seguintes indicadores da RBCE: H5‐Index 10; H5‐Median 14; H‐Citations 160. Esses indicadores nos colocam em uma posição bastante favorável no cenário mundial da categoria Sports Science. Especificamente, somos o periódico número 104 de um universo de 200. No cenário sul‐americano, somos o 4° periódico com maior impacto na área (Journal Scholar Metrics, 2018). Nesse sentido, conservar a língua portuguesa e, também, a espanhola como meio de comunicação com os leitores nativos e com o vasto e importante mundo lusófono e hispânico reforça as singularidades das redes de comunicação a que a RBCE está atrelada.

Não se nega aqui a necessidade de se garantir aos pares estrangeiros o acesso à produção brasileira, tampouco o reconhecimento do inglês como o “latim” da ciência de hoje. Entretanto, a linguagem se associa a um estilo de expressão. Para as ciências humanas e sociais conta a qualidade literária de seus artigos, sua extensão, a teia inevitável de referências e citações, enquanto para as ciências da saúde e biológicas é importante que os artigos tenham linguagem e forma expositiva mais concisas e homogêneas (Benchimol et al., 2014). A ideia de conhecimento universal que é consensual nas ciências da saúde e biológicas dá suporte para um modo de comunicação específico. Todavia, essa mesma ideia está longe de ser consensual nas ciências humanas e sociais, se considerarmos que todo conhecimento é produzido a partir de um meio social e histórico particular e local. (Fórum de Pesquisadores das Subáreas Sociocultural e Pedagógica, s.d.)

Não por acaso, a análise dos periódicos da educação física brasileira e do modus operandi de suas veiculações revela o quão se distanciam a subárea sociocultural e pedagógica e a subárea da biodinâmica. A tônica é a da dicotomia, o idioma ocupa um lugar preponderante entre outros indicadores de diferenciação – coautoria, documentos referenciados, palavras‐chaves, citações, impacto etc. (Lazzarotti Filho et al., 2012).

É preciso refletir, portanto, se toda a produção da educação física, como área interdisciplinar e plena de diversidades, deve ser veiculada sob uma mesma lógica e numa única língua, a inglesa. Concordamos com o argumento de que a difusão de conhecimentos por meio de língua inglesa constitui um imperativo para as ciências da saúde e biológicas, mas que pode e deve ser uma opção para os pesquisadores das ciências sociais e humanas, a depender do contexto do qual emerge sua produção e da comunidade que elegem para dialogar (Fórum de Pesquisadores das Subáreas Sociocultural e Pedagógica, s.d.). Não se trata de uma posição contrária à internacionalização nem à publicação em língua inglesa, mas de reconhecer a diversidade da área e as especificidades das ciências no que tange à publicação em outra língua. O que fica evidente para nós é que existem diferenças na forma de produção de conhecimento em educação física e que não podemos usar uma mesma regra ou métrica para avaliar realidades e processos distintos.

Depois de 10 anos, o CBCE renovou o Comitê Editorial responsável pela RBCE. Nosso compromisso a assumir tal desafio, superado o momento inicial de conhecer o complexo que influencia e age sobre a Revista, era justamente o de avaliar, planejar e implantar inovações no sentido de qualificar ainda mais a RBCE, em especial com o impulso à sua internacionalização (Mascarenhas et al., 2018). Nesse sentido, provocados pelo SciELO a apresentar um Plano de Desenvolvimento Editorial da RBCE para o quadriênio 2018‐2021, debruçamo‐nos sobre o dilema de publicar em inglês ou perecer.

A partir do pressuposto de que regras diferentes devem ser usadas para avaliar realidades distintas e de que a subárea sociocultural e pedagógica e a subárea da biodinâmica reproduzem a lógica interna de suas grandes áreas de origem, anunciamos que a partir do volume 41 a RBCE contará com duas secções, uma destinada a cada subárea da educação física, com diretrizes próprias. A principal diferença diz respeito, justamente, ao uso da língua. Isso quer dizer que as “Diretrizes para os autores” da Revista estão sendo revisadas. Os artigos submetidos da subárea da biodinâmica deverão obrigatoriamente ser escritos em língua inglesa. Para a seção de artigos originais da subárea sociocultural e pedagógica, continuaremos a aceitar submissões em português, espanhol ou inglês.

Quanto a este número da RBCE, são 15 artigos que mais uma vez endossam o caráter interdisciplinar da Revista. A partir de diferentes concepções, abordagens e problematizações, tratam de temas como currículo, pós‐graduação, formação profissional, educação infantil, lutas, ginástica, escola, corpo, história, pedagogia do esporte, treinamento esportivo, exercício, aptidão física, alimentação e nutrição etc.

Boa leitura!

Brasília, julho de 2018.

Referências
[Almeida et al., 2015]
F.Q. Almeida,J.J. Bassani,A.F. Vaz
Vicissitudes de uma história da RBCE: 35 anos de editoração científica (1979 2013)
Motivivência, 26 (2015), pp. 135-153
[Benchimol et al., 2014]
J.L. Benchimol,R.C. Cerqueira,C. Papi
Desafios aos editores da área de humanidades no periodismo científico e nas redes sociais: reflexões e experiências
Educ Pesqui, 40 (2014), pp. 347-364
[Fórum de Pesquisadores das Subáreas Sociocultural e Pedagógica, s.d.]
Fórum de Pesquisadores das Subáreas Sociocultural e Pedagógica. Cenários de um descompasso da pós‐graduação em educação física e demandas encaminhadas à CAPES. Disponível em: http://www.cbce.org.br/upload/files/CENÁRIOS%20DE%20UM%20DESCOMPASSO%20DA%20PÓS‐GRADUAÇÃO%20EM%20EDUCAÇÃO%20FÍSICA%20E%20DEMANDAS%20ENCAMINHADAS%20À%20CAPES.pdf.(acesso em 15/7/2018).
[Hallal e Melo, 2016]
P.C. Hallal,V.A. Melo
Crescendo e enfraquecendo: um olhar sobre os rumos da educação física no Brasil
Rev Bras Ciênc Esporte, 39 (2016), pp. 217-328
[Journal Scholar Metrics, 2018a]
Journal Scholar Metrics. Sports Science. Disponível em: http://www.journal‐scholar‐metrics.infoec3.es/layout.php?id=rank⊂ject=sport_sciences.(acesso em 15/7/2018).
[Lazzarotti Filho et al., 2012]
A. Lazzarotti Filho,A.C. Silva,J.V. Nascimento,F. Mascarenhas
Modus operandi da produção científica da educação física: uma análise das revistas e suas veiculações
Ver Educ Fis/UEM, 23 (2012), pp. 1-14
[Manoel e Carvalho, 2011]
E.J. Manoel,Y.M. Carvalho
Pós‐graduação na educação física brasileira: a atração (fatal) para a biodinâmica
Educ Pesqui, 37 (2011), pp. 389-406
[Mascarenhas et al., 2018]
F. Mascarenhas,A. Lazzarotti Filho,L.C. Vianna
Revista Brasileira de Ciências do Esporte tem novo comitê editorial
Rev Bras Ciênc Esporte, 40 (2018), pp. 109-110
[SciELO, 2014]
SciELO (Scientific Electronic Library Online) Critérios, política e procedimentos para a admissão e a permanência de periódicos científicos na Coleção SciELO Brasil. Disponível em: http://www.scielo.br/avaliacao/20141003NovosCriterios_SciELO_Brasil.pdf.(acesso em 15/7/2018).
[Journal Scholar Metrics, 2018b]
Journal Scholar Metrics. Sports Science. Disponível em: http://www.journal‐scholar‐metrics.infoec3.es/layout.php?id=rank⊂ject=sport_sciences.(acesso em 15/7/2018).
Idiomas
Revista Brasileira de Ciências do Esporte

Suscríbase al Newsletter

Opciones de artículo
Herramientas
es en pt
Política de cookies Cookies policy Política de cookies
Utilizamos cookies propias y de terceros para mejorar nuestros servicios y mostrarle publicidad relacionada con sus preferencias mediante el análisis de sus hábitos de navegación. Si continua navegando, consideramos que acepta su uso. Puede cambiar la configuración u obtener más información aquí. To improve our services and products, we use "cookies" (own or third parties authorized) to show advertising related to client preferences through the analyses of navigation customer behavior. Continuing navigation will be considered as acceptance of this use. You can change the settings or obtain more information by clicking here. Utilizamos cookies próprios e de terceiros para melhorar nossos serviços e mostrar publicidade relacionada às suas preferências, analisando seus hábitos de navegação. Se continuar a navegar, consideramos que aceita o seu uso. Você pode alterar a configuração ou obter mais informações aqui.