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Vol. 41. Núm. 2.
Páginas 229-230 (Abril - Junio 2019)
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Vol. 41. Núm. 2.
Páginas 229-230 (Abril - Junio 2019)
Resenha
DOI: 10.1016/j.rbce.2018.05.002
Open Access
Resenha de Routledge Handbook of Physical Cultural Studies
Review of Routledge Handbook of Physical Cultural Studies
Reseña de Routledge Handbook of Physical Cultural Studies
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Larissa Michelle Laraa,
Autor para correspondencia
laramlara@hotmail.com

Autor para correspondência.
, Carlos Herold Juniora, Antonio Carlos Monteiro de Mirandab, Vânia de Fátima Matias de Souzab
a Universidade Estadual de Maringá, Programa de Pós‐Graduação Associado em Educação Física (UEM‐UEL), Maringá, PR, Brasil
b Universidade Estadual de Maringá, Programa de Pós‐Graduação em Educação, Maringá, PR, Brasil
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Routledge Handbook of Physical Cultural Studies é uma coletânea organizada por Michael Silk (Universidade de Bournemouth, Inglaterra), David Andrews (Universidade de Maryland, Estados Unidos) e Holly Thorpe (Universidade de Waikato, Nova Zelândia). Publicada em 2017, a obra contém 610 páginas escritas em língua inglesa por 89 pesquisadores, as quais são sistematizadas em nove seções, 58 capítulos e um posfácio. O objetivo dos organizadores com essa publicação é apresentar o estado da arte do campo de estudos conhecido por Physical Cultural Studies (PCS) de modo a favorecer o acesso da comunidade acadêmica a recentes pesquisas e abordagens metodológicas. Além disso, a coletânea intenciona dar visibilidade a esse projeto a partir da cultura física e das problematizações levantadas por pesquisadores em diferentes países, seja daqueles com experiência acadêmica voltada ao PCS (nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Austrália, no Canadá e na Nova Zelândia), seja daqueles ainda neófitos nesse campo, embora desejosos de contribuir com o debate (em países como Suécia, Japão, China, Itália e Brasil).

O PCS desenvolve‐se como desdobramento dos estudos culturais surgidos na Inglaterra no período pós‐guerra e das lutas disciplinares nos departamentos de cinesiologia ocorridas nas últimas décadas, nos Estados Unidos. As bases do PCS, lançadas há mais de 20 anos, não contêm histórias ou trajetórias disciplinares fixas; pelo contrário, elas apresentam tradições empíricas, teóricas ou metodológicas diversas. Há, portanto, o reconhecimento da pluralidade de abordagens existentes no PCS, o que nos leva a caracterizar seu campo por tensões, debates, políticas e posições teórico‐metodológicas peculiares. Dele, deflagra‐se a preocupação com a cultura física, entendida como um conceito mais abrangente do que o de esporte ao agregar práticas e temáticas variadas (jogos, lutas, danças, atividade física, lazer, entre outras) em sua dimensão contextual, bem como ao considerar suas relações de poder e sua diversidade étnica, social, geracional, de classe, de gênero e de deficiência. Em suma, a obra apresenta um compreensivo panorama do estado do conhecimento em cultura física a partir do campo teórico e de intervenção que o subsidia.

Inicialmente (seção I), são abordados dados históricos acerca do surgimento do PCS, assim como são problematizados seus fundamentos a partir da cultura física em suas relações de poder, teoria e reflexividade, interdisciplinaridade e transdisciplinaridade, feminismo, políticas e práxis. Na sequência (seção II), a cultura física é debatida a partir de inúmeras práticas que agregam o lazer, a dança, o movimento humano, a saúde, o estilo de vida esportivo e o esporte de alto rendimento, cujos enfoques tocam terapias, contextos espaciais e relacionais, bem como a preocupação de ampliar a consciência crítica acerca dessas práticas.

O trato do corpo a partir de sua subjetividade (classe, etnia, gênero, deficiência, sexualidade, geração e idade), de sua institucionalização (cientificizado e medicalizado, religioso, estético, obeso, espetacularizado, erotizado e punido) e de suas experiências (dor, risco, feminilidade, prazer, gravidez e tecnologia) é feito diretamente nas seções III, IV e V. Em muitos capítulos dessas seções verifica‐se que o campo teórico aberto pelo PCS sustenta‐se no compromisso de seus proponentes para com o acesso democrático à cultura física. Assim, assume‐se como relevante o respeito à diversidade de corpos em suas práticas, significados e representações. O corpo esportivo (negro, feminino, de classe social desfavorecida, deficiente, idoso) é densamente abordado e caracteriza‐se com explícita adesão às lutas biopolíticas na construção de formas igualitárias de acesso à cultura física.

Nas demais seções (VI a IX), o PCS é tematizado a partir da relação da cultura física com espaços, contextos, políticas, práxis e abordagens metodológicas. São debatidas problemáticas relacionadas a paisagens naturais e sensoriais, esporte e meio ambiente, espaços urbanos, espaços de exercício/fitness e migração (seção VI). Temas como dicotomia corpo e mente, relação entre comunidades e cultura física, educação física, políticas e imperativos de saúde em escolas, esporte e desenvolvimento internacional, legados de megaeventos e tecnologias de mídia compõem a seção VII. “Contingências Metodológicas” (seção VIII) apresenta análises discursivas críticas, etnografias, autoetnografias, narrativas, representação poética, metodologias digitais, visuais e sensoriais. “Política e Práxis” (seção IX) mostra o PCS a partir das pedagogias públicas, do papel do currículo como práxis e intervenção na realidade, do esporte como desenvolvimento e mudança social, da reponsabilidade social corporativa e das orientações metodológicas, políticas, tecnológicas e de embodiment. Por fim, o posfácio contribui com reflexões acerca da constituição do PCS como um projeto inacabado, de interrogação crítica e em constante movimento.

Ao discutir como poderiam ser desenhadas as bases epistemológicas, ontológicas e metodológicas do PCS, os pesquisadores revelam temas e abordagens distintos, ao mesmo tempo em que expõem as dificuldades de se pensar num caminho de orientação comum. Apesar disso, conjugam esforços para balizar o que seria o PCS de modo a não desrespeitar suas formas itinerantes. O diálogo com literatura bastante diversa inclui, notadamente, referenciais vinculados ao pós‐estruturalismo, à sociologia/antropologia do corpo, à sociologia do esporte, aos estudos culturais, às teorias de gênero e etnia, aos estudos urbanos, aos estudos de mídia e aos estudos de atividade física e saúde.

Há de se ressaltar que a coletânea não advoga uma adesão plena ao PCS, mas apresenta, também, preocupações ou críticas acerca do papel que o corpo assume no estudo da cultura física. Dito de modo específico, embora o corpo tenha papel central nesse projeto, ele não é diretamente abordado em alguns capítulos, especialmente naqueles que questionam o antropocentrismo do PCS e sugerem a necessidade de revisões a partir dos não humanos (como meio ambiente e tecnologias). Outro exemplo está no reconhecimento, por alguns dos autores, de práticas de cultura física ainda vistas como marginais no PCS e na compreensão de que esse campo de estudos ainda não se coloca em condições de enfrentar os desafios da universidade neoliberal, sobretudo porque não extrapola sua intervenção para além da própria academia.

O PCS compromete‐se com a produção de conhecimento que leve os diferentes sujeitos a discernirem e a transformarem as estruturas e as relações de poder nas quais são enredados. Assim, não restam dúvidas do enfoque qualificado dado à cultura física nessa obra e de seu chamado a um engajamento coletivo que possa contribuir com intervenções apropriadas em diferentes realidades sociais. A nosso ver, a coletânea apresenta‐se como um conjunto de conhecimentos que vem se somar às lutas das subáreas sociocultural e pedagógica na educação física brasileira em prol do acesso justo e democrático às práticas do corpo, sejam elas nominadas cultura corporal, cultura corporal de movimento, cultura de movimento humano ou cultura física. Nessa direção, avaliamos que a obra é indicada a todos aqueles que se interessam pela abordagem da cultura física a partir da interlocução com as ciências humanas e sociais, algo que, sabidamente, acontece em diferentes âmbitos acadêmicos e profissionais da educação física no Brasil.

Financiamento

O presente trabalho é um desdobramento dos estudos desenvolvidos pela primeira autora em seu Estágio Pós‐doutoral Sênior junto à Universidade de Bath, no Reino Unido, com financiamento da CAPES.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Idiomas
Revista Brasileira de Ciências do Esporte

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