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Vol. 38. Núm. 1.Janeiro - Março 2016
Páginas 1-104
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Vol. 38. Núm. 1.Janeiro - Março 2016
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Artigo original
DOI: 10.1016/j.rbce.2015.10.017
Open Access
A percepção de competências dos gestores desportivos em função da experiência profissional
Sport manager competences perceptions according to the professional experience
Percepción de competencias de los gestores deportivos en función de la experiencia profesional
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Paula Maria Batista
Autor para correspondência
pbatista@fade.up.pt

Autor para correspondência.
, Bárbara Joaquim, Maria José Carvalho
Centro de Investigação, Formação, Intervenção e Inovação em Desporto, Faculdade de Desporto, Universidade do Porto, Porto, Portugal
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Tabelas (9)
Tabela 1. Caracterização da amostra em função da experiência na área da gestão desportiva
Tabela 2. Importância e tempo despendido em cada uma das dimensões de funções/competência
Tabela 3. Efeito entre a experiência e importância atribuída às diferentes dimensões/competências
Tabela 4. Comparações múltiplas: atribuição de importância às funções de lecionação/docência consoante os anos na organização
Tabela 5. Comparações múltiplas: Autopercepção da importância das funções de lecionação/docência consoante os anos na função
Tabela 6. Efeito entre a experiência profissional e a percepção do tempo despendido nas diferentes dimensões de competências/funções
Tabela 7. Comparações múltiplas: Autopercepção do tempo despendido nas funções de lecionação/docência consoante os anos na organização
Tabela 8. Comparações múltiplas: Autopercepção do tempo despendido nas funções de lecionação/docência consoante os anos na função
Tabela 9. Correlação entre a importância atribuída a cada dimensão e a percepção do tempo despendido na realização das diferentes funções
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Resumo

Este estudo teve como propósito identificar se a experiência profissional influencia o modo como os gestores municipais valorizam as suas funções e a percepção de tempo que nelas despendem. Os participantes foram 50 gestores que preencheram um questionário. Os procedimentos de análise usados foram as medidas descritivas básicas, a análise multivariada para variáveis dependentes e o coeficiente de correlação de Pearson. Os resultados indicaram uma interação significativa dos fatores anos na função e na organização na valorização das funções e percepção de tempo despendido no seu exercício. O fator experiência revelou influenciar de forma significativa o nível da percepção da importância na dimensão lecionação/docência e do tempo despendido nas dimensões lecionação/docência e marketing.

Palavras‐chave:
Percepção de competências
Gestor desportivo
Experiência profissional
Perfil de competências
Abstract

The purpose of this study was to examine if the professional experience influences the way that municipal sport managers’ value their roles and their perception of time spent in work tasks. Fifty managers filled a questionnaire. In data analysis it was used basic descriptive measures, multivariate analysis for dependent variables and Pearson's correlation. The results showed a significant interaction between the two factors: professional experience and years in the organization on the valuation of the roles and on the perception of the time spent to perform the work tasks. The experience reveals to be significant at the level of perception of importance in dimension teaching/lecturing and time allocated on the dimensions teaching/lecturing and marketing.

Keywords:
Competences perception
Sport manager
Professional experience
Competences profile
Resumen

El propósito de este estudio fue determinar si la experiencia profesional influye en la valoración que los gestores deportivos municipales atribuyen a sus funciones y la percepción del tiempo dedicado a ellas. Un total de 50 participantes llenaron un cuestionario. Los procedimientos de análisis fueron medidas descriptivas básicas, análisis multivariado para variables dependientes y el coeficiente de correlación de Pearson. Los resultados indicaron una interacción significativa de los dos factores: experiencia profesional y años en la organización en la valoración de las funciones y tiempo dedicado a ellas. La experiencia reveló ser significativa en la percepción de la importancia de la dimensión de enseñanza/docencia y en el tiempo dedicado a la enseñanza/docencia y marketing.

Palabras clave:
Percepción de competencias
Gestores deportivos
Experiencia profesional
Perfil de competencias
Texto Completo
Introdução

Nos dias de hoje, em Portugal, as atribuições e competências legais delegadas aos municípios estão associadas à satisfação das necessidades das comunidades locais em diversos domínios sociais. De entre as funções referenciadas, Carvalho (2003, 2009) e Januário (2010) identificam o desporto como uma das que figuram, de forma inequívoca, nessas atribuições. É nesse contexto que os municípios, ao integrarem na sua lei orgânica serviços municipais de desporto, se deparam com novas necessidades no nível dos recursos humanos. Esses recursos, segundo Saldanha (2006, p. 47), visam a dar resposta ao lema “promover de forma geral a atividade física e o desporto no âmbito municipal”. De acordo com essa perspectiva, o gestor municipal, designadamente o denominado técnico superior de desporto, é responsável pelo desempenho de um conjunto de funções que permitem desenvolver uma política desportiva municipal baseada em programas, equipamentos, instalações e agentes desportivos de qualidade, de modo responder às exigências crescentes do setor. Acresce que o desempenho da função exige que o técnico superior de desporto seja detentor de um conjunto de requisitos que lhe permitam desenvolver com competência as tarefas que lhe estão adstritas. Com base no normativo que identifica o conteúdo funcional desse gestor, Lei n.° 12‐A/2008, de 27 de fevereiro, mais especificamente o seu artigo 43.°, evidenciam‐se como principais funções: consultivas, de estudo, planejamento, programação, avaliação e aplicação de métodos e processos de natureza técnica e/ou científica que fundamentam e preparam a decisão, para além das de representação do órgão ou serviço em assuntos da sua especialidade.

Ao avançarmos pelas questões da competência, um aspeto que é colocado em evidência por alguns autores (Velve, 2000; Sandberg, 1994) é que a experiência é um requisito imprescindível para que a expressão de um conjunto de habilidades possa emergir. Contudo, também é unanimemente aceito que só a experiência refletida poderá resultar numa melhoria da competência, pois o simples acumular de anos numa função não é garantia de alteração no sentido positivo (Schön, 1983, 1987).

Nessa linha de pensamento, e uma vez que as investigações em torno das competências do técnico superior de desporto dos municípios raramente realçam a experiência profissional, porquanto tendem a centrar‐se na vulgar caracterização dos intervenientes (número de anos, tipos de profissões e cargos anteriores e vivências ao nível desportivo), neste estudo pretendeu‐se ir mais além e procurar identificar se a experiência influencia o modo como esses profissionais valorizam as funções/competências inerentes ao perfil funcional deles. Assim, trata‐se de um estudo empírico de natureza inferencial que tem como propósito principal detectar se os fatores número de anos na função e na organização exercem influência na valorização que os técnicos superiores de desporto atribuem às funções adstritas à sua profissão e a percepção que esses têm do tempo que despendem no exercício de cada uma delas.

Na tentativa de responder aos propósitos enunciados foram definidos os seguintes objetivos específicos:

  • Verificar se a interação dos fatores anos na função e anos na organização são diferenciadores da valorização que os técnicos superiores de desporto atribuem às funções adstritas ao exercício da profissão e à percepção de tempo despendido em cada uma delas;

  • Verificar se existe uma associação entre a valorização das funções e a percepção que os técnicos superiores têm do tempo que despendem em cada uma delas.

Material e métodosParticipantes

De um universo de 62 técnicos superiores de desporto, participaram deste estudo, voluntariamente, 50 profissionais que exercem funções nos municípios, numa empresa municipal e nas associações desportivas do Distrito de Viseu. Essa amostra é representativa do universo em foco porquanto perfaz 80,64% dos técnicos superiores de desporto do Distrito de Viseu, para além de perfazer o espectro experiencial e de idade. Os técnicos superiores de desporto inquiridos provêm de 19 Concelhos dos 24 que constituem o Distrito de Viseu.

Todos os participantes foram devidamente informados do propósito do estudo e preencheram o termo de consentimento livre e esclarecido, em que além do anonimato foi garantida a confidencialidade dos dados.

Dos participantes, 40 são do sexo masculino e 10 do feminino. A média de idade situou‐se nos 32,12±5,3 anos, com um mínimo de 26 e um máximo de 53. Relativamente à formação, todos os técnicos são detentores de licenciatura, a maioria é da área da educação física (98%). No que concerne à formação complementar, apenas 14 técnicos superiores de desporto (28%) demonstraram preocupação com a formação complementar (pós‐graduações e mestrados) na gestão desportiva. O valor médio da experiência profissional situa‐se nos 5,72±3,18 anos, oscila entre um e 11. De referir, ainda, que em alguns municípios não existe a categoria de técnico superior de desporto, dado que as funções são desempenhadas por professores de educação física.

Para dar cumprimento ao objetivo de comparar níveis de experiência distintos tomaram‐se em consideração dois fatores: os anos na função e os anos na organização atual. A escala usada foi: 0‐4 anos (pouca experiência), 5‐9 anos (experiência razoável) e 10 e mais anos (muita experiência). A classificação em termos de experiência teve por base a referenciada por Lysaght e altschuldb (2000), que, apesar de se reportar a profissionais da área da saúde, é uma categorização que consegue reunir um consenso aceitável. A experiência profissional dos participantes, traduzida no número de anos na função e anos na organização, apresentada na tabela 1 permite referir que os valores médios de anos de experiência profissional em termos de permanência na função é superior a cinco anos e na organização a seis.

Tabela 1.

Caracterização da amostra em função da experiência na área da gestão desportiva

  Média  SD  0‐4 anos n (%)  5‐9 anos n (%)  10 e mais anos n (%)  Total n (%) 
Anos na função  5,72  3,182  18 (36%)  24 (48%)  8 (16%)  50 (100%) 
Anos na organização  6,62  3,880  15 (30%)  23 (46%)  12 (24%)  50 (100%) 

Dos registos incluídos na tabela 1 é de realçar que a maioria dos profissionais tem entre 5‐9 anos de experiência, tanto na função (48%) como na organização (46%), e que apenas 16% da amostra apresentam experiência profissional na área da gestão do desporto superior a 10 anos. Outro aspeto relevante é que em termos médios os anos na organização são superiores à média de anos na função (6,62 e 5,72 anos, respectivamente).

Relativamente à experiência na organização, verifica‐se que 46% dos elementos já permanecem nela entre 5‐9 anos e que 24% têm 10 ou mais anos.

Instrumentos

O questionário usado foi o de Costa (2002), com algumas adaptações referentes à terminologia específica do tipo de gestor em estudo, isto é aludindo ao técnico superior de desporto, e não a outros eventuais gestores municipais. De entre as componentes do questionário, e para dar cumprimento à fase extensiva, usou‐se a escala de autopercepção relativa à importância e ao tempo despendido nas funções e competências profissionais específicas do técnico superior de desporto. A escala é constituída por 66 itens, cada um corresponde a uma função/competência. A resposta a cada item é dada numa escala de Likert de seis níveis (0 a 5): (0) nada importante/nenhum tempo despendido; (1) muito pouco importante/muito pouco tempo despendido; (2) pouco importante/pouco tempo despendido; (3) importante/razoável tempo despendido; (4) muito importante/muito tempo despendido; (5) bastante importante/bastante tempo despendido. Os itens estão agrupados em sete dimensões, designadamente: (1) Recursos Humanos, (2) Planejamento/Organização, (3) Informação, (4) Financiamento/Orçamento, (5) Marketing, (6) Coordenação e Avaliação, e (7) Docência/Lecionação.

Na adaptação do questionário participaram duas doutoradas em ciência do desporto, uma com especialização em pedagogia do desporto e a outra com especialização em gestão desportiva. Acresce que, face à importância que é dada na literatura aos testes‐piloto no refinamento dos instrumentos de investigação, depois da adaptação do questionário de Costa (2002) procedeu‐se à sua aplicação de modo a detetar possíveis erros e dificuldades de interpretação. Esse teste‐piloto foi feito em março de 2010 com três técnicos superiores de desporto.

A aplicação dos questionários foi presencial e decorreu em março e abril de 2011. A presença física, além de garantir o retorno dos questionários, possibilitou um esclarecimento da temática e dos objetivos do estudo, bem como de dúvidas quanto a seu preenchimento.

Fiabilidade e consistência interna

Com o intuito de avaliar a fiabilidade das respostas analisou‐se a estabilidade e a consistência interna das subescalas do questionário por meio da correlação intraclasse, a correlação interitem e o alfa de Cronbach (Nunnally, 1978). O questionário foi aplicado a uma amostra de 10 sujeitos que o preencheram com um intervalo de uma semana. A análise dos valores nos dois momentos demonstra uma significativa similaridade. Contudo, encontraram‐se diferenças significativas em quatro funções: (1) Recursos Humanos – providenciar avaliações de eficácia e eficiência do trabalho dos técnicos e conduzir programas de avaliação; (2) Financiamento/Orçamento – coordenar e agendar pagamentos de subsídios e comparticipações financeiras; (3) recolher fundos, receitas e outros recursos das entidades da comunidade, de patrocinadores e de mecenas; e (4) Coordenação e Avaliação – coordenar e avaliar o estado de rentabilização e conservação dos recursos materiais desportivos.

Para a leitura dos valores de alfa de Cronbach tomou‐se como referência o valor crítico de α = 0,70 proposto por Nunnally (1978), e na leitura da correlação interitem as considerações de Bollen (1989), que reconhece α = 0,50 como um valor aceitável. Verificou‐se que o valor de α de Cronbach (α=0,77) é superior ao valor crítico proposto por Nunnally (1978). Desse modo pode‐se afirmar que o grau de homogeneidade é aceitável. Relativamente à correlação interitem (Ciit=0,39), o valor médio encontrado é admissível.

Procedimentos de análise

No tratamento de dados recorreu‐se às medidas descritivas básicas e à análise multivariável para variáveis dependentes (General Linear Model Multivariate) e o test post hoc Tukey, para verificar se os anos na função e os anos na organização influenciam os níveis de importância atribuídos às várias funções/competências e a percepção de tempo despendido nas diferentes funções. Recorreu‐se ainda à correlação de Pearson (r) para analisar se existe uma associação significativa entre a importância atribuída às funções e a percepção de tempo despendido em cada uma delas. O nível de significância foi mantido em p ≤ 0,05.

Resultados

A análise descritiva (média e desvio padrão) da valorização dada a cada uma das dimensões de funções/competências, bem como a percepção de tempo despendido em cada função, encontra‐se patente na tabela 2.

Tabela 2.

Importância e tempo despendido em cada uma das dimensões de funções/competência

Importância atribuídaDimensões  Tempo despendido
média  SD    Média  SD 
3,47  1,23  Recursos humanos  1,87  1,39 
3,97  0,53  Planejamento/Organização  2,38  1,00 
3,64  0,66  Informação  2,43  1,00 
2,99  1,24  Financiamento/Orçamento  1,32  1,23 
3,47  0,83  Marketing  2,20  1,00 
3,68  0,97  Coordenação/Avaliação  2,12  1,24 
4,02  1,11  Docência/Lecionação  3,83  1,30 

Os dados da tabela 2 indicam que as funções/competências associadas à dimensão de lecionação/docência são consideradas as mais importantes e simultaneamente aquelas nas quais os técnicos consideram que despendem mais tempo. Contrariamente, as funções/competências inerentes à dimensão financiamento/orçamento são encaradas como as menos importantes pelos técnicos e na qual despendem menos tempo.

Autopercepção da importância das funções e competências

Os resultados indicam que existe uma interação entre a importância atribuída às diferentes funções/competências (variável dependente) e os fatores anos na função e anos na organização. Com efeito, a interação entre os fatores anos na função e anos na organização é significativa. O valor do teste Wilk's Lambda–r de Wilks=0,022, F (7, 36,000)=228,197, p ≤ 0,000 revela que os técnicos superiores de desporto com diferentes níveis de experiência (anos na função e anos na organização) valorizam de forma significativamente diferente o conjunto de funções/competências que perfazem as diferentes dimensões em análise.

Ao se analisar de forma mais detalhada cada dimensão verifica‐se que apenas existe uma interação significativa entre a experiência profissional e a importância atribuída às funções/competências relacionadas com a dimensão lecionação/docência (tabela 3).

Tabela 3.

Efeito entre a experiência e importância atribuída às diferentes dimensões/competências

Dimensões de funções/competências 
Recursos humanos  0,826  0,572 
Planejamento/Organização  0,967  0,468 
Informação  2,223  0,051 
Financiamento/Orçamento  1,122  0,368 
Marketing  1,678  0,141 
Coordenação e Avaliação  0,707  0,666 
Lecionação/Docência  2,634  0,024a 

F, valor do teste estatístico; P, valor de prova.

a

Diferenças estatisticamente significativas para p ≤ 0,05.

Como se pode observar na tabela 4, e atendendo ao valor de F, é na dimensão lecionação/docência que a atribuição de importância dos técnicos superiores de desporto mais se diferencia, a diferença assume significado estatístico.

Tabela 4.

Comparações múltiplas: atribuição de importância às funções de lecionação/docência consoante os anos na organização

Variáveis dependentes  Anos Organização (I)  Anos Organização (J)  Diferença média (I–J) 
BI7 – Dimensão lecionação/docência0‐4 anos  5‐9 anos 10 e mais anos  −0,0019 0,9389  1,000 0,043a 
5‐9 anos  0‐4 anos 10 e mais anos  0,0019 0,9408  1,000 0,025a 
10 e mais anos  0‐4 anos 5‐9 anos  −0,9389 −0,9408  0,043a 0,025a 
a

Diferenças estatisticamente significativas para p ≤ 0,05.

Ao avançar para as comparações múltiplas verifica‐se que existem diferenças de atribuição da importância às diferentes funções em resultado dos anos passados na organização (tabela 4) e anos passados na função (tabela 5).

Tabela 5.

Comparações múltiplas: Autopercepção da importância das funções de lecionação/docência consoante os anos na função

Variáveis dependentes  Anos Função (I)  Anos Função (J)  Diferença média (I–J) 
BI7 – Dimensão lecionação/docência0‐4 anos  5‐9 anos 10 e mais anos  0,3056 1,7361  0,574 0,000a 
5‐9 anos  0‐4 anos 10 e mais anos  −0,3056 1,4306  0,574 0,002a 
10 e mais anos  0‐4 anos 5‐9 anos  −1,7361 −1,4306  0,000a 0,002a 
a

Diferenças estatisticamente significativas para p ≤ 0,05.

Os resultados obtidos das comparações múltiplas ao nível da importância atribuída às funções na dimensão lecionação/docência (tabela 5) evidenciam que os técnicos superiores com 5‐9 anos na organização percepcionam significativamente como mais importantes as funções de lecionação/docência comparativamente aos técnicos menos e mais experientes (0‐4 anos e 10 e mais anos). Os técnicos menos experientes (0‐4 anos) consideram as funções de docência mais importantes do que os técnicos mais experientes (10 e mais anos). Por sua vez, os profissionais mais experientes (10 e mais anos) comparativamente aos outros técnicos menos experientes (0‐4 anos e 5‐9 anos) percepcionam como menos importantes as funções intrínsecas à dimensão lecionação/docência.

No tabela 5 pode‐se constatar que os técnicos superiores mais experientes (10 e mais anos na função) atribuem significativamente menos importância às funções de lecionação/docência. Entre os técnicos de 0‐4 anos na função e 5‐9 anos não se verifica diferenças de atribuição de importância às diferentes funções.

Percepção do tempo despendido nas funções e competências

Os resultados indicam que existe uma interação entre a percepção do tempo despendido nas funções e os anos na função e anos na organização. O efeito da interação entre os fatores anos na função e anos na organização é significativo pelos teste Wilk's Lambda–r de Wilks=0,79, F (7, 36,000)=59,661, p ≤ 0,000 e revela que os técnicos superiores de desporto com diferente nível de experiência (anos na organização e anos na função) percepcionam de forma significativamente diferente o tempo que despendem na generalidade das funções/competências.

Ao analisarmos de forma mais detalhada cada dimensão verifica‐se que apenas existe uma interação entre a experiência profissional (anos na organização e anos na função) e a percepção de tempo despendido nas diferentes funções na dimensão lecionação/docência e marketing (tabela 6).

Tabela 6.

Efeito entre a experiência profissional e a percepção do tempo despendido nas diferentes dimensões de competências/funções

Dimensões de competências/funções 
Recursos humanos  1,300  0,274 
Planejamento/Organização  1,079  0,394 
Informação  2,019  0,075 
Financiamento/Orçamento  1,196  0,326 
Marketing  2,305  0,044a 
Coordenação e Avaliação  1,471  0,204 
Lecionação/Docência  3,940  0,002* 
a

Diferenças estatisticamente significativas para p ≤ 0,05.

Como se pode comprovar no tabela 6, e atendendo ao valor de F, é nas dimensões lecionação/docência e marketing que a percepção dos técnicos superiores de desporto do tempo despendido nas diferentes funções mais se diferencia, a diferença assume significado estatístico. Pode‐se mesmo afirmar que é no nível da dimensão lecionação/docência que a percepção dos técnicos superiores de desporto mais se diferencia (F=3,940) e se aproxima ao nível da dimensão marketing (F=2,305).

Na medida em que a experiência profissional (anos na função e anos na organização) dos técnicos superiores de desporto tem uma significativa e diferenciada interação com a percepção do tempo despendido nas funções intrínsecas à dimensão lecionação/docência, procurou‐se analisar de forma mais profunda essa dimensão por meio das comparações múltiplas, atendendo os anos na organização (tabela 7) e os anos na função (tabela 8).

Tabela 7.

Comparações múltiplas: Autopercepção do tempo despendido nas funções de lecionação/docência consoante os anos na organização

Variáveis dependentes  Anos Organização (I)  Anos Organização (J)  Diferença média (I‐J) 
BT7 – Dimensão lecionação/docência0‐4 anos  5‐9 anos
10 e mais anos 
0,386 1,1111  0,995 0,063 
5‐9 anos  0‐4 anos
10 e mais anos 
−0,0386 1,0725  0,995 0,048a 
10 e mais anos  0‐4 anos
5‐9 anos 
−1,1111 −1,0725  0,063 0,048a 
a

Diferenças estatisticamente significativas para p ≤ 0,05.

Tabela 8.

Comparações múltiplas: Autopercepção do tempo despendido nas funções de lecionação/docência consoante os anos na função

Variáveis dependentes  Anos Função (I)  Anos Função (J)  Diferença média (I‐J) 
BT7 – Dimensão lecionação/docência0‐4 anos  5‐9 anos
10 e mais anos 
0,2454 1,6204  0,800 0,010a 
5‐9 anos  0‐4 anos
10 e mais anos 
−0,2454 1,3750  0,800 0,024a 
10 e mais anos  0‐4 anos
5‐9 anos 
−1,6204 −1,3750  0,010a 0,024a 
a

Diferenças estatisticamente significativas para p ≤0,05.

Os resultados obtidos das comparações múltiplas da percepção de tempo despendido nas funções da dimensão lecionação/docência (tabela 9) evidenciam que os técnicos superiores com 5 a 9 anos na organização percepcionam que dedicam significativamente mais tempo nas funções de lecionação/docência comparativamente aos mais experientes.

Tabela 9.

Correlação entre a importância atribuída a cada dimensão e a percepção do tempo despendido na realização das diferentes funções

Dimensões  Média  SD  Correlação 
Recursos humanos
Importância  3,48  1,23  0,422 
Tempo despendido  1,87  1,39   
Planejamento/Organização      −0,037 
Importância  3,97  0,53   
Tempo despendido  2,38  1,00   
Informação
Importância  3,64  0,67  0,305 
Tempo despendido  2,43  1,00   
Financiamento/Orçamento      0,301 
Importância  2,99  1,24   
Tempo despendido  1,32  1,23   
Marketing      0,403 
Importância  3,47  0,83   
Tempo despendido  2,20  0,10   
Coordenação e Avaliação      0,296 
Importância  3,68  0,97   
Tempo despendido  2,12  1,24   
Lecionação/Docência      0,737 
Importância  4,02  1,11   
Tempo despendido  3,83  1,30   

Os dados presentes no tabela 8 permitem afirmar que os técnicos superiores mais experientes (10 e mais anos na função) percepcionam, de forma significativa, que dedicam menos tempo às funções de lecionação/docência comparativamente aos técnicos com menos tempo de permanência na função (0‐4 anos e 5‐9 anos).

Associação entre a importância atribuída às funções/competências e a percepção de tempo despendido em cada uma

Os dados resultantes da análise da correlação entre a importância atribuída a cada uma das dimensões, constituída por um conjunto de funções, e a percepção de tempo despendido na sua execução foram efetuadas por recurso ao coeficiente de correlação de Pearson (tabela 9).

Os dados patentes no tabela 9 colocam em evidência que na dimensão lecionação/docência existe uma correlação forte (r=0,737) entre a importância atribuída ao conjunto de funções que a perfazem e a percepção de tempo despendido no seu exercício. Nas restantes dimensões a correlação entre a importância dada e o tempo despendido nas distintas funções é moderada e positiva (entre 0,296 e 0,422), à exceção da dimensão planejamento/organização em que a correlação é fraca e negativa (r=−0,037).

Discussão

Os níveis de atribuição de importância e percepção de tempo despendido nas diferentes funções e competências dos técnicos superiores de desporto são influenciados pela interação dos fatores anos na função e anos na organização (experiência profissional), principalmente na dimensão lecionação/docência. A noção defendida por autores como Sandberg (1994), que assume que a experiência é um dos atributos inerentes à competência, pois aquilo que se vive e aprende nos contextos profissionais e sociais condiciona o modo como a manifestação das habilidades na ação, ficou reforçada neste estudo. O mesmo autor acresceu dizendo que a competência resulta do modo como as pessoas experienciam ou atribuem significado ao mundo, porquanto a vivência de experiências múltiplas e diversificadas em distintos contextos profissionais possibilita a aquisição de conhecimentos e de saberes. Desse ponto de vista, parece, assim, ser fundamental que os profissionais adotem uma atitude de busca incessante de novas experiências e que persigam o desenvolvimento constante de conhecimento e, consequentemente, reforcem a sua competência.

Outro aspecto que também ganhou destaque foi que, quando analisadas as dimensões de forma autônoma, a interação dos dois fatores (anos na função e anos na organização) somente influencia a atribuição de importância e percepção de tempo despendido na dimensão lecionação/docência. Os profissionais mais experientes (10 e mais anos na organização e na função) atribuem menor importância a essa dimensão e percepcionam que despendem menos tempo no exercício das funções adstritas a essa dimensão. Pode depreender‐se que essa reduzida atribuição de importância às funções de lecionação/docência se relaciona com o tipo de funções desempenhadas pelos técnicos mais experientes, pois, normalmente, esses já se encontram em níveis hierárquicos superiores e com cargos de chefia (chefes de divisão, coordenadores de divisão e diretores de departamento). Desse modo, no interior da organização esses são os técnicos mais experientes cujas preocupações se centram mais nas funções associadas à gestão de recursos humanos, coordenação e planejamento. Essa leitura encontra reforço na perspectiva de Duarte (2004), que afirma que os chefes de departamento são responsáveis pela implantação das políticas e dos planos desenvolvidos pelos gestores de cima (presidentes) e também pela coordenação e supervisão dos gestores de primeira linha. No mesmo sentido, Celma (2004) refere que a função conceitual, que engloba a capacidade de coordenar diversos fatores, interesses e atividades da organização, se assume como mais necessária quanto mais alto é o cargo que se ocupa na organização. Esse panorama tende a generalizar‐se nas autarquias em Portugal, porquanto o cargo na hierarquia define marcadamente o conteúdo funcional dos técnicos superiores de desporto. Acresce que os anos de experiência na função são usualmente tidos em conta para a nomeação de cargos de nível hierárquico superior.

O grupo de técnicos com experiência profissional entre os 5‐9 anos é aquele que valoriza mais as funções de docência/lecionação, seguindo‐se o grupo dos técnicos menos experientes (0‐4 anos). Esse fato talvez encontre justificação na realidade que atualmente caracteriza as autarquias locais, notadamente nas suas incumbências acrescidas e ativas no domínio da educação e do desporto (Despacho n.° 12 591/2006, de 16 de junho). O Ministério da Educação partilha com os municípios a responsabilidade pelos estabelecimentos de ensino pré‐escolar e de 1°ciclo do ensino básico, notadamente no nível da lecionação das atividades de enriquecimento curricular com incidência no domínio desportivo, por meio da atividade física desportiva. Desse modo, e devido à escassez de recursos financeiros que impossibilita a contratação de recursos humanos específicos e direcionados para a lecionação, os técnicos superiores de desporto acabam por ter uma intervenção bastante ampla e multidisciplinar, que engloba uma elevada diversidade de funções, designadamente as de lecionação/docência. Sublinhe‐se igualmente que a licenciatura desses profissionais em educação física ou desporto os habilita não apenas para funções de gestão, mas também para funções de lecionação, independentemente de alguns desses profissionais terem pós‐graduações em áreas de intervenção mais específica.

Quanto à associação entre a importância atribuída à função e o tempo despendido no seu exercício, verificou‐se uma correlação positiva e forte na dimensão lecionação/docência. Ficou também evidente que a valorização das funções e percepção de tempo efetivo na sua realização estão associadas. Desse modo, pode‐se considerar que o técnico superior de desporto do Distrito de Viseu encara a docência como uma das suas funções mais relevantes e despende efetivamente a maior parte do seu tempo no exercício de um conjunto de funções que lhes são intrínsecas, designadamente assegurar projetos pedagógicos implantados pelo município, lecionar e assegurar diariamente as aulas, as turmas e os horários de determinados projetos e atividades desportivas anuais, entre outras. Na literatura podem‐se encontrar perspectivas contraditórias e, simultaneamente, consonantes com esses resultados. Nesse quadro, Branco (1994) concluiu que os técnicos desportivos municipais desempenham, essencialmente, funções de coordenação/assessoria, baseiam‐se na coordenação de serviços de desporto, na concepção de projetos desportivos municipais e no apoio ao responsável pelo setor. Todavia, o mesmo autor também revela que a intervenção direta do técnico é outra das suas funções, designadamente nas atividades de lecionação nas quais tem responsabilidades diretas na atividade. Com efeito, o desempenho de multifunções pelos técnicos superiores de desporto tem sido uma realidade no contexto português que até ganhou maior expressão em resultado dos constrangimentos financeiros atuais.

Na atribuição de importância e percepção de tempo despendido nas dimensões recursos humanos, marketing, informação, financiamento/orçamento e coordenação e avaliação encontraram‐se correlações moderadas e positivas (entre 0,296 e 0,422), já a correlação na dimensão planeamento/organização é moderada e negativa, ou seja, nessa dimensão a importância atribuída às funções de planejamento/organização não se coaduna com o tempo efetivo e real que o técnico superior de desporto despende na sua execução.

Conclusões

Este estudo permitiu aprofundar o conhecimento acerca da relevância da experiência profissional na atribuição de importância às diferentes funções inerentes à profissão de técnico superior de desporto, bem como a percepção de tempo despendido na sua execução efetiva. Desse modo, e no término deste estudo, depreende‐se que os fatores anos na função e na organização influenciam o modo como os técnicos superiores de desporto percepcionam a importância e o tempo despendido nas diferentes funções adstritas à profissão. A influência da experiência é evidente e de forma significativa, na atribuição de importância à dimensão lecionação/docência, materializada na participação em projetos pedagógicos, notadamente pela lecionação semanal em horários fixos e em férias desportivas e na percepção do tempo despendido nas dimensões lecionação/docência e marketing, essa última concretizada fundamentalmente em ações de promoção e divulgação das atividades.

Pode‐se ainda inferir que os técnicos superiores de desporto mais experientes (10 e mais anos na função e na organização), comparativamente aos grupos de técnicos com 5‐9 anos e 0‐4 anos de experiência, atribuem menos importância e menos tempo despendido às funções de lecionação/docência. Já os técnicos superiores de desporto com 5‐9 anos de experiência são aqueles que percepcionam as funções intrínsecas à lecionação/docência como mais importantes e aquelas nas quais despendem mais tempo.

Verificou‐se também que existe uma associação forte e positiva entre a valorização das funções e a percepção que os técnicos superiores têm do tempo que despendem na dimensão lecionação/docência, uma associação fraca e negativa na dimensão planejamento/organização e uma associação moderada e positiva nas restantes dimensões.

A evidente escassez de investigações no âmbito da gestão desportiva autárquica coloca ênfase na importância do estudo dessa temática, de modo a se poder alcançar um conhecimento mais aprofundado acerca das funções e competências adstritas ao técnico superior de desporto e, consequentemente, que possa haver um desenvolvimento da área. Até porque essa é uma área muito adentrada na gestão desportiva e que se encontra em ampla expansão.

Por conseguinte, os resultados dessa investigação assumem‐se de grande importância sob o ponto de vista da formação e da gestão de recursos humanos para essa área de intervenção no desporto, pode constituir‐se num momento de reflexão e de orientação, designadamente para as instituições formadoras na área da gestão desportiva e para as autarquias locais e seus responsáveis.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

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