Compartilhar
Informação da revista
Vol. 36. Núm. 3.Julho - Setembro 2014
Páginas 607-706
Compartilhar
Compartilhar
Baixar PDF
Mais opções do artigo
Visitas
3585
Vol. 36. Núm. 3.Julho - Setembro 2014
Páginas 607-706
DOI: 10.1590/2179-325520143630012
Open Access
Análise da organização competitiva de crianças e jovens: adaptações estruturais e funcionais
Analysis of the Competitive Organization of Sports for Children and Youths Structural and Functional Adaptations
Análisis de la organización competitiva crianzas e jóvenes: adaptaciones estructurales e funcionales
Visitas
3585
Michel Milistetda,
Autor para correspondência
michel_canhoto@hotmail.com

Autor para correspondência.
, Juarez Vieira do Nascimentob, Jorge Silveiraa, Denise Fusverkia
a Departamento de Educação Física, Universidade Estadual do Centro-Oeste, Irati, PR, Brasil
b Programa de Pós-Graduação em Educação Física, Departamento de Educação Física, Centro de Desportos, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, SC, Brasil
Este item recebeu
3585
Visitas

Under a Creative Commons license
Informação do artigo
Resume
Texto Completo
Bibliografia
Baixar PDF
Estatísticas
Tabelas (4)
Tabela 1. Divisão de categorias de menores e faixas etárias em esportes coletivos.
Tabela 2. Número de alterações estruturais (E) e alterações funcionais (F) em cada categoria dos esportes coletivos.
Tabela 3. Divisão de categorias de menores e faixas etárias em esportes individuais.
Tabela 4. Número de alterações estruturais (E) e alterações funcionais (F) em esportes individuais.
Mostrar maisMostrar menos
Resumo

O objetivo da presente pesquisa foi analisar a organização de competições em federações esportivas de diferentes modalidades. A partir da análise de documentos oficiais, foram avaliadas 14 federações esportivas e suas respectivas idades de início da participação competitiva, a divisão de categorias, alterações estruturais e alterações funcionais. Os resultados encontrados apontam que o início das competições oficiais em todas as modalidades esportivas, com exceção do atletismo e da natação, ocorre antes dos 10 anos de idade. Com relação às modificações estruturais, a federação de futebol é a que menos propõe mudanças, alterando apenas o seu tempo de jogo. As federações de basquetebol, handebol e ginástica estabelecem o maior número de mudanças estruturais, respeitando as particularidades do público infantojuvenil. Quanto às modificações funcionais, a federação de voleibol apresenta o maior número de alterações, que se referem à execução de fundamentos (saque, bloqueio), ações de jogo (levantamento, número de atacantes) e limitações táticas nas primeiras categorias. As alterações apresentadas pelas federações paranaenses revelam clara preocupação com adaptações para o melhor aproveitamento da prática esportiva pelos jogadores, respeitando pressupostos pedagógicos da formação esportiva a longo prazo. No entanto, o início do envolvimento competitivo parece ocorrer antes das idades recomendadas pela literatura especializada, favorecendo o surgimento de um quadro de especialização esportiva precoce destes jovens atletas.

Palavras-chave:
Competição
Federações esportivas
Crianças
Jovens
Abstract

The aim of this study was to analyze the organizational structure of competitions in different sports’ federations. From the analysis of official documents, 14 sports federations were assessed, as well as their respective ages of competitive participation onset, the division of categories, and structural and functional changes. The results show that official competitions in all sports, except track and field and swimming start occurring before athletes reach the age of 10 years. In regard to structural changes, the soccer federation is the one that proposes the least modifications, as it only alters the playing time. The basketball, handball, and gymnastics federations provide the largest number of structural changes, respecting the particularities of children and youth. As for the functional changes, the volleyball federation, among those investigated, shows the largest number of modifications, which refer to the execution of the basics (e.g. serve, block), playing actions (setting, number of hitters), and tactical limitations in the primary categories. The modifications submitted by the federations from Paraná show adaptations for the better fruition of sports practice by the athletes, respecting the pedagogical assumptions of long-term sports development. However, the onset of competitive involvement seems to occur before the age recommended in the specialized literature, facilitating the precocious specialization of young athletes.

Keywords:
Competition
Sports federations
Children
Youths
Resumen

El objetivo de este estudio fue analizar la estructura organizativa de competiciones en federaciones de diferentes deportes. A partir del análisis de los documentos oficiales, se evaluaron 14 federaciones deportivas y sus respectivas edades de inicio de la participación competitiva, la división de categorías, cambios estructurales y funcionales. Los resultados muestran que el inicio oficial de la competición en todos los deportes excepto en atletismo y natación, corre antes de los 10 años de edad. A respecto a los cambios estructurales, la federación de fútbol es la que propone menos cambios, cambiando sólo su tiempo de juego. Las federaciones de baloncesto, balonmano y gimnasia ofrecen el mayor número de cambios estructurales, respetando las particularidades de los niños y jóvenes. A respecto de los cambios funcionales, la Federación de Voleibol, entre los investigados, presenta el mayor número de enmiendas, que se refieren a la ejecución de los fundamentos (de dibujo, el bloque), las acciones de juego (encuesta, el número de atacantes) y las limitaciones tácticas en las primeras categorías. Las enmiendas propuestas por federaciones del Paraná revelan ajustes de preocupaciones claras para una mejor utilización de los jugadores en practicar deportes, los supuestos pedagógicos, respetando la formación deportiva a largo plazo. Sin embargo, el inicio de la participación competitiva parece ocurrir antes de las edades recomendadas por la literatura, favoreciendo la aparición de un cuadro de especialización deportiva temprana de los jóvenes atletas.

Palabras clave:
Competición
Federaciones
Deportivas
Niños Jóvenes
Texto Completo
Introdução

Milhares de crianças e jovens estão envolvidos em programas regulares de orientação esportiva no Brasil, e a sua afiliação acontece normalmente em escolinhas, acolhendo um público de 4 a 16 anos de idade (Paes, 2006). A procura deste grupo etário pelas práticas esportivas tem objetivos múltiplos e significados variados.

De maneira geral, a preparação esportiva dos mais jovens deve estar sustentada por pressupostos de educação e formação, respeitando suas necessidades e interesses (Kirk, 2005). No entanto, a crescente importância social do fenômeno esportivo, aliada ao aumento da oferta de competições em um quadro cada vez mais especializado, passou a definir novas exigências do envolvimento infantojuvenil, determinando participações e especializações de crianças e adolescentes cada vez mais precoces (Silva; Fernandes; Celani, 2001).

No atual panorama esportivo, muitos jovens passam diversos anos de sua vida envolvidos em treinamentos regulares e em competições de elevada exigência. Em consequência disso, crianças e adolescentes provam o sucesso e obtêm grande prazer nas práticas especializadas. Contudo, muitos outros jovens, possivelmente com o mesmo potencial, são prejudicados por não estarem preparados para suportar as cargas de treino e de competição, o que acarreta danos físicos e psicológicos (Armstrong; Welsman, 2005). Além disso, a expectativa dos pais, a pressão dos clubes, dos treinadores e até mesmo do próprio sistema competitivo podem conduzir alguns atletas ao abandono precoce da atividade esportiva (Barros; De Rose, 2006).

Para que a competição possa desempenhar um papel fundamental na formação do jovem esportista, ela deve ser rapidamente reestruturada. Os sistemas de treino e de competição dos mais jovens carecem de grande aprofundamento em suas fundamentações científicas. Os modelos explicativos existentes apoiam-se ainda no conhecimento empírico e em orientações pedagógicas e normativas alicerçados, sobretudo em modelos vigentes na competição adulta (Brito; Fonseca; Rolim, 2004; Fonseca, 2004; Paes, 2006).

Ao estudarem as alterações do sistema competitivo de crianças e jovens, Rotella e Bunker (1998) relatam que, na liga americana de futebol, jovens atletas, ao serem indagados sobre melhorias no sistema, sugeriram algumas alterações, entre as quais a diminuição do tamanho do terreno de jogo, a redução do número de jogadores e a eliminação do goleiro, atribuindo, dessa maneira, maior participação de todos os jogadores e maior motivação para a sua prática.

Em outra investigação realizada no Canadá, praticantes de hóquei no gelo tiveram a oportunidade de alterar a estrutura competitiva da modalidade. A partir disso, proibiram treinadores ou árbitros de gritar com os jogadores, permitiram que os participantes jogassem em todas as posições e, independentemente da importância do jogo, todos os atletas deveriam jogar períodos iguais de tempo (Cardoso, 2007).

A reprodução de competições para adultos e a busca incessante por resultados podem comprometer o desenvolvimento físico, psíquico e social de crianças e adolescentes, indo contra todos os pressupostos e objetivos da formação esportiva na infância e juventude. A organização da competição infantojuvenil à imagem do modelo formal tende a valorizar mais os aspectos biológicos associados à performance e deixa de lado os fatores de ordem ética, pedagógica e de saúde (Côté; Baker; Abernethy, 2007).

Ao considerar os aspectos pedagógicos da formação nos esportes coletivos, Mesquita, Pereira e Graça (2009) relatam que o modelo pioneiro das metodologias de ensino estruturalistas é o Teaching Games for Understanding (TGfU), de Bunker e Thorpe (1982). O TGfU é regido no ensino pelo jogo – ou seja, em sua própria essência competitiva, na qual é sustentado por quatro princípios pedagógicos: tipo de jogo, modificação por representação, modificação por exagero e adaptação da complexidade tática. As alterações propostas pelos autores se referem às mudanças físicas e materiais na modalidade (alterações estruturais) e também às mudanças na complexidade do jogo (alterações funcionais), no intuito de torná-lo mais simples e compreensível, facilitando o acesso de crianças e jovens à pratica de diferentes modalidades.

Diante disso, fica claro que a competição de crianças e jovens deve ter particularidades claras que a distanciam da competição de adultos, em sua condição de promotora da formação e educação esportiva de jovens atletas. Assim, este estudo teve por objetivo analisar a estrutura competitiva de federações esportivas, suas idades de iniciação, divisão de categorias, alterações estruturais e alterações funcionais em modalidades coletivas e individuais.

Materiais e métodos

Esta pesquisa caracteriza-se como um estudo exploratório de análise documental, que usa os regulamentos oferecidos pelas Federações Esportivas para verificar a organização competitiva de menores. A opção pela análise de federações do Paraná foi intencional, pela disponibilidade de materiais nas federações estaduais e pelo centro de investigação ser localizado em uma universidade pública do mesmo estado.

Os documentos analisados foram: regulamentos, livros, livretos e cartilhas, disponíveis em 2011 no site de 14 federações esportivas. Entre estas, cinco eram de modalidades coletivas (basquetebol, futebol, futsal, handebol e voleibol) e nove, individuais (atletismo, ginástica artística, ginástica rítmica, judô, caratê, natação, tae-kwon-do, tênis e tênis de mesa).

No tratamento dos dados utilizaram-se os recursos da estatística descritiva, com valores de média e frequência absoluta, considerando as idades de início de envolvimento competitivo, a categorização e respectivas idades utilizadas em cada federação, as alterações estruturais (tempo de jogo, espaço de jogo, sistema de pontuação e equipamentos utilizados) e as alterações funcionais (mudanças nas regras de ação dos jogadores para melhor aproveitamento das categorias) propostas em cada modalidade esportiva.

Apresentação dos resultados

A análise dos documentos permitiu detectar as idades de início competitivo em cada federação. Compreende-se este início como a idade mínima de participação na primeira categoria de cada modalidade, independente da nomenclatura adotada em cada uma das federações.

Os dados contidos na tabela 1 revelam que as crianças entre 6 e 8 anos já participam de práticas competitivas regulamentadas nas modalidades de futsal e handebol. Nas modalidades de basquetebol, futebol e voleibol, a competição inicia-se aos 10 anos.

Tabela 1.

Divisão de categorias de menores e faixas etárias em esportes coletivos.

Idade  Basquetebol  Futebol  Futsal  Handebol  Voleibol 
06      Mamadeira     
07      Fraldinha   
08      Mini 
09      Pré-mirim 
10  MiniMirimPré-mirimMini
11  Mirim
12  Pré-mirim  InfantilMirim  Petiz 
13  Mirim  InfantilInfantil  Pré-mirim 
14  Infantil  JuvenilCadeteMirim 
15  InfantojuvenilInfantojuvenilInfantil 
16  Juvenil  Infanto 
17  JuvenilJuvenilJunior  Juvenil 
18  Junior   
19       

Em todos os documentos federativos analisados foram encontradas modificações estruturais e funcionais para o melhor aproveitamento competitivo dos jovens atletas. A tabela 2 apresenta o número de modificações estruturais e funcionais de cada uma das modalidades esportivas coletivas, em suas respectivas categorias.

Tabela 2.

Número de alterações estruturais (E) e alterações funcionais (F) em cada categoria dos esportes coletivos.

Basquetebol  ______  Mini
E: 5
F: 4 
Pré-mirim
E: 5
F: 3 
Mirim
E: 4
F: 2 
Infantil
E: 1
F: 0 
Infanto
E: 1
F: 0 
Juvenil
E: 0
F: 0 
Futebol  ______  ______  ______  Mirim
E: 1
F: 0 
Infantil
E: 1
F: 0 
Juvenil
E: 1
F: 0 
Junior
E: 0
F: 0 
Futsal  Mamadeira
E: 2
F: 1 
Fraldinha
E: 2
F: 1 
Pré-mirim
E: 2
F: 1 
Mirim
E: 2
F: 1 
Infantil
E: 2
F: 1 
Infanto
E: 0
F: 1 
Juvenil
E: 0
F: 0 
Handebol  Mini
E: 5
F: 3 
Pré-Mirim
E: 3
F: 2 
Mirim
E: 1
F: 2 
Infantil
E: 1
F: 2 
Cadete
E: 1
F: 2 
Juvenil
E: 1
F: 0 
Junior
E: 1
F: 0 
Voleibol  Mini
E: 4
F: 5 
Petiz
E: 1
F: 6 
Pré-Mirim
E: 1
F: 4 
Mirim
E: 1
F: 0 
Infantil
E: 1
F: 0 
Infanto
E: 0
F: 0 
Juvenil
E: 0
F: 0 

A modalidade futsal, entre as federações analisadas, é a que mais cedo promove a prática competitiva; porém, é a federação que menos estabelece modificações para crianças abaixo de 10 anos. As modificações sugeridas em seus regulamentos correspondem às alterações no tempo de jogo, peso e tamanho da bola e no número obrigatório de substituições, fazendo com que todos os jogadores participem efetivamente do jogo.

No caso do basquetebol, a categoria mini, especificamente, apresenta diversas mudanças estruturais, como tempo, dimensões, alvo e bola. No que diz respeito à funcionalidade do jogo na categoria, destacam-se a obrigatoriedade de substituição, a imposição da defesa individual e a diminuição de algumas violações.

As alterações estruturais e funcionais na organização competitiva da Federação Paranaense de Handebol se assemelham às da Federação Paranaense de Basquetebol; a categoria mini, em especial, tem um elevado número de alterações. Nas demais categorias são mantidas alterações na bola, no tempo, nas dimensões, nas substituições e nas estruturas de defesa pré-definidas.

Tabela 3.

Divisão de categorias de menores e faixas etárias em esportes individuais.

Idade  Atlet.  GA  GRD  Judô  Caratê  Nat.  TKD  Tênis  T.Mesa 
05    Estreante I             
06        Pré- mirim  Fraldinha    Pré-mirim
07    Estreante II  Mirim  Mirim 
08    Pré–infantilMirim   
09    Pré– infantilInfantil  Infantil menor 
10    Pré-infantil  InfantilPré-mirim
11  Pré–mirimInfantilInfantilInfantojuvenil  Infantil maior
12  InfantilInfantil 1  Mirim
13  JuvenilJuvenilPré–juvenilInfantil 2 
14  MirimInfantojuvenilJuvenil 1  JuniorInfantil
15  JuvenilJuvenil 2  Infanto 
16  Menores    JuvenilJunior 1  JuvenilJuvenil
17      Junior  Junior 2 
18  Juvenil               
19                 

Atlet., atletismo; GA, ginástica artística; GRD, ginástica rítmica desportiva; Nat., natação; TKD, tae kwon do; T.Mesa, tênis de mesa.

Ao analisar a estrutura competitiva das modalidades esportivas individuais, foi verificado que as Federações Paranaenses de Caratê e de Natação apresentam seis distintas categorias etárias, superando o restante dos esportes avaliados. É importante ressaltar que algumas modalidades individuais consideram elementos que vão além da idade cronológica para dividir os atletas.

No grupo das ginásticas, há divisões por nível técnico, e a ginástica rítmica desportiva (GRD) não promove competições do naipe masculino. Na ginástica artística (GA) há provas exclusivamente femininas (trave) e outras exclusivamente masculinas (argolas e cavalo com alças). No grupo das lutas, há a divisão pelo peso dos competidores, e nas modalidades tênis e tênis de mesa, existe uma subdivisão pelo nível técnico dos participantes, representada por distintas classes de jogo.

A Federação Paranaense de Ginástica promove competições a partir dos 5 anos para a ginástica artística, e 8 anos para a ginástica rítmica desportiva. A principal diferença entre elas são as categorias de estreante I e II da GA, inexistentes na GRD. Destaca-se, também, que as ginásticas diferenciam-se das demais modalidades individuais pelo fato de os atletas atingirem a categoria adulta aos 16 anos.

As modificações funcionais propostas pela Federação Paranaense de Ginástica se referem ao número de elementos que são obrigatórios em cada série e à complexidade de execução dos exercícios. Por outro lado, as modificações estruturais dizem respeito às mudanças nas dimensões dos equipamentos de prática.

No caso das lutas, a prática competitiva inicia-se a partir dos 6 anos de idade. As três federações avaliadas se assemelham muito nas propostas de alterações estruturais e funcionais, que são limitadas apenas às três primeiras categorias e correspondem, respectivamente, ao tempo de combate e à permissão da utilização e complexidade de execução de alguns golpes.

A modalidade atletismo divide-se em três grupos de disciplinas: provas de pista, provas de campo e provas combinadas. O elevado número de provas determina alterações estruturais nas distâncias, altura de barreiras e pesos dos artefatos. Ocorrem também alterações funcionais na diminuição da complexidade das provas combinadas. Na natação, as alterações estruturais se referem à redução das distâncias nas provas até a categoria Juvenil 2; entre as alterações funcionais, considera-se a ausência do nado medley até a mesma categoria.

Tabela 4.

Número de alterações estruturais (E) e alterações funcionais (F) em esportes individuais.

GA  Estreante I
E: 2
F: 1 
Estreante II
E: 2
F: 1 
Pré-infantil
E: 4
F: 2 
Infantil
E: 4
F: 1 
Juvenil
E: 0
F: 0 
_____ 
GRD  _____  _____  Pré-infantil
E: 3
F: 1 
Infantil
E: 3
F: 0 
Juvenil
E: 0
F: 0 
_____ 
Judô  Mirim
E: 1
F: 2 
Infantil
E:1
F:2 
Infanto
E: 1
F: 2 
Pré-juvenil
E: 0
F: 0 
Juvenil
E: 0
F: 0 
Júnior
E: 0
F: 0 
Karatê  Pré-mirim
E: 1
F: 1 
Mirim
E: 1
F: 1 
Pré-infantil
E: 1
F: 1 
Infantil
E: 0
F: 0 
Infanto
E: 0
F: 0 
Juvenil
E: 0
F: 0 
TKD  Fraldinha
E: 1
F: 1 
Mirim
E: 1
F: 1 
Inf. Menor
E: 1
F: 1 
Inf. Maior
E: 1
F: 1 
Júnior
E: 0
F: 0 
_____ 
Atletismoa  _____  _____  Pré-mirim
E: 4
F: 1 
Mirim
E: 4
F: 1 
Menores
E: 1
F: 0 
Juvenil
E: 0
F: 0 
Nataçãob  Infantil 1
E: 1
F: 1 
Infantil 2
E: 1
F: 1 
Juvenil 1
E: 1
F: 1 
Juvenil 2
E: 1
F: 1 
Júnior 1
E: 0
F: 0 
Júnior 2
E: 0
F: 0 
Tênis  _____  _____  Infantil
E: 2
F: 0 
Infanto
E: 2
F: 0 
Juvenil
E: 0
F: 0 
_____ 
Tênis de Mesa  Pré-pré-mirim
E: 0
F: 0 
Pré-mirim
E: 0
F: 0 
Mirim
E: 0
F: 0 
Infantil
E: 0
F: 0 
Juvenil
E: 0
F: 0 
_____ 
a

Número médio de modificações em cada categoria de disciplinas do atletismo

b

Número de modificações por prova

O tênis foi o esporte que menos apresentou alterações, distinguindo-se do seu formato adulto apenas estruturalmente, na contagem de pontos e número de sets. Já o tênis de mesa não conta com qualquer tipo de adaptação estrutural ou funcional para a prática competitiva de crianças e jovens.

Discussão dos resultados

Os esportes coletivos são considerados modalidades de especialização tardia, por causa das características de desenvolvimento do praticante. A literatura especializada sugere que o início da prática sistematizada deva ocorrer por volta dos 10 a 12 anos de idade, após uma fase de experiências motoras diversificadas (Baker; Côté; Abernethy, 2003; Balyi, 2001).

Como consequência, o início competitivo desse grupo de modalidades deve ocorrer entre 12 e 14 anos, quando os jovens já conseguem suportar a carga física e psíquica de estresse envolvida no ambiente competitivo (Bompa, 2000; Côté; Baker; Abernethy, 2007).

Ao estudar atletas da seleção brasileira de futsal, Santana et al. (2006) obtiveram dados que indicavam que 18 dos 27 jogadores entrevistados iniciaram seu envolvimento competitivo federado na modalidade antes dos 10 anos de idade. Arena e Böhme (2004), analisando algumas federações esportivas de São Paulo, apontam que a Federação Paulista de Futsal organiza competições a partir dos 6 anos de idade. Esses resultados se assemelham aos da presente investigação e demonstram que o futsal é a modalidade esportiva que mais cedo promove a competição infantil. Apesar de difundido mundialmente, o futsal não tem uma federação internacional própria. Este fato pode favorecer o comprometimento da estrutura competitiva de menores, pois as entidades internacionais das demais modalidades indicam diretrizes para o envolvimento esportivo e competitivo de crianças e jovens (Santana; Ribeiro, 2010).

A Federação Paranaense de Futebol apresenta apenas quatro divisões etárias e um reduzido número de modificações competitivas. O tempo de jogo é a única alteração estrutural que a federação propõe. Costa et al. (2010) advogam que o aproveitamento das capacidades técnico-táticas de atletas em estruturas de jogo reduzido é superior quando comparado ao das estruturas formais de jogo, o que justificaria propostas funcionais na estruturação competitiva da Federação Paranaense de Futebol.

Entre as modalidades coletivas investigadas, a Federação Paranaense de Voleibol apresentou o maior número de modificações funcionais, além das alterações estruturais de altura de rede e dimensões de quadra e bola. Tal fato pode se justificar pelas particularidades da modalidade e pela necessidade de domínio dos fundamentos básicos para se obter a dinâmica do jogo. Essa reestruturação do jogo é descrita na literatura especializada como essencial para o aprendizado técnico, favorecendo também o aumento da motivação entre os praticantes (Mesquita, 2006).

Além da federação de voleibol demonstrar preocupação com a estruturação da competição infantil, representada pelo elevado número de modificações na categoria mini, as federações de basquetebol e handebol também apresentaram um considerável número de alterações. Muitos investigadores (Costa et al., 2010; Graça; Mesquita, 2002; Garganta, 2004) afirmam que o uso de jogos reduzidos deve ser parte estruturante do processo de ensino-aprendizagem dos esportes coletivos. Ao colocar o jovem praticante frente aos problemas do jogo, respeitando as mesmas regras de ação do jogo formal (ataque, defesa e transição), a sua participação é valorizada e, como consequência, há um maior desenvolvimento de autonomia do jogo, percepção, atenção e tomada de decisão, características cognitivas que são fundamentais para qualquer esporte coletivo.

Na análise dos esportes individuais, o início do envolvimento competitivo infantil nas modalidades de ginástica parece se desenvolver em idades tão baixas quanto o futsal. No entanto, ao descrever um modelo de formação esportiva de longo prazo, Balyi (2001) explica que os esportes coordenativos, caso das ginásticas, requerem uma preparação especializada mais cedo, pois, pelas características do desenvolvimento humano, até aos 10 anos a criança está na melhor fase para o aprendizado das capacidades coordenativas e para o desenvolvimento da flexibilidade (Weineck, 2004). Além disso, ginastas de menor peso e estatura têm vantagem biomecânica para a realização de movimentos acrobáticos, fato que incentiva a competição de seus praticantes nessas idades (Lopes; Nunomura, 2007).

No caso das lutas, em que as federações consultadas apresentaram ofertas competitivas também em idades reduzidas, investigadores da área (Breda et al., 2010) afirmam que esse envolvimento competitivo é justificado pela necessidade de desenvolver os aspectos culturais, que compreendem preceitos morais e éticos, característicos das artes marciais. Todavia, cabe ressaltar que a formação dos professores (mestres) ainda segue critérios próprios, e o seu desenvolvimento pedagógico é fundamentalmente empírico, baseado em experiências enquanto atletas (Fett; Fett, 2009). Dados preocupantes, uma vez que um trabalho sem princípios pedagógicos sustentados pode ser facilmente substituído por valores imediatistas de preparação, desrespeitando o desenvolvimento saudável de jovens atletas.

As federações de atletismo e natação, no que se refere às idades de iniciação, parecem estar de acordo com os pressupostos da formação esportiva na literatura consultada (Paes, 2006; Barros; De Rose, 2006; Balyi, 2001). Ao estudar o desenvolvimento de atletas no atletismo, Nascimento (2005) advoga que, em alguns países europeus e da América do Norte, o início da competição de crianças ocorre mais cedo. Especificamente no Brasil, o autor aponta que a maioria dos atletas adultos investigados em seu estudo – que tinham elevada expressão internacional – teve envolvimento competitivo tardio na modalidade, após a prática de outras atividades esportivas. Esses achados sugerem que o sucesso competitivo adulto não depende de um envolvimento infantil precoce na modalidade, corroborando os resultados de Brito, Fonseca e Rolim (2004), que, ao analisarem a carreira de atletas de diferentes provas de atletismo em Portugal, constataram que apenas 11% das meninas entre os primeiros lugares na categoria infantil mantiveram os resultados na categoria adulta.

Ao contrário dos demais jogos esportivos analisados, as federações de tênis e tênis de mesa não apresentam reestruturações das competições para menores em relação às competições adultas. O tênis se assemelha às particularidades do tênis de mesa quanto à funcionalidade do jogo e à atenção distributiva (Vilani; Lima; Samulski, 2002).

Entretanto, as dimensões do espaço de jogo são superiores, o que exige maior desempenho das capacidades condicionais, como força e velocidade. Por causa da complexidade técnico-tática e da aleatoriedade e imprevisibilidade de ações, que são características de qualquer jogo esportivo (Garganta, 2004), Cafruni (2002) sugere que os jogadores de tênis comecem a competir a partir dos 15 anos, diferentemente da idade de 10 anos definida pela Federação Paranaense de Tênis.

Considerações finais

A partir da análise dos documentos das 14 federações paranaenses, verificou-se que em todas as modalidades esportivas, com exceção do atletismo e natação, o início da participação em competições oficiais acontece antes dos 10 anos de idade. Com relação ao número de divisões propostas em cada federação, as categorias etárias variam entre quatro (futebol) e sete (voleibol, handebol e futsal).

As modalidades que mais apresentaram alterações são aquelas que envolvem maior complexidade técnica, especificamente o voleibol e a ginástica artística. O atletismo é a modalidade que mais tem divisões (corridas: rasas, médio e fundo; saltos e lançamentos), o que gera principalmente alterações estruturais (mudanças de distância, pesos, combinação de provas), buscando respeitar as condições energético-orgânicas de seus praticantes.

As alterações estruturais e funcionais demonstradas no presente estudo revelam preocupações com o melhor aproveitamento competitivo de jovens atletas, apanágio da formação esportiva de longo prazo. No entanto, a prematuridade do envolvimento competitivo pode favorecer um quadro de especialização precoce, pois crianças de faixa etária menor ainda não estão preparadas para suportar as excessivas cargas de estresse que a competição envolve, o que pode gerar sérias consequências ou, até mesmo, o abandono da prática esportiva.

As federações estaduais que regulamentam o futebol e o futsal, consideradas modalidades populares no país, não apresentaram modificações significativas em suas diferentes categorias. Tais evidências demonstram o baixo comprometimento e interesse dessas instituições em favorecer a formação esportiva de longo prazo, bem como o envolvimento saudável de crianças e jovens em sua prática.

Referências
[Arena and Böhme, 2004]
S.S. Arena, M.T.S. Böhme
Federações esportivas e organização de competições para jovens
Revista Brasileira de Ciência e Movimento, 12 (2004), pp. 45-50
[Armstrong and Welsman, 2005]
N. Armstrong, J. Welsman
Essay: Physiology of the child athlete
The Lancet, 366 (2005), pp. S44-S45
[Baker et al., 2003]
J. Baker, J. Côté, B. Abernethy
Sport specific training, deliberate practice and the development of expertise in team ball sports
Journal of Applied Sport Psychology, 5 (2003), pp. 12-25
[Balyi, 2001]
I. Balyi
Sport System Building and Long-Term Athlete Development in British Columbia
SportsMed BC, (2001)
[Barros and De Rose, 2006]
J. Barros, D. De Rose Jr.
Situações de stress na natação infantojuvenil: atitudes de técnicos e pais, ambiente competitivo e momentos que antecedem a competição
Revista Brasileira de Ciência e Movimento, 14 (2006), pp. 79-86
[Bompa, 2000]
J.O. Bompa
Total training for young champions
Human Kinetics, (2000)
[Breda et al., 2010]
M. Breda
Pedagogia do esporte aplicada às lutas
Phorte, (2010)
[Brito et al., 2004]
N. Brito, A. Fonseca, R. Rolim
Os melhores atletas nos escalões de formação serão igualmente os melhores atletas no escalão sénior? Análise centrada nos rankings femininos das diferentes disciplinas do Atletismo ao longo das últimas duas décadas em Portugal
Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 4 (2004), pp. 17-28
[Bunker and Thorpe, 1982]
D. Bunker, R. Thorpe
A model for the teaching of games in secondary schools
Bulletin of Physical Education, 18 (1982), pp. 5-8
[Cafruni et al., 2002]
Cafruni, C. Análise da carreira desportiva de atletas brasileiros. 2002. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Faculdade de Ciências do Desporto e Educação Física, Universidade do Porto. Porto, 2002
[Cardoso et al., 2007]
Cardoso, M.F. Para uma teoria da competição desportiva para crianças e jovens: um estudo sobre os conteúdos, estruturas e enquadramentos das competições desportivas para os mais jovens em Portugal. 2007. Tese (Doutorado em Educação Física) – Faculdade do Desporto e de Educação Física. Universidade do Porto, Porto, 2007.
[Costa et al., 2010]
I.T. Costa
Analysis of tactical performance of youth soccer players
The Open Sports Sciences Journal, 3 (2010), pp. 70-72
[Côté et al., 2007]
J. Côté, J. Baker, B. Abernethy
Practice and Play in the Development of Sport Expertise
Handbook of sport psychology, 3,
[Fett and Fett, 2009]
C.A. Fett, W.C.R. Fett
Filosofia, ciência e a formação do profissional de artes marciais
Motriz, 15 (2009), pp. 173-184
[Fonseca, 2004]
A. Fonseca
O abandono das práticas desportivas: Aspectos psicológicos
Desporto para crianças e jovens: razões e finalidades, pp. 265-288
[Garganta, 2004]
J. Garganta
A formação estratégico-táctica nos jogos desportivos de oposição e cooperação
Desporto para crianças e jovens: razões e finalidades, pp. 217-233
[Graça and Mesquita, 2002]
A. Graça, I. Mesquita
A investigação sobre o ensino dos jogos desportivos: Ensinar e aprender as habilidades básicas do jogo
Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 2 (2002), pp. 67-79
[Kirk, 2005]
D. Kirk
Physical Education, youth and lifelong participation: the importance of early learning experiences
European Physical Education Review, 11 (2005), pp. 239-255
[Lopes and Nunomura, 2007]
P. Lopes, M. Nunomura
Motivação para a prática e permanência na ginástica artística de alto nível
Revista Brasileira de Educação Física e Esporte., 21 (2007), pp. 177-187
[Mesquita, 2006]
I. Mesquita
Ensinar bem para aprender melhor o jogo de voleibol
Pedagogia do desporto, pp. 327-344
[Mesquita et al., 2009]
I. Mesquita, F. Pereira, A. Graça
Modelos de ensino dos jogos desportivos: investigação e ilações para a prática
Motriz, 15 (2009), pp. 944-954
[Nascimento et al., 2005]
Nascimento, A.C.S.L. Pedagogia do esporte e o atletismo: considerações acerca da iniciação e da especialização esportiva precoce. 2005. Dissertação (Mestrado em Educação Física) – Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2005.
[Paes, 2006]
R. Paes
Pedagogia do esporte: especialização esportiva precoce
Pedagogia do desporto, 1, pp. 219-226
[Rotella and Bunker, 1998]
B. Rotella, L. Bunker
Parenting your superstar: how to help your child balance achievement and happiness
Triumph Books, (1998)
[SANTANA and Ribeiro, 2010]
W. SANTANA, D. Ribeiro
Idades de início de atletas de futsal de alto rendimento na prática sistemática em competições federadas da modalidade
Revista Pensar a Prática, 13 (2010), pp. 1-17
[Santana et al., 2006]
Santana, W.C., Reis, H.B., Ribeiro, D. A iniciação de jogadores de futsal com participação na Seleção Brasileira. Revista EFDeportes, Buenos Aires, año 11, n. 96, 2006 Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd96/futsal.htm. Acesso em: 29 de junho de 2011.
[Silva et al., 2001]
F.M. Silva, L. Fernandes, F.O. Celani
Desporto de crianças e jovens – um estudo sobre as idades de iniciação
Revista Portuguesa de Ciências do Desporto, 1 (2001), pp. 45-55
[Vilani et al., 2002]
L.H.P. Vilani, F.V. Lima, D.M. Samulski
Atenção e Concentração no Tênis de Mesa: Síntese e Recomendações para o Treinamento
Temas atuais VII: Educação Física e esportes., pp. 173-190
[Weineck, 2004]
J. Weineck
Treinamento ideal
9, Manole, (2004)
Copyright © 2014. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte
Idiomas
Revista Brasileira de Ciências do Esporte

Receba a nossa Newsletter

Opções de artigo
Ferramentas
es en pt
Política de cookies Cookies policy Política de cookies
Utilizamos cookies propias y de terceros para mejorar nuestros servicios y mostrarle publicidad relacionada con sus preferencias mediante el análisis de sus hábitos de navegación. Si continua navegando, consideramos que acepta su uso. Puede cambiar la configuración u obtener más información aquí. To improve our services and products, we use "cookies" (own or third parties authorized) to show advertising related to client preferences through the analyses of navigation customer behavior. Continuing navigation will be considered as acceptance of this use. You can change the settings or obtain more information by clicking here. Utilizamos cookies próprios e de terceiros para melhorar nossos serviços e mostrar publicidade relacionada às suas preferências, analisando seus hábitos de navegação. Se continuar a navegar, consideramos que aceita o seu uso. Você pode alterar a configuração ou obter mais informações aqui.