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Vol. 37. Núm. 3.
Páginas 258-264 (Julho - Setembro 2015)
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Vol. 37. Núm. 3.
Páginas 258-264 (Julho - Setembro 2015)
Artigo original
DOI: 10.1016/j.rbce.2012.03.001
Open Access
Estádio do Maracanã: dos alicerces ao colosso do derby
Maracanã stadium: the foundations to the Colossus of Derby
Estadio de Maracanã: las bases para el coloso del Derby
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2407
Ana Beatriz Correia de Oliveira Tavaresa,
Autor para correspondência
ana.tavares@ifrj.edu.br

Autor para correspondência.
, Sebastião Josué Votreb
a Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
b Programa de Pós‐Graduação em Ciência do Exercício e Esporte, Instituto de Educação Física e Desporto, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Rio de Janeiro, RJ, Brasil
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Resumo

As construções esportivas, verdadeiros templos do esporte, são exemplos de lugares com significados simbólicos, culturais e emocionais. Lugares que formam uma consciência que perpassa gerações e constroem uma memória social repleta de representações. O presente artigo tem como objetivo analisar reportagens veiculadas pelo Jornal dos Sports sobre o Estádio Jornalista Mário Filho – Maracanã, desde a época das discussões do projeto inicial até sua inauguração. Procurando inferir, por meio da análise do conteúdo (Bardin, 2011), como essas notícias contribuíram para que o estádio tenha se tornado um símbolo nacional.

Palavras‐chave:
História
Futebol
Estádio
Representação
Abstract

The sports constructions, which are genuine temples of the sport, are examples of places with symbolic meanings, cultural and emotional. Places that make up a consciousness that crosses generations, building a social memory full of representations. This article aims to analyze the reports published on the Journal of Sports about the Journalist Mario Filho Stadium – Maracanã, from the time of the initial project discussions until his inauguration, realizing, through a content analysis (Bardin, 2011), how these reports were significant in transforming the stadium into a national symbol.

Keywords:
History
Soccer
Stadium
Representation
Resumen

Los edificios deportivos, que son importantes templos del deporte, son ejemplos de lugares con significados simbólicos, culturales y emocionales. Localidades que conforman una conciencia que atraviesa las generaciones, creando una memoria social plena de representaciones. En este artículo se pretende analizar los informes publicados en el Jornal of Sports sobre el estadio Periodista Mario Filho – Maracaná, desde el momento de la discusión inicial del proyecto hasta su inauguración, de modo que, a través de un análisis de su contenido (Bardin, 2011), podemos descubrir cómo estas noticias contribuyeron a que el estadio se ha convertido en un símbolo nacional.

Palabras clave:
Historia
Fútbol
Estadio
Representación
Texto Completo
Introdução

A cidade, exemplo de construção do homem, nos mostra que, à medida que avançamos no tempo, as sociedades vão se modificando, as paisagens naturais vão perdendo espaço para as obras construídas. De acordo com Santos (2008, p. 62): “Cria‐se uma configuração territorial que é cada vez mais o resultado de uma produção histórica e tende a uma negação da natureza natural, substituindo‐a por uma natureza inteiramente humanizada”. E é nessas cidades humanizadas que toda uma dinâmica social vai acontecendo, onde se busca um entendimento das relações entre as pessoas, de seus comportamentos, bem como de seus sentimentos e da própria história desses lugares.

Exemplo então de produção artificial, a cidade vai sendo aos poucos construída, com vários lugares, cada qual com suas características e funções que os tornam singulares. A experiência nos locais em que circulamos, sejam locais de trabalho, de lazer, do lar, transforma os espaços, escuros, indeterminados, desconhecidos em lugares claros, determinados, conhecidos, que viram uma referência de pertencimento e identidade. É um lugar humanizado, provido de valor, de afetividade e de simbolismos (Tuan, 1983).

Esses lugares, somatórios de dimensões simbólicas, culturais e emocionais, vão formando uma consciência que perpassa gerações e que vai se solidificando, construindo uma memória social. Dentre esses lugares singulares temos os lugares públicos, elementos importantes na consolidação de uma cidade, que segundo Arantes (1995) são duradouros, ao contrário do que sucede com os edifícios particulares. Esses espaços representam a comunidade na qual eles se integram, são o local onde manifestações, práticas, identidades sociais e imagens são criadas e recriadas a todo o momento. O espaço é a própria sociedade (Santos, 2008).

Hannah Arendt (2007) conceitua como público tudo aquilo que pode ser visto e ouvido por todos e por nós mesmos. Essa aparência constitui a realidade e a visibilidade proporcionada por essa aparência garante a nossa própria realidade e a realidade do mundo. Essa esfera pública que é o próprio mundo reúne os indivíduos e estabelece uma relação entre eles, mas ao mesmo tempo evita uma colisão. A esfera pública não deve ser vista como um espaço limitado onde os indivíduos apenas habitam, mas sim como um espaço de interposição entre os homens que constroem e habitam o mundo. Arendt fala ainda que esse mundo, com seus espaços, deve transcender a duração da vida dos homens para que gerações futuras possam usufruir dele, constituindo‐se assim a memória de uma sociedade. Sem essa transcendência a esfera pública, com seus espaços e suas histórias, se torna inviável.

A convivência com esses espaços cria nos indivíduos um sentimento de pertencimento ao lugar, que é solidificado não só pelo projeto inicial de construção, mas também pelos eventos que ocorrem em seu interior. Ter uma compreensão do projeto inicial, das discussões em torno de uma construção, de como eram veiculadas as informações para a população é fundamental para o entendimento do próprio espaço, dos significados atribuídos a ele e consequentemente de nossa sociedade. Olhar o lugar de perto e de dentro é importante para entendermos a relação entre espaço, cidade e sociedade (Magnani, 2002).

Entre os lugares de uma cidade, o estádio de futebol é uma obra arquitetônica que se destaca. É um local de grande importância no mundo esportivo, cenário de inúmeros jogos, que reúne milhares de indivíduos. Menezes (2009) destaca que a organização física e arquitetônica do território, juntamente com as práticas de uso e apropriação de um espaço, é um elemento constituinte das imagens culturais e urbanas de uma comunidade.

Construção da cidade, que tem uma linguagem específica e um discurso próprio, o estádio é um marco visual na paisagem urbana. Para a arquitetura, não existe dúvidas quanto ao “lugar” constituir um conjunto analisável de signos. São lugares que proporcionam uma vista exterior que é a primeira experiência que temos do que acontecerá no interior e onde se estabelece um diálogo com esse espaço.

Para entender o senso, a atmosfera do lugar que queremos abordar, seus sentidos e significados, devemos primeiro contextualizá‐lo no tempo. Analisar como uma construção foi idealizada e realizada ajuda na compreensão de seu valor e de sua singularidade. Tudo começa no evento da construção e também na sua forma e função. Por meio dessas análises, podemos perceber como os indivíduos usam e representam esse lugar e como ele se torna um ícone para uma sociedade (Vertinsky e Bale, 2004).

Decisões metodológicas

A metodologia usada foi a análise do conteúdo proposta por Laurence Bardin (2011, p. 48), que a define como

um conjunto de técnicas de análise das comunicações, visando a obter por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimento relativo às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) dessas mensagens.

Para alcançar nosso objetivo, escolhemos como fonte o Jornal dos Sports, por ser um jornal específico da área esportiva. O periódico foi fundado em 13 de março de 1931 por Argemiro Bulcão e somente em 1936 foi comprado por Mário Filho, que o dirigiu até 1966. As edições diárias só não eram publicadas em algumas segundas‐feiras, quando os trabalhadores da gráfica eram impedidos de trabalhar no domingo pelo sindicato (Couto, 2010). O jornal encerrou suas atividades em 2010. Sobre a fonte usada, Bauer e Gaskell (2008) ressaltam que as pesquisas sociais apoiam‐se em dados sociais que são construídos nos processos de comunicação. Esses processos podem usar modelos informais e formais. No nosso caso, optamos pelas comunicações formais construídas por meio dos textos de jornais.

Seguindo a metodologia da análise do conteúdo, definimos o tema como unidade de registro, pois segundo Bardin (2011, p. 135) “fazer uma análise temática consiste em descobrir os ‘núcleos de sentido’ que compõem a comunicação e cuja presença, ou frequência de aparição, pode significar alguma coisa”. Analisamos as manchetes e as notícias veiculadas na primeira página por atingir um maior número de pessoas, pois mesmo os que não compravam os jornais tinham a possibilidade de acompanhar às notícias ao passar pelos locais de vendas. As reportagens internas foram definidas como unidades de contexto, analisadas como suporte para uma melhor compreensão do tema estudado. Selecionamos o período compreendido entre 1947, ano em que se iniciam as discussões sobre a necessidade da construção de um estádio para receber os jogos da Copa do Mundo, até 1950, ano da sua inauguração.

A partir das leituras, categorias de consenso foram aparecendo com certa frequência. Como veremos, num primeiro momento as notícias traziam ideias de nacionalismo, pátria e povo. E num segundo momento as referências eram magnitude, grandiosidade, beleza e até mesmo força e poder de se fazer uma obra de tamanha proporção.

Análises

O estádio é então um espaço singular de uma cidade que traz e mantém a memória de uma comunidade, ele segue padrões que acompanham nossa história. Sobre essas fases históricas, Cereto (2004) afirma que no Brasil, num primeiro momento, as construções de estádios acompanharam o início das discussões sobre a necessidade das cidades brasileiras construírem esses espaços, ideia atrelada à divulgação do esporte no Brasil.

Posteriormente, o país passa pelo momento de afirmação do nacionalismo. É promovida então uma avalanche de estádios em todos os cantos do país, estádios com dimensões grandiosas que contribuíam para uma imagem do maior e melhor país do mundo.

Mas é somente numa terceira fase que a excelência chega às produções brasileiras e serve de referência internacional. O exemplo mais importante dessa fase é o Maracanã, que aparece com um espaço exclusivo para o futebol e mostra a preocupação de estabelecer uma ligação entre estádio e cidade, propor um espaço que ultrapasse o esporte e sirva também para o entretenimento e lazer dos indivíduos.

A história do Maracanã se inicia em 1938 com a ida, como delegado brasileiro, do jornalista Célio de Barros ao XXIV Congresso da Fédération Internationale de Football Association (Fifa), durante a Copa do Mundo em Paris. A ideia era apresentar a candidatura do Brasil para sediar a Copa do Mundo de 1942; nesse momento a questão do estádio já se configurava um problema a ser pensado pelos dirigentes, pois nenhum dos estádios brasileiros apresentava condições de receber os jogos. O estádio do Vasco da Gama era o que tinha maior capacidade, 40 mil pessoas, e o estádio do Pacaembu, na época, era só um projeto, ainda seria construído, e por isso a candidatura do Brasil não era promissora.

Mas, com a interrupção das Copas de 1942 e 1946 em virtude da Segunda Guerra, a candidatura do Brasil só seria relançada, pelo mesmo Célio de Barros, em 1946, no XXV Congresso da Fifa, em Luxemburgo. Com a Europa destruída, o Brasil levou vantagem e teve sua candidatura aprovada (Bueno et al., 2010). A partir desse momento, outros dirigentes chamaram atenção para o fato de que era necessário o Brasil ter um grande estádio, à altura de receber um evento internacional.

As discussões se iniciam e os meios de comunicação acompanham e informam a população por meio de seus noticiários. Estampadas nas primeiras páginas do Jornal dos Sports, as notícias ganham espaço com a proximidade da Copa do Mundo de 1950, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra decide encampar um projeto para se construir um estádio nacional na capital federal, Rio de Janeiro, que até então tinha como principal palco esportivo o Estádio de São Januário.

Nesse primeiro momento, retratado pelos jornais publicados em 1947, o assunto era polêmico, não se sabia se a empreitada para os jogos mundiais seria construir um novo estádio ou reformar o de São Januário, aumentar sua capacidade e urbanizar as áreas adjacentes. No Jornal dos Sports de 14 de maio de 1947 o que circulava era a impossibilidade da construção pela falta de tempo e uma certeza na reforma, o que gerava outra polêmica sobre quem arcaria com os gastos, se a Confederação Brasileira de Desportos ou o Clube Vasco da Gama.

Exemplo dessa incerteza acompanhada pela população era o jornal do dia seguinte, 15 de maio, que, ao contrário do dia anterior, anunciava a possibilidade da construção dentro do projeto do presidente Dutra, que defendia a ideia de que o Brasil deveria ser dotado de praças esportivas espalhadas por diferentes regiões do território.

Volta o assunto à ordem do dia, agora com ampla intensidade, dada a aproximação da época assentada para o magno certame internacional. E todas as vozes apontam como de inadiável realização, clamam para que se não negue à nossa Pátria o direito de demonstrar a todos os povos do mundo o alto grau de cultura que devotamos às coisas do esporte, inegavelmente o maior fator para a difusão dos princípios cívicos e eugênicos da nossa gente (Estádio, 1947, p. 1).

De acordo com as leituras do referido periódico, inferimos que a construção do estádio era um assunto que tinha como motor principal os jogos da copa, mas atrelado a isso vinham todas as questões de interesses políticos da época, como sermos o maior, termos uma sociedade saudável e obediente à pátria por meio do esporte.

A partir dessa ideia o Conselho Nacional de Desportos teve a prerrogativa de constituir comissões para tratar da construção de praças esportivas e do estádio nacional. Inicia‐se a campanha para o estádio nacional, campanha necessária devido às inúmeras contradições e oposições que o tema levantava. Apesar da calma com que o assunto vinha sendo tratado, a proximidade dos jogos obrigou que os parlamentares da Câmara dos Deputados discutissem o tema.

No mesmo período, os jornais mostravam que, no âmbito municipal, as discussões versavam sobre a reforma de São Januário ou a construção de um estádio municipal, ideia que continuava em cogitação, apesar de o tempo para a construção a fim de receber os jogos da Copa do Mundo ser cada vez mais exíguo.

As notícias, nesse 1947, eram quase que diárias. Com isso a sociedade acompanhava todo esse processo inicial e podia formular suas opiniões e representações sobre o assunto. A ideia central veiculada na mídia era a de que o Brasil precisava de um estádio à altura de um país forte para abrigar os jogos internacionais, mas isso demandaria tempo e dinheiro, além de toda uma logística na construção de tal empreendimento, como casas desapropriadas, urbanização etc. Os defensores da construção lembravam os benefícios que o estádio traria para a população, tanto no campo da saúde pública como na área da prática desportiva. A opinião contrária, por sua vez, era a de que tal empreendimento usaria verbas públicas que deveriam servir para a construção de hospitais e escolas. Essas discussões apareceram por todo período inicial até a votação final que definiria se seria ou não construído um estádio.

O trabalho das comissões instituídas pela Confederação se intensifica em prol da construção de um estádio. Com a apresentação de uma maquete, em uma reunião no Ministério da Educação, o jornal publica na capa de 21 de maio “Será o maior do mundo!” e ainda no texto registra: “Iniciadas as atividades para a construção do estádio nacional – lotação para 160.000 pessoas – a concepção que supera o Coliseu, contém o que há de mais moderno em superestrutura de concreto” (Será, 1947, p. 1).

De acordo com as notícias veiculadas pelo jornal, no fim de maio a comissão se reúne com o prefeito do Distrito Federal para averiguar com esse o interesse na construção do estádio. Hildebrando de Góes, então prefeito, se mostra bastante simpático à ideia de uma praça esportiva na capital, pois julgava estar satisfazendo um interesse da coletividade. Fica resolvido, a partir das considerações feitas nessa reunião, que o prefeito enviaria à Câmara de Vereadores uma mensagem solicitando a votação do crédito já devidamente calculado para o início imediato das obras. Restaria o impasse da cessão de um terreno pela prefeitura para a obra, ponto que dependeria de aprovação do Legislativo.

Questões administrativas resolvidas, as notícias publicadas eram sempre a de que o Brasil precisava de um lugar à altura para receber a competição internacional. Como exemplo a manchete de dia 1° de junho: “Que o campeonato do mundo encontre um cenário condigno” (Que, 1947, p.1). Mas as questões financeiras também poderiam se tornar um impasse para tal empreitada e, atrelado a isso, surgiu uma discussão quanto à natureza municipal ou federal do estádio, o que evidentemente iria determinar o órgão responsável pelo seu financiamento. Interessante é que essa discussão sobre as esferas federal e municipal foi o combustível para que se iniciassem posicionamentos nacionalistas e, consequentemente, notícias de que essa discussão deveria ser superada, pois o estádio, necessário para receber a Copa do Mundo, seria do povo, seria do Brasil e era um compromisso internacional que deveria ser honrado pela nação. Esses eram discursos importantes que o Jornal dos Sports mostrava em suas notícias a partir desse momento. Na posse do novo prefeito Ângelo Mendes de Morais, após a exoneração de Hildebrando de Góes, o texto publicado em 7 de junho exemplifica essa fase:

Não há como, pois, fugir do dilema que não é de ninguém, mas de todos os brasileiros: construa‐se já o estádio, ou confesse‐se a falência da nossa a capacidade organizadora transferindo a outrem a oportunidade de aparecer como país sede do evento que concentrará as atenções do mundo (Entusiasta, 1947, p. 1).

O projeto foi plenamente apoiado por Mendes de Moraes, que escolheu como local para construção a área do antigo Derby Clube, uma arena para corrida de cavalos, no bairro da Tijuca. O apoio do prefeito rendeu alguns meses nos quais as notícias eram sempre otimistas. As manchetes anunciavam a grandiosidade da obra esperada por todos após as discussões iniciais acompanhadas de perto pela população. “Capacidade para 200 mil torcedores. Iniciado o estudo dos planos para a construção do estádio no Derby Club” (Capacidade, 1947, p. 1). O projeto ainda previa solução de problemas urbanísticos, como inundações na região, o que fazia da população uma massa de admiradores em prol do empreendimento.

Talvez esse tenha sido um importante momento na construção de representações sobre o estádio. Quando finalmente chega‐se à conclusão de que seria municipal, com a esfera federal auxiliando no que preciso fosse, as notícias versavam sobre o estádio como um monumento, “perfeito e melhor condizente com as últimas conquistas da moderna arte de construção e os grandes adiantamentos feitos na armação de estruturas monumentais” (Reuniu‐se, 1947, p. 1); “O mais perfeito da atualidade” (O mais, 1947, p. 4).

Em 16 de julho o Jornal dos Sports publica os quesitos que os arquitetos interessados na obra deveriam cumprir: estádio fechado, curva perfeita em forma de elipse, movimento do público por meio de rampas; perfil das arquibancadas em parábola para balancear a visão; lotação mínima para 120.000 espectadores sentados e 30.000 de pé, entre outras considerações que seriam apresentadas pelo projeto final.

Um grupo de quatro arquitetos resolveu se unir para a feitura do projeto. Segundo o jornal, eles deixariam de ser concorrentes para tratar do assunto “de forma mais patriótica possível” (Nacional, 1947, p. 1). Enquanto as notícias continuavam a circular com as ideias de patriotismo, estádio do povo, grandiosidade, monumentalidade, a fase era de decisões finais como financiamento da obra, urbanização da área, permuta de terrenos e outros assuntos, para que finalmente fosse o projeto aprovado e se iniciasse a construção.

O prefeito, na carta enviada à Câmara com o projeto do estádio, expõe os objetivos da construção e mais uma vez podemos perceber a ligação entre estádio, esporte e o povo. Alguns trechos da carta publicada em 9 de agosto demonstram a relação que se pretendia com a construção:

o povo carioca realiza no desporto o saudável derivativo que afugenta ou amortece a fadiga do trabalho [...] a atividade esportiva favorece o clima de comunhão necessário à vida dos povos [...] a juventude que frequenta o estádio faz a cultura da vida, o estádio é escola antes de ser teatro (Não haveria, 1947, p. 4).

No fim da carta aparece o convite à população para que se mobilize, se solidarize e junte forças na empreitada que só traria orgulho para a nação.

Esse projeto de Mendes de Moraes foi duramente questionado pelo seu principal inimigo político, o deputado federal Carlos Lacerda, que reclamava não só dos gastos necessários para mobilizar a construção do estádio como também do local escolhido pelo prefeito, alegando que seria melhor para a cidade se a construção fosse feita na Zona Oeste, mais especificamente no bairro de Jacarepaguá. Quanto ao local, todos sabiam dos inevitáveis impasses que a construção traria para os moradores da Zona Norte, como seria em qualquer outra parte da cidade.

Os debates separavam as pessoas em grupos contra e a favor da obra e principalmente construíam representações sobre o estádio. Para os defensores, o gasto com esporte não interferiria em outros gastos, o estádio seria autônomo, como os clubes, e os gastos seriam posteriormente ressarcidos ao Poder Público. Logo, não haveria prejuízos no âmbito social.

Exemplos desses posicionamentos antagônicos são as entrevistas concedidas ao jornal que durante alguns meses publicou uma enquete com os vereadores sobre o tema. Em 5 de setembro o jornal publicava em sua capa: “Que venha um e mais estádios, mas que as crianças e os humildes possam também desfrutar os seus benefícios” (Que venha, 1947, p. 1). Essa declaração da vereadora Sagramor de Seuvero mostra a clara preocupação com que fosse um espaço que também atendesse às grandes massas. Esse posicionamento atrelava o voto a favor da construção com a finalidade que teria esse estádio pós‐Copa do Mundo. A vereadora queria um grande plano que entrosasse, dentro das finalidades públicas que teria o empreendimento, benefícios não só para os que pudessem comprar o ingresso de entrada para um jogo de futebol, “mas também para que as crianças, jovens e velhos dos subúrbios, morros, favelas e casas de cômodo tivessem seu lugar ao sol no concerto esportivo e social da metrópole” (Que venha, 1947, pg. 1). Esse discurso colaborava para a ideia de que seria um estádio do povo e para o povo. O assunto era tão conturbado que essa mesma vereadora, que era a favor da construção, no momento de discussão na Câmara votou contra.

Também participou da referida enquete o vereador Leite de Castro, esse que se achava a primeira voz na aprovação das obras não poderia se posicionar contra por ser uma espécie de representante dos esportistas do Rio de Janeiro e de todo Brasil. Para ele a construção era uma questão da cidade, e não de grupos políticos ou de grupos da população. Em 6 de setembro o Jornal dos Sports publica a entrevista com a opinião do vereador:

A questão é da cidade e não foi criada por ninguém, pois como impõe o crescimento da urbi nas obras públicas de vulto, tais como abertura e alargamento de ruas, empreendimentos de assistência social etc., assim também urge, como corolário desse determinismo urbanístico, a instalação de praças esportivas para o cumprimento da inapelável necessidade mental e corporal que o esporte significa para o povo (O pensamento, 1947, p. 4).

Esse debate, mostrado pelo periódico, era praticamente diário e exaustivo e de acordo com o relato de alguns políticos acabava ocupando um tempo e um espaço que deveriam servir para discussões de outras questões mais importantes da sociedade. Porém, com a proximidade da Copa do Mundo de 1950, era imprescindível que se ultrapassasse essa fase para que enfim o estádio pudesse ser reerguido. O jornal acabava servindo para passar as reflexões e os posicionamentos dos vereadores para a sociedade e assim contribuía para a formação de um imaginário sobre as polêmicas e sobre o próprio estádio.

O Jornal dos Sports, que tinha como diretor um grande defensor da obra, o jornalista Mário Rodrigues Filho, acabava não ficando neutro nessa disputa. Tamanhas eram as discussões sobre o tema que o jornal criou uma coluna chamada Batalha do Estádio, que em 9 de setembro publicava na capa: “Obstruem os trabalhos os inimigos do esporte” (Batalha,1947, pg. 4). Manchete que mostra também que as disputas iam além da simples construção, eram embates no campo político, que refletiam interesses diferentes nesse cenário e nos quais a obstrução da obra era também uma forma de oposição política.

Notamos nas reportagens publicadas que a vinculação da construção não era somente com a questão dos jogos do campeonato mundial de 1950, estava atrelada também às questões políticas, financeiras, sociais e turísticas que apareceriam com a copa e que se perpetuariam para a sociedade em geral. Em 11 de setembro o jornal publicava que a Câmara de Vereadores tinha aprovado, em primeira discussão, o projeto Iguatemy Ramos que autorizaria a Prefeitura a construir um grande estádio e outras praças esportivas nos subúrbios. Em 2 de outubro, a notícia de aprovação em segunda e terceira discussão foi dada pelo jornal como a vitória de uma batalha e o início de uma nova etapa, a da obra.

Mesmo com uma forte oposição, Mendes de Moraes conseguiu realizar o projeto, principalmente devido ao apoio de Mário Filho. Foi um início marcante para o que se tornaria posteriormente um símbolo de grandiosidade, de vitórias, de fracassos, de alegrias e outros sentimentos que cada um nutre pelo que foi um dia o maior estádio do mundo.

De acordo com as notícias, a concorrência pública para a construção do estádio ocorreu ainda em 1947 e o projeto vencedor previa um estádio com capacidade para mais de 155.000 pessoas, o que faria dele o maior do mundo. As obras iniciaram‐se em 1948. O Jornal dos Sports, durante 1948 e 1949, continuou cobrindo passo a passo a construção, informando a população sobre cada acontecimento.

Com a criação de uma autarquia para a administração do estádio, pôde‐se enfim assinar os contratos com as empresas responsáveis pela obra. Durante esses dois anos as publicações versavam sobre a impressionante capacidade de se construir tal empreendimento, sempre enaltecendo os brasileiros por essa conquista. As fotos do estádio eram frequentes na capa das publicações e serviam para os indivíduos acompanharem cada degrau da arquibancada que ia surgindo e cada etapa que se finalizava.

Em 1950 a construção entrou na reta final, a grandiosidade, a magnitude e a beleza eram tão visíveis que autoridades do país e do exterior que visitavam o estádio parabenizavam a nação pelo feito. A fama de colosso do Derby era internacional e a inauguração, prevista inicialmente para maio, foi marcada para 16 de junho de 1950, com uma cerimônia para autoridades, e no dia 17 para o povo. Povo que acabou tendo um papel importante nessa batalha em prol da vitória, colaborando desde o apoio à construção até a ajuda financeira com a compra de cadeiras cativas.

Em 16 de junho o Jornal dos Sports teve sua capa quase inteiramente dedicada à entrega do estádio, manchetes e reportagens retratam o momento:

Entrega do maior estádio do mundo ao povo! – o Colosso! (...) inaugura‐se o monumento do derby – O nosso Estádio! Enorme. Majestoso. Imponente. Ali está ele plantado nos terrenos do antigo Derby Clube, como um símbolo de fé nos homens do Brasil. Em sua magnificência de concreto armado, assombrando os filhos de outras terras quando informados do tempo em que foi erguido, só ele será bastante para consagrar na memória da posteridade a lembrança de uma administração (Entrega, 1950, p. 1)

E em 17 de junho de 1950 finalmente a população pôde estar presente no estádio municipal. O jogo festivo entre Rio e São Paulo recebeu em torno de 150.000 espectadores, pessoas de todos os cantos que acompanharam nesses quase quatro anos todas as discussões, polêmicas, ideias em torno desse monumento. E o jornal conseguiu captar toda a atmosfera desse dia, talvez a mesma atmosfera que presenciamos nesses 60 anos em dias de jogos dentro desse templo do esporte. O Jornal dos Sports publica:

[...] com verdadeiras multidões se deslocando do todos os bairros da cidade [...] confundidos alegremente, homens, mulheres e crianças utilizando‐se de todos os meios de transportes e ao seu alcance tomando rumo ao estádio, rumo da maravilha arquitetônica que simbolizará eternamente a vontade e a energia dos brasileiros. Seguiam satisfeitos, sem lamentar as dificuldades surgidas, certos de que todos os sacrifícios seriam recompensados pelo espetáculo [...] cada um como entrando em sua casa – o bom humor e a satisfação diziam bem da importância da obra e quanta alegria veio ela causar no seio da massa esportiva [...] o homem do povo, o operário, o estudante, o granfino, enfim todos os setores da vida social de uma grande metrópole demonstravam que tudo estava perfeito, que não havia reclamações. (Aos esportes, 1950, p. 8)

A obra, que contou em média com três mil operários e na sua reta final com mais de 10 mil, trabalhando manhã, tarde e noite na construção do estádio, contrariou muitas previsões pessimistas da época, e ficou pronta em 665 dias, a tempo de abrigar os principais jogos da Copa do Mundo do Brasil. Ressalte‐se, entretanto, que o fim definitivo das obras só se deu quase 15 anos depois, em 1965. Em homenagem ao empenho de Mário Filho, o estádio recebeu o nome oficial de Jornalista Mário Filho, mas é conhecido mundialmente como Estádio do Maracanã (Sergio, 2000).

Maracanã, palavra que vem do tupi, significa maracá (chocalho) com (semelhante). É um papagaio grande conhecido no norte do país como Maracanã‐guaçu. O som emitido pela ave é semelhante ao de um chocalho, daí o nome dado pelos indígenas. Habitavam em grandes bandos a região do Derby, antes da construção do estádio. É também o nome do rio que passa em frente ao estádio e que dá nome ao bairro onde está localizado.

O estádio, que chegou a receber públicos com mais de 180.000 pessoas, foi realmente durante muito tempo o maior do mundo, porém, ao longo do tempo, vem sofrendo constantes reformas. Uma delas ocorreu em 1999/2000, quando as arquibancadas foram setorizadas e cobertas por assentos que reduziram sua capacidade quase à metade. Essas modificações visavam a atender às normas da Fifa, como, por exemplo, segurança dos torcedores. Mas, para alguns pesquisadores (Cruz, 2005), essas alterações também podem estar a serviço de uma lógica econômica que transforma até o jeito de os torcedores se comportarem no estádio.

Atualmente ele passa por uma reestruturação como nunca feita anteriormente. Para sediar eventos internacionais como a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, a modernização foi uma imposição para que ele pudesse receber os jogos desses eventos. O projeto mostra que ele entrará para o rol dos estádios mais modernos do mundo, cumprindo cada uma das exigências da Fifa, da segurança à modernidade, passando pelo conforto dos torcedores.

Com essa reestruturação, possivelmente ele pode gerar novas representações, mas certamente continuará sendo um dos mais emblemáticos estádios do mundo, com sua atmosfera especial. A partir das experiências vivenciadas pelos indivíduos, ele será sempre um lugar de memória para nossa sociedade.

Segundo Vertinsky e Bale (2004, p. 37), “experiência do estádio é uma combinação de senso e de pensamento. Estádios, e eventos que ocorrem dentro deles, não podem ser plenamente compreendidos a menos que alguém os experimente”. A experiência vem dos diferentes modos pelos quais uma pessoa conhece e constrói a realidade.

Considerações finais

A construção arquitetônica, que cria linguagens, representações, com diversos sentidos para os indivíduos, é considerada por Coelho Neto (2009, p. 14) “como a grande (e talvez realmente a única) forma de expressão artística que se não é conscientemente dedicada às grandes massas, é, pelo menos, aquela a que essas têm acesso do modo mais imediato possível”. E,essa acessibilidade imediata pode facilitar a criação de símbolos significativos para uma sociedade, como é o caso de estádios esportivos, onde mesmo aqueles que não conseguem entrar podem usufruir dele por meio da visibilidade.

Vimos então que o Maracanã é uma possibilidade de espaço no qual a memória de uma sociedade se perpetua. Desde o projeto polêmico no aspecto político, passando pela construção, com a grandiosidade dos números envolvidos de funcionários e materiais necessários, até os eventos que ali acontecem, como a histórica derrota para o Uruguai na própria Copa de 1950, são momentos que foram relatados pela mídia que ficam registrados e que são relembrados com certa frequência e vão construindo, além da memória, um imaginário, uma representação sobre esse espaço.

O modo como os indivíduos sentem e representam o “lugar” tem relação direta com o tipo de espaço e de construção, mas também é estabelecido por meio das informações passadas pelos meios de comunicação sobre todo o processo. Por meio da análise do conteúdo (Bardin, 2011) inferimos que, em um primeiro momento, o objetivo era fazer aparecer um espírito nacionalista, palavras como “do povo”, “nacional”, “nossa nação” bombardeavam as capas do jornal. A população deveria contribuir para tal empreitada, seja acompanhando as discussões, seja financiando por meio da compra de cadeiras cativas. Após a vitória desse primeiro momento, com a definitiva permissão para o início das obras, surgem as expressões de grandiosidade e magnitude. “Colosso do Derby”, “vias colossais”, “obra majestosa” e “o maior do mundo” são manchetes amplamente usadas pelo Jornal dos Sports, que além de contribuir para a construção de uma representação positiva sobre esse símbolo nacional também mostram a força do Brasil e do povo brasileiro.

Segundo Augé (1994), pode‐se destruir ou construir um espírito comunitário, um sentimento de identificação e pertencimento de acordo com o espaço fornecido. E também com as informações veiculadas pelos meios de comunicação. Notamos que um estádio, no caso o Maracanã, com todas as suas peculiaridades, instalações, seu acesso e sua forma pode contribuir para sentimentos, por exemplo, de alegria, identidade, comoção e poder. As pessoas se mostram satisfeitas, alegres, quando se movimentam por espaços abertos. Segundo Coelho Neto (2009, p. 50), “não há como negar: o espaço livre é o lugar de libertação do homem, um espaço de festa”.

Entender como os torcedores representam o estádio, quais os sentidos e significados do Maracanã, num momento de reestruturação no qual um novo estádio vai surgir, será objetivo de um estudo posterior que nos auxiliará no entendimento das relações entre espaço e indivíduo, relação essa que reflete nossa própria sociedade.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências
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