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Vol. 40. Núm. 4.Outubro - Dezembro 2018
Páginas 337-444
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Vol. 40. Núm. 4.Outubro - Dezembro 2018
Páginas 337-444
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DOI: 10.1016/j.rbce.2018.04.008
Open Access
Relação da força muscular com equilíbrio estático em idosos – comparação entre pilates e multimodalidades
Relationship of muscle strength with static balance in elderly – comparison between pilates and multimodalities
Relación entre fuerza muscular y equilibrio estático en personas de edad avanzada – comparación entre pilates y multimodalidades
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Guilherme Augusto Santos Buenoa,b,
Autor para correspondência
fisio.guilhermeaugusto@gmail.com

Autor para correspondência.
, Ruth Losada de Menezesb, Thiago Vilela Lemosa, Flávia Martins Gervásioa
a Universidade Estadual de Goiás, Laboratório do Movimento Dr. Cláudio A. Borges, Goiânia, GO, Brasil
b Universidade de Brasília, Programa de Pós‐Graduação em Ciências e Tecnologias em Saúde, Ceilândia, DF, Brasil
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Tabelas (3)
Tabela 1. Descrição e comparação das variáveis de caracterização física (idade, peso, altura, índice de massa corporal (IMC), força de preensão manual (FPM) dos membros superior direito e esquerdo e a média) para os grupos multi (n=42) e pilates (n=20)
Tabela 2. Comparação pareada da força muscular manual entre os membros superiores e dos dados obtidos na estabilometria com olhos abertos e sensibilizada com olhos fechados dos grupos pilates (n=20) e multi (n=42)
Tabela 3. Comparação e descrição da estabilometria com olhos abertos e sensibilizada com olhos fechados entre os grupos multi (n=42) e pilates (n=20), nas variáveis de suporte de peso, distância do CP ao CG e largura da base
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Resumo
Objetivo

Comparar o efeito do pilates e de multimodalidades sobre a força muscular e o equilíbrio em idosas.

Metodologia

Estudo transversal do tipo caso‐controle, feito em Goiânia‐GO, com 62 idosas, divididas em dois grupos: multimodalidades e pilates. Avaliaram‐se a força de preensão manual (FPM) e o equilíbrio por meio da estabilometria.

Resultados

O pilates contribuiu para maior FPM, bem como demonstrou menor superfície da elipse, o que implica melhor equilíbrio. Porém, não houve relação nem predição da FPM sobre o equilíbrio em ambos os grupos.

Conclusão

O pilates promoveu maior ganho de força muscular e equilíbrio estático, entretanto, apesar de a força muscular ser a variável com melhor resultado, essa não mostrou relação com o equilíbrio.

Palavras‐chave:
Idosos
Força muscular
Equilíbrio postural
Exercício físico
Abstract
Objective

To compare the effect of pilates and multimodalities on muscle strength and balance in the elderly.

Methodology

Cross‐sectional case‐control study, conducted in Goiânia‐GO, with 62 elderly women, divided into two groups: Multimodalities and pilates. The manual gripping force (FPM) and the balance were evaluated by Stabilometry.

Results

The pilates contributed to higher FPM as well, demonstrated lower ellipse surface, which implies in better balance. However, there was no relationship or prediction of MPF on balance in both groups.

Conclusion

pilates promoted greater gains in muscle strength and static balance. However, although muscle strength was the variable with the best result, it did not show a relationship with balance.

Keywords:
Aged
Muscle strength
Postural nalance
Exercise
Resumen
Objetivo

Comparar el efecto de pilates y multimodalidades sobre la fuerza muscular y el equilibrio en mujeres de edad avanzada.

Métodos

Estudio transversal del tipo estudio de casos y controles en Goiânia‐GO, con 62 mujeres de edad avanzada, divididas en dos grupos: multimodalidades y pilates. Se evaluó la fuerza de prensión manual y el equilibrio por medio de la estabilometría.

Resultados

El pilates contribuyó a mayor fuerza de prensión manual y, como se ha demostrado, superficie inferior de la elipse, lo que implica un mejor equilibrio. Sin embargo, no se demostró ninguna relación o predicción de fuerza de prensión manual en el equilibrio en ambos grupos.

Conclusión

El pilates promueve mayores ganancias en la fuerza muscular y el equilibrio estático. Sin embargo, a pesar de que la fuerza muscular es variable con mejores resultados, esto no se relaciona con el equilibrio.

Palabras clave:
Personas de edad avanzada
Fuerza muscular
Equilibrio postural
Ejercicio
Texto Completo
Introdução

O pilates é relatado como uma ótima estratégia de promoção de saúde para a população idosa, com efeitos sobre o risco de quedas devido à diminuição de fatores intrínsecos (sarcopenia, diminuição de equilíbrio, diminuição de sinergia, resposta mecânica rápida) e fatores extrínsecos (medo de cair e depressão) (Rodrigues et al., 2010; Newell et al., 2012). A junção de ganhos físicos, como fortalecimento e resistência muscular de maneira global, e ganhos sociais e emocionais por meio de aulas em grupo, com maior interação social e trocas de experiências, faz do pilates uma prática de múltiplas atenções na geriatria (Bird et al., 2012; Oliveira et al., 2014; Pata et al., 2014; Barker et al., 2015; Bullo et al., 2015; Cruz‐Díaz et al., 2015).

Porém, de modo contrário, há autores que questionam os benefícios do pilates na melhoria da condição física do idoso. Os efeitos produzidos podem ser superestimados devido à baixa qualidade metodológica que os estudos apresentam (Cancela et al., 2014; Kamioka et al., 2016): grupos controle de idosos sedentários, grupos pequenos, comparação de diferentes durações da prática física entre os grupos ou análises de protocolos de atividades físicas com valências distintas (Rodrigues et al., 2010; Kloubec, 2011; Bird et al., 2012; Cancela et al., 2014; Barker et al., 2015; Bullo et al., 2015; Kamioka et al., 2016; Tolnai et al., 2016).

Diante das opiniões controversas entre os autores nos benefícios do pilates para a população idosa, limitações metodológicas de alguns estudos (Bird et al., 2012; Cancela et al., 2014; Barker et al., 2015; Bullo et al., 2015; Kamioka et al., 2016; Tolnai et al., 2016), o presente estudo objetivou comparar entre idosas ativas por prática de pilates e por prática de multimodalidades, com frequência e duração dos programas de forma similar, qual promove melhor efeito sobre força muscular e equilíbrio estático.

Métodos

Estudo transversal com delineamento experimental do tipo caso‐controle, feito no Laboratório de Movimento Dr. Cláudio de Almeida Borges, da Universidade Estadual de Goiás, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, protocolo n°. 741.298/2014. Todos os voluntários assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido.

Amostra

Amostra não probabilística, intencional, composta por mulheres saudáveis, recrutadas por convite, oriundas da região metropolitana de Goiânia, Goiás, e frequentadoras dos programas de atividade física oferecidos pela Universidade Aberta da Terceira Idade (Unati). As participantes em um programa de 16 semanas de exercícios, classificadas como idosas fisicamente ativas segundo o Questionário Internacional de Atividade Física (IPAQ) (Matsudo et al., 2001), foram divididas em dois grupos: idosas por prática isolada do pilates, denominado (pilates), e idosas com prática em multimodalidades (hidroginástica, dança, musculação, natação) (multi).

Foram inclusas mulheres com 60 anos ou mais inscritas na Unati; foi feito miniexame do estado mental (Lourenço & Veras 2006) com pontuação a partir de 19, considerou‐se a influência da escolaridade alfabetizada ou não. Exclui‐se do estudo idosas que se enquadravam em um dos seguintes fatores: presença de déficit cognitivo; comprometimento vestibular, visual e auditivo; uso de medicação psicótica; relato de cirurgia de membro inferior e/ou superior e/ou coluna vertebral; uso de bebidas alcoólicas nas últimas 24h que antecederam as avaliações; limitação funcional no membro superior que impedisse a mensuração da força de preensão palmar; abandono da atividade física proposta.

O programa de exercícios foi oferecido duas vezes por semana, durante 16 semanas consecutivas. A duração de cada sessão foi de 60 minutos, instruída por uma fisioterapeuta, com certificação em pilates. As idosas das outras modalidades fizeram a mesma periodicidade, com duração média de 45 minutos, todas as atividades foram acompanhadas e instruídas por um educador físico.

Procedimentos de avaliação

Foram mensurados o peso e a altura, seguido pelo cálculo do índice de massa corporal (IMC). O teste de dominância, baseado no Edinburgh Handedness Inventory, permitiu a classificação em 1 – puramente direita; 2 – puramente esquerda; 3 – direita mista; 4 – esquerda mista; 5 – ambidestro (Cohen, 2008).

A estabilometria usou plataforma de podobarometria, com sensor de quartzo piezoelétrico Midcaptures, de frequência amostral de 150Hz. Após comando verbal do pesquisador, “pode subir”, as idosas posicionaram‐se com os dois pés sobre a plataforma. Após a entrada na plataforma, transcorriam 30 segundos para o ajuste postural e então, a captura de 35 segundos era feita e repetida, caso houvesse erro durante o processamento dos dados. As idosas foram avaliadas com os pés dispostos na largura dos quadris com olhos abertos e fechados. A análise dos dados foi feita pelo software FootWork®, a superfície da elipse calculada foi correspondente a 95% dos pontos (Lemos et al., 2015).

A análise estatística verificou a normalidade de distribuição dos dados pelo teste Kolmogorov‐Smirnov. A comparação das médias de caracterização da amostra, FPM e variáveis de estabilometria entre os grupos adotou os testes t de Student e o Mann‐Whitney; para comparação de médias intragrupo foi usado o teste t pareado; por fim, para analisar a relação e previsão das variáveis de equilíbrio e FPM, usaram‐se o teste de correção de Pearson e a regressão linear. O nível de confiança estatística adotado foi de 95%. Usaram‐se para análise o software Statistical Package for Social Sciences versão 23.0 (Corporation, 2013) e o software G*Power versão 3.1.9.2 para cálculo do effect size médio para cada teste feito e o cálculo amostral.

O cálculo amostral para este estudo considerou um intervalo de confiança de 95%, um nível de significância de 0,05 (erro tipo I), um poder de 95% (erro tipo II), um tamanho de efeito de 1,96. Com o uso da medida da superfície da elipse com os olhos abertos, esse cálculo mostrou a necessidade de ter 44 sujeitos, 22 para cada grupo. Nesse sentido o grupo multi supera o estipulado, porém o grupo pilates se aproxima com 20 sujeitos, não atingiu o ideal porque uma vez aplicados os critérios de seleção, houve perda de seis participantes.

Resultados

Amostra composta por 62 idosas fisicamente ativas dividas em 42 no grupo de multimodalidades (multi) e 20 no grupo de pilates (pilates), foram homogêneas em idade, peso, altura e índice de massa corporal (tabela 1).

Tabela 1.

Descrição e comparação das variáveis de caracterização física (idade, peso, altura, índice de massa corporal (IMC), força de preensão manual (FPM) dos membros superior direito e esquerdo e a média) para os grupos multi (n=42) e pilates (n=20)

  GruposMédiaDesvio‐padrãoIntervalo de confiança (95%)d (ES)Tested t de Student (p)
  Inferior  Superior 
Idade (anos)multi  69,70  6,42  ‐1,7064,7060,270,354
pilates  68,20  5,04 
Peso (quilogramas)multi  64,12  13,28  ‐8,6024,0460,210,475
pilates  66,40  7,63 
Altura (metros)multi  1,55  0,06  ‐0,0070,0490,440,152
pilates  1,53  0,02 
IMC (Kg/m2)multi  26,59  4,92  ‐4,0090,6250,400,150*
pilates  28,29  2,51 
FPM direita (Kg/F)multi  21,78  4,40  ‐5,414‐1,0250,810,005
pilates  25,00  3,43 
FPM esquerda (Kg/F)multi  19,52  4,51  ‐5,550‐0,2090,520,035
pilates  22,40  6,24 
FPM média (Kg/F)multi  20,65  4,24  ‐5,350‐0,7400,680,010
pilates  23,70  4,64 
    Porcentagem/Frequência       
    Direita  Esquerda         
Dominância manualmulti  98,0% (41)  2,0% (1)         
pilates  100% (20)  0% (0)         
Dominância pedalmulti  98,0% (41)  2,0% (1)         
pilates  100% (20)  0% (0)         

d (ES) – valor do effect size; FPM, força de preensão manual; Kg/F, quilogramas por força; Kg/m2, fórmula do índice de massa corpórea.

Usado teste de Mann‐Whitney. Análise comparativa feita pelo teste t de Student, consideraram‐se 95% de confiança (p ≤ 0,05);

Ambos os grupos apresentam maior dominância de membro superior e inferior para o lado direito. Houve diferença significativa em relação à FPM média (p=0,010), bem como para a força unilateral direita (p=0,005) e unilateral esquerda (p=0,035). O grupo pilates apresentou as maiores médias de força muscular global em todas as três medidas de força obtidas no estudo. (tabela 1).

A análise comparativa intragrupo identificou que a força muscular dos lados direito e esquerdo apresentou diferença significativa em ambos os grupos de idosas. O equilíbrio, entretanto, sofreu influência da lateralidade e das condições de olhos abertos e fechados apenas no grupo pilates (tabela 2).

Tabela 2.

Comparação pareada da força muscular manual entre os membros superiores e dos dados obtidos na estabilometria com olhos abertos e sensibilizada com olhos fechados dos grupos pilates (n=20) e multi (n=42)

    MédiaDesvio‐padrãoIntervalo de confiança (95%)d (ES)Teste t pareado
Valor de p
    Inferior  Inferior 
Grupo multiFPM direita (Kg/F)  21,78  4,40  1,483,030,50<0,001
FPM esquerda (Kg/F)  19,52  4,51 
Suporte de peso MID (%) ‐ OA  49,08  6,33  ‐1,570,570,080,335
Suporte de peso MID (%) ‐ OF  49,58  5,88 
Suporte de peso MIE (%) ‐ OA  50,92  6,33  ‐0,571,570,080,355
Suporte de peso MIE (%) ‐ OF  50,42  5,88 
Superfície da Elipse (cm2) ‐ OA  2,28  1,44  ‐0,4750,4800,0050,992
Superfície da Elipse (cm2) ‐ OF  2,27  1,91 
Raio AP da Elipse (cm) ‐ OA  1,90  0,66  ‐0,2540,1760,050,719
Raio AP da Elipse (cm) ‐ OF  1,94  0,73 
Raio LL da Elipse (cm) ‐ OA  1,44  0,57  ‐0,0670,2880,160,218
Raio LL da Elipse (cm) ‐ OF  1,33  0,74 
Grupo pilatesFPM direita (Kg/F)  25,00  3,43  0,7624,4370,480,008
FPM esquerda (Kg/F)  22,40  6,24 
Suporte de peso MID (%) ‐ OA  49,60  1,04  ‐3,560‐1,2391,06<0,001
Suporte de peso MID (%) ‐ OF  47,00  2,78 
Suporte de peso MIE (%) ‐ OA  50,40  1,04  1,2903,9090,870,001
Suporte de peso MIE (%) ‐ OF  52,80  3,11 
Superfície da Elipse (cm2) ‐ OA  1,15  0,60  ‐0,691‐0,3220,82<0,001
Superfície da Elipse (cm2) ‐ OF  1,66  0,64 
Raio AP da Elipse (cm) ‐ OA  1,38  0,53  ‐0,422‐0,0250,490,029
Raio AP da Elipse (cm) ‐ OF  1,61  0,22 
Raio LL da Elipse (cm) ‐ OA  0,93  0,29  ‐0,660‐0,2931,04<0,001
Raio LL da Elipse (cm) ‐ OF  1,41  0,53 

%, porcentagem; AP, direção anteroposterior; cm, centímetros; d (ES), valor do effect size; FPM, força de preensão manual; LL, direção laterolateral; MID, membro inferior direito; MIE, membro inferior esquerdo; OA, olhos abertos; OF, olhos fechados.

Análise comparativa feita pelo teste t pareado, consideraram‐se 95% de confiança (p ≤ 0,05).

Houve diferença entre os grupos no suporte de peso entre os membros inferiores direito (p=0,022) e esquerdo (p=0,017). O membro inferior esquerdo assumiu 52,8% do peso corporal no grupo pilates, enquanto o grupo multi apresentou melhor simetria na distribuição (tabela 3).

Tabela 3.

Comparação e descrição da estabilometria com olhos abertos e sensibilizada com olhos fechados entre os grupos multi (n=42) e pilates (n=20), nas variáveis de suporte de peso, distância do CP ao CG e largura da base

  GruposMédiaDesvio‐padrãoIntervalo de confiança (95%)d (ES)Teste t de Student (p)
  Inferior  Superior 
Suporte de peso MID (%) ‐ OAmulti  49,08  6,33  ‐4,1721,5320,110,359
pilates  49,60  1,04 
Suporte de peso MID (%) ‐ OFmulti  49,58  5,88  ‐5,968‐0,4710,560,022
pilates  47,00  2,78 
Suporte de peso MIE (%) ‐ OAmulti  50,92  6,33  ‐1,5324,1720,110,359
pilates  50,40  1,04 
Suporte de peso MIE (%) ‐ OFmulti  50,42  5,88  0,6436,1960,500,017
pilates  52,80  3,11 
Superfície da elipse (cm2) ‐ OAmulti  2,28  1,44  0,4561,794,020,001
pilates  1,15  0,60 
Superfície da elipse (cm2) ‐ OFmulti  2,27  0,91  ‐0,2621,4930,770,016
pilates  1,66  0,64 
Raio AP da elipse (cm) ‐ OAmulti  1,90  0,66  0,1870,8540,860,003
pilates  1,38  0,53 
Raio AP da elipse (cm) – OFmulti  1,94  0,73  0,0000,6690,610,049
pilates  1,61  0,22 
Raio LL da elipse (cm) – aomulti  1,44  0,57  0,2380,7791,12<0,001
pilates  0,93  0,29 
Raio LL da elipse (cm) – OFmulti  1,33  0,74  ‐0,4440,2850,120,668
pilates  1,41  0,53 

%, porcentagem; AP, direção anteroposterior; cm, centímetros; d (ES), valor do effect size; LL, direção laterolateral; MID, membro inferior direito; MIE, membro inferior esquerdo; OA, olhos abertos; OF, olhos fechados.

Análise comparativa feita pelo teste t de Student, consideraram‐se 95% de confiança (p ≤ 0,05).

O padrão do controle motor sobre o equilíbrio observado na estabilometria identificou diferença na superfície total de oscilação do equilíbrio, ou seja, na área da elipse tanto com os OA (p=0,001) quanto com os OF (p=0,016). O estudo da direção da oscilação do equilíbrio demonstrou que houve diferença significativa tanto no sentido anteroposterior com OA (p=0,003) e OF (p=0,049) quanto no sentido laterolateral com OA (p=<0,001), observados a partir do raio da elipse.

A relação e a previsão da média da FPM sobre as variáveis da estabilometria individual em cada grupo não encontraram resultados estatisticamente significativos.

Discussão

A força muscular foi maior e a oscilação estática do equilíbrio foi menor no grupo de idosas praticantes do pilates em comparação com o grupo de multimodalidades, o que permite inferir nessa amostra que o método pilates foi benéfico para essas valências físico‐funcionais.

O ganho de força em idosos permite melhoria da capacidade funcional, menor risco de limitações de mobilidade, hospitalizações e mortalidade (Cawthon et al., 2009; Abizanda et al., 2012).

Idosas fisicamente ativas beneficiam‐se com o aumento da força muscular, independentemente da prática física executada. Os resultados do estudo apontam maiores valores de FPM para o grupo pilates. Entretanto, ambos os grupos têm medida de força dentro do desvio‐padrão de FPM esperado para a faixa etária da amostra (Peters et al., 2011).

Os maiores valores apresentados pelo grupo pilates corroboram os achados de outros estudos (Cawthon et al., 2009; Abizanda et al., 2012; Tolnai et al., 2016). Tolnail et al. (Tolnai et al., 2016) analisam o efeito de um protocolo de pilates com frequência semanal e duração menor do que o programa de exercícios adotado neste trabalho, obtiveram resultados positivos no ganho de força muscular, flexibilidade, equilíbrio estático e consciência corporal. Entretanto, alguns autores (Cancela et al., 2014; Kamioka et al., 2016) afirmam que muitos dos resultados apresentados pelo pilates são superestimados por metodologias distintas e comparações errôneas.

O equilíbrio, independentemente da condição visual, em ambos os grupos do estudo apresentou maior suporte de peso no membro inferior esquerdo, com diferença significativa entre os grupos, na condição de olhos fechados para os membros inferiores direito e esquerdo. No grupo pilates comparado com o grupo multimodalidades, a área total de oscilação e os desvios anteroposterior e lateral são menores.

O grupo pilates adotou como estratégia de equilíbrio estático uma adaptação que é notada na manutenção do equilíbrio dinâmico de idosos com maior risco de queda (Valero et al., 2014), ou seja, o membro inferior não dominante, que nesta amostra se caracteriza como o membro inferior esquerdo, fica responsável pela tarefa de equilíbrio e estabilização (Almeida et al., 2012). Dinamicamente, como, por exemplo, na marcha, essa tarefa é feita pelo membro inferior esquerdo, uma vez que o membro inferior direito é responsável pela tarefa de propulsão (Perry & Burnfield 2010).

O equilíbrio é a resposta de uma somatória de ações de controle postural na estabilização do centro de gravidade (CG), uma vez que a projeção do CG pelas forças inerciais é o que define a posição do centro de pressão sobre cada membro inferior (Winter, 2009). A distribuição perfeita do CP é resultado das adequações neuromusculares em reposta as oscilações, a privação de um dos sistemas ou equilíbrio ou coordenação afeta negativamente o controle postural (Winter, 2009).

Os resultados da estabilometria deste estudo corroboram estudos que defendem o pilates no aprimoramento do equilíbrio estático (Cruz‐Ferreira et al., 2011; Bird et al., 2012; Campos de Oliveira et al., 2015), promove melhor estabilidade e coordenação na posição vertical (Alfieri et al., 2012; Oliveira et al., 2014; Penzer et al., 2015). O estudo também identificou ausência de relação entre a FPM e o equilíbrio estático. O pilates proporcionou aumento da força muscular sem estabelecer relação na manutenção do equilíbrio tanto em situação pés na largura do quadril com olhos abertos quanto em situação de predisposição de desequilíbrio, como ocorreu nas avaliações de olhos fechados, o que sugere que o método pode ser usado para amenizar o risco de quedas em idosos (Valero et al., 2014; Cruz‐Díaz et al., 2015).

Programas de exercícios que combinem resultados do ganho de força muscular e do equilíbrio são defendidos como benéficos, pois induzem a alterações no controle neuromuscular, oferecem grande estabilidade na posição vertical (Alfieri et al., 2012; Oliveira et al., 2014; Penzer et al., 2015).

No estudo de Donalth et al. (Donath et al., 2016), os autores analisaram a melhoria do equilíbrio e o ganho e a força muscular, compararam a prática do pilates e tarefas que estimulam o equilíbrio, observaram que as tarefas que exigiram equilíbrio oferecem maior ganho.

O aumento da população idosa brasileira é uma realidade e a adoção de medidas de prevenção e promoção de saúde que seguem o American College of Sports Medicine (American College of Sports Medicine, 2014) devem ser embasados em quatro componentes de aptidão física: resistência cardiorrespiratória, flexibilidade com estabilidade, controle motor e força muscular.

A força de preensão manual é usada atualmente como parâmetro de sugestão da força global, no entanto este estudo ficou limitado por não ter mensurado de forma direta a força muscular de tronco e membros inferiores, o que permitiria maiores análises da relação com equilíbrio e o efeito do pilates. Assim, futuros desdobramentos podem usar mensuração de outros grupos musculares, além de um número amostral maior.

Conclusão

O pilates contribuiu para melhores resultados de força muscular e padrão de equilíbrio estático. Porém, como a força muscular é a variável de melhor resposta diante do pilates, essa não mostrou relação com o equilíbrio. Assim, em discordância com alguns estudos, este não defende o pilates como atividade única e significante na manutenção do equilíbrio dessa população.

Financiamento

O presente trabalho não contou com apoio financeiro de qualquer natureza.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências
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Revista Brasileira de Ciências do Esporte

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