Revista Brasileira de Ciências do Esporte Revista Brasileira de Ciências do Esporte
Revista Brasileira de Ciências do Esporte 2017;39:2-9 - Vol. 39 Núm.1 DOI: 10.1016/j.rbce.2016.01.005
Artigo original
Um novo barato: surfe e contracultura no Rio de Janeiro dos anos 1970
Surfing and counter‐culture in the 1970s Rio de Janeiro
Surf y contracultura en Río de Janeiro durante la década de 1970
Vladimir Zamorano Alvesa, Victor Andrade Melob,,
a Prefeitura do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Educação, Rede Municipal de Ensino, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
b Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Faculdade de Educação, Departamento de Didática, Rio de Janeiro, RJ, Brasil
Recebido 31 Janeiro 2013, Aceitaram 05 Setembro 2013
Resumo

Este estudo, uma pesquisa histórica, tem por objetivo discutir os encontros que houve no Rio de Janeiro dos anos 1970 de praticantes do surfe e ideias ligadas à contracultura. Para alcance desse objetivo, usamos como fontes depoimentos de surfistas cariocas publicados em livros e periódicos. Pensamos que essa investigação nos permite dar um passo no sentido de melhor entender a relação entre a prática esportiva e o contexto sociocultural. Permite até perceber como os sentidos e significados de um esporte vão mudando no decorrer do tempo. Além disso, esperamos lançar alguns olhares sobre a própria noção de contracultura, se considerarmos que sua interpretação e manifestação foram múltiplas e diversas.

Abstract

This study aims to discuss, in the 1970s Rio de Janeiro, the meetings that took place between practitioners of surfeing and ideas related to the counterculture. To reach this aim, we used as sources statements of locals surfers published in books and periodicals. We think that this research allows us to take a step towards better understanding the relationship between sports and sociocultural context, including the giving opportunity to see how the meanings of a sport are changing over time. Furthermore, we hope to shed some light on the notion of counterculture, considering that its interpretation was multiple and diverse.

Resumen

Este estudio tiene el objetivo de analizar los encuentros entre practicantes de surf y las ideas relacionadas con la contracultura en la ciudad de Río de Janeiro durante la década de 1970. Para alcanzar este objetivo, hemos utilizado como fuentes las declaraciones de surfistas locales que se publicaron en libros y periódicos. Creemos que esta investigación nos permite dar un paso hacia una mejor comprensión de la relación entre el deporte y el contexto sociocultural, incluyendo la posibilidad de comprobar cómo el concepto que hay detrás de un deporte cambia con el tiempo. Asimismo, esperamos lanzar algunas miradas sobre la propia noción de contracultura al considerar que su interpretación y manifestación son múltiples y diversas.

Palavras‐chave
Surfe, Contracultura, História do esporte, Juventude
Keywords
Surfing, Counter‐culture, Sport history, Youth
Palabras clave
Surf, Contracultura, Historia del deporte, Juventud
Introdução

No fim da década de 1950 uma novidade surgiu no Rio de Janeiro: jovens, membros de famílias economicamente privilegiadas, adotaram comportamentos menos formais, mais espontâneos e descontraídos, por alguns considerados festivos em excesso (quando não indecorosos), desfilavam pelas ruas e praias da Zona Sul, lançavam modas e tumultuavam a ordem dos desejos. Motivo de apreensão para alguns, notadamente os mais velhos, e de admiração para outros, os “playboys” interferiam na dinâmica cultural, celebraram novos princípios de vida: juventude, hedonismo, transgressão.1

Entre esses jovens, que praticavam distintos esportes, nas areias (peteca, frescobol e vôlei) e no mar (mergulho e caça submarina), paulatinamente desenvolveu‐se um novo hábito: o surfe. O que a princípio era algo exótico se transformou em prática de muitos, assunto costumeiro nos jornais e revistas, uma nova moda, uma das marcas de um novo estilo de vida.

É possível inferir que a difusão do surfe tenha algum grau de relação com o aumento da influência americana no Brasil, notadamente no que tange à valorização de certos bens de consumo. A modalidade tanto era uma expressão da vinculação a esse conjunto de referências culturais quanto ajudava a referendá‐las.

De fato, em muitos países, a popularização do surfe relacionou‐se à hegemonia cultural americana (Booth, 2001). Nos Estados Unidos, todavia, logo se estabeleceu uma tensão entre os praticantes da modalidade, de alguma forma relacionada às apreensões dos meios de comunicação. Enquanto esses procuravam apresentá‐la como uma diversão ingênua, os surfistas mais antigos já se aproximavam de ideias ligadas à contracultura, especialmente no caso californiano (Thorpe, 2006).

Entende‐se essa relação: assim como com o surfe, os Estados Unidos foram o centro irradiador de ideias contraculturais, que se espraiaram por vários países, dialogaram com as peculiaridades históricas locais. No Brasil, tais noções tornaram‐se mesmo mais notáveis na virada das décadas de 1960 e 1970, quando no cenário internacional já perdiam força por conta da apropriação da postura de rebeldia pela cultura de massas (Maciel, 1987). Além disso, as iniciativas tinham de lidar com uma ambiência extremamente repressora, com um regime ditatorial que também tentava impor o controle de determinadas posturas comportamentais. Na mesma medida, significaram resistências de natureza distinta daquelas mais clássicas do ponto de vista da política.2

Deve‐se perceber, portanto, que a relação entre o surfe e as ideias contraculturais não foi imediata e da mesma forma estabelecida nos diferentes países onde a modalidade se estruturou. No Rio de Janeiro dos anos 1960, não é possível identificar entre os praticantes uma clara mobilização desses princípios.3 Isso somente se tornou mais perceptível nos depoimentos concedidos a partir dos anos 1990; os surfistas referiam‐se a ocorrências da modalidade na década de 1970.

De fato, naquele momento, percebem‐se coincidências entre a trajetória dos envolvidos com as noções contraculturais (notadamente artistas ligados a movimentos de vanguarda) e a dos praticantes do surfe. Se a princípio a modalidade se estabelecera na Praia do Arpoador,4 entre 1971 e 1972 se deslocaria para a Praia de Ipanema, ao redor de um píer construído para instalar a tubulação de um emissário submarino de esgotos.

As mudanças ocasionadas por essa instalação, na areia e no mar, atraíram grupos distintos, que compartilhavam a sensação de liberdade que se gestou naquele espaço. A convivência logo se estabeleceu:

O Píer era a praia. Em frente à Rua Farme de Amoedo, entre a Montenegro, hoje Vinícius de Moraes, e o Arpoador, construíram um emissário submarino. A areia retirada do fundo para passar a tubulação foi depositada à beira da praia e formou dunas. Dunas que escondiam a rapaziada dos olhos repressivos que vinham do calçadão. Com a mexida do fundo de areia, o mar subiu e levantou ondas perfeitas. Os surfistas vieram do Arpoador. A erva veio junta e se juntou à dos artistas que passaram a ir ver as ondas, o surfe e o pôr do sol. Era uma festa (Chacal, 2010, p. 34).

Gilberto Velho, ao falar dos diferentes sentidos e significados que cercam o uso de drogas, percebe que: “Entre surfistas brasileiros, em contato com seus colegas dos EUA, também se difundiu o consumo. Ou seja, dentro de um quadro geral de difusão de estilos de vida ‘contraculturais’ dos anos 60, veio também o hábito de fumar maconha” (Velho, 2003, p. 86). Naqueles primeiros momentos da década de 1970, eles viveriam novos “baratos”, ligados à busca de uma opção de vida.

Devemos ter em conta que os atores principais do “movimento” contracultural foram jovens, sobretudo oriundos das camadas altas e médias dos grandes centros urbanos, que criticavam os parâmetros de vida da sociedade ocidental tecnocrática, marcada pela exacerbação da racionalidade e do pensamento científico, pela burocratização excessiva, pela supervalorização dos aspectos econômicos (Roszak, 1972). Esses são alguns pontos em comum entre muitas iniciativas bastante heterogêneas.5 Para Maciel:

A contracultura surgiu do confronto entre a cultura reconhecida como doença e a visão juvenil, cujo instinto natural é para a saúde. A audácia dessa visão não pode ser considerada mera precipitação ingênua, pois funda‐se, antes, num desencanto radical – atingindo por saturação, maturidade – com o mundo tal como o conhecemos. As vertentes que confluíram para a formação de contracultura são várias, de naturezas aparentemente diversas, mas sublinhadas pelo denominador comum da intenção libertária. E a fonte instintiva dessa intenção é, sem dúvida a visão juvenil.6

Quais teriam sido as peculiaridades do relacionamento que se estabeleceu, naquele cenário, entre o surfe e as contestações de ordem cultural? Este estudo, uma pesquisa histórica, tem por objetivo discutir os encontros que houve no Rio de Janeiro dos anos 1970 de praticantes da modalidade e ideias ligadas à contracultura. Para alcance desse objetivo, usamos como fontes depoimentos de surfistas cariocas publicados em livros ou periódicos.

Todos os depoimentos usados foram concedidos nos anos 1990 e 2000, momento em que o surfe estava consolidado, imerso nas estratégias de uma indústria do entretenimento que elegia a juventude como um público‐alvo prioritário (Melo e Fortes, 2009; Fortes, 2011). Mais ainda, em geral foram publicados em periódicos especializados, agentes importantes do processo de conformação de um campo ao redor do esporte (Fortes, 2011).

É importante ter em conta essas peculiaridades. Os surfistas, eleitos como informantes privilegiados, interpretam seu passado imersos no presente, por vezes balizados por uma visão mítica de sua atuação. Isso é, se trata de uma produção de memória, tanto individual quanto coletiva, que relaciona determinados percursos que são exaltados, na mesma medida em que esconde outros (Pollak, 1989; Halbwachs, 2004). Isso, obviamente, não invalida tais depoimentos, apenas se constitui uma condição que se deve ter em conta na análise/interpretação.

Pensamos que essa investigação nos permite dar um passo no sentido de melhor entender a relação entre a prática esportiva e o contexto sociocultural. Permite até perceber como os sentidos e significados de um esporte mudam no decorrer do tempo. Além disso, esperamos lançar alguns olhares sobre a própria noção de contracultura, considerando que sua interpretação e manifestação foram múltiplas e diversas (Roszak, 1972).

O surfe e as ideias de contracultura: novas posturas, novos comportamentos

“Éramos como bichos exóticos, cabeludos e estigmatizados como vagabundos, mas acabamos servindo de exemplo para os outros”.7 Essa afirmação de Rico de Souza, um dos surfistas mais conhecidos de sua geração, dá conta de o quanto um possível estereótipo, construído nos anos 1970, pode ter sido depois ressignificado quando a modalidade já se encontrava consolidada, até como um campo de negócios.

De fato, nos anos 1990 e 2000, se tornou uma ocorrência comum, no depoimento de antigos praticantes, aproximar o esporte de algumas ideias contraculturais. Gestou‐se uma valorização da vinculação a tais noções. Vejamos, por exemplo, o posicionamento de Roberto Teixeira, na época da entrevista pró‐reitor de Extensão e Assuntos Comunitários da Unicamp, médico, professor de pediatria, surfista desde os 12 anos:

Voltar‐se para a reflexão não é funcional na sociedade capitalista. E o surfe faz parar para pensar. Quando comecei, ele era parte de uma grande contracultura, que questionou muitos valores, e não havia como fazer parte dela sem estar envolvido espiritualmente. Eu soube enxergar um outro espaço para a vida, desenvolver um novo ponto de vista.8

De acordo com muitos depoentes, os comportamentos daqueles jovens surfistas causaram alvoroço na década de 1970, ainda mais do que ocorrera nos anos 1960, quando ainda não tinham rompido completamente com determinados valores. Uma das principais recusas seria a de uma ideia cara à sociedade de então: a de constituir uma carreira e uma família nos moldes tradicionais. Isso teria ocasionado conflitos com os pais, ainda mais porque se somava um estilo de trajar‐se que se chocava com os costumes:

(…) Surfista era sinônimo de mau elemento, vagabundo, fracassado na vida. Nossos pais tinham vergonha dos filhos surfistas, e muitas vezes fiquei sem mesada para ver se eu parava de curtir a praia. Nenhum pai ou mãe ficava feliz em ver seu filho entrando pelo caminho das ondas. Os pais das meninas ficavam apavorados quando uma delas começava a namorar um dos “marginais” da praia. Levou anos para que o surfe fosse respeitado como esporte e estilo de vida. Nós éramos considerados excêntricos porque recusávamos as roupas bonitinhas e o estilo brega que tomava conta da nossa época, e preferíamos andar de calção, camiseta e sandália havaiana, vestimenta mais adequada para operários de obra, mas que em nada nos incomodava pois eram ideais para se passar o dia vagabundando na praia, vendo as meninas passarem, as ondas quebrarem, o sol se pôr…”.9

Os surfistas frisam que não se importavam com os planos traçados pelos seus pais. Queriam ser livres para experimentar sua escolha: o surfe não era encarado como uma forma de evasão, nem um mero divertimento, tampouco algo que marcasse uma fase da juventude: era um estilo de vida. Talvez mais: era uma filosofia de vida.

Ter um emprego com horário fixo, que poderia garantir a sobrevivência, mas não deixaria tempo para as ondas, não estaria nos seus planos. Eles trabalhavam à sua maneira. A produção de pranchas, por exemplo, era uma estratégia: ganhavam algum dinheiro, sem macular a possibilidade de surfar quando desejassem. Ricardo Bocão recorda:

Liguei para o Betão, meu grande amigo na época e falei: “Vamos morar em Saquarema, fazer uma oficina de pranchas e pegar altas ondas”. Financeiramente, não havia muita pressão. Cobrávamos 1.800 cruzeiros numa prancha. O aluguel da pequena casa onde morávamos, no canto esquerdo de Itaúna, custava 500 cruzeiros. O da nossa oficina, no canto direito (Lagoinha), outros 500 cruzeiros. E trabalhando, éramos apenas três – os dois donos e uma terceira pessoa. Comida? Muito barata. Gasolina? Nos deslocávamos só de bicicleta para ir do canto esquerdo para o canto direito da praia e às vezes para a cidade. E a margem de lucro? Pode parecer exagero, mas era de 100%. Ou seja, só precisávamos de duas encomendas por mês para a nossa sobrevivência. Uma prancha pagava o material das duas e a outra pagava os nossos custos pessoais e os da oficina. Vivíamos de maneira simples, com boa alimentação, muita fogueira e violão e quase nenhum gasto.10

Se em relação ao trabalho eram vistos como vagabundos, em termos de política seriam encarados como alheios, ainda que por vezes considerados “subversivos” por seus comportamentos. Na verdade, não se tratava necessariamente de postura de fuga, mas sim, em muitas ocasiões, uma opção frente ao quadro político, assim como o foi, aliás, de muitos que aderiram aos ideais contraculturais naqueles turbulentos anos 1970. O que havia ao redor da imagem do praticante era preconceito, em um cenário em que as posições eram claramente diametrais (ou se era alienado ou se era engajado).

Além disso, alguns sugerem que, por mais que se tentasse estar à margem dos acontecimentos, de alguma forma a situação política se fazia presente. Cauli Rodrigues lembra que, em 1972, quando fez sua primeira viagem ao Peru, encontrou o amigo surfista Paulo Aragão, que lá morava porque seu pai, Ferreira Gullar, estava exilado.11 Tito Rosemberg assim recorda as tensões do período:

Me mandei pro Peru e México em 1967. Na volta, o país fedia, as ruas estavam caladas, os quartéis falando alto. Parecia que não havia luz no fim do túnel. Li os jornais com receitas de bolo na primeira página. Sentia vergonha de ser brasileiro. Edson Luiz morreu no Calabouço. Meu jipe, que de manhã levava uma prancha de surfe na capota, de tarde transportou o caixão do estudante assassinado pela ditadura, da Câmara dos Vereadores até o cemitério.12

No cotidiano da praia, o autoritarismo também se fazia presente. Foi proibida a prática do surfe entre 7 e 14 horas, supostamente porque oferecia perigo para os banhistas. Houve constantes abusos de autoridade, algo que se estendia também em função do uso de drogas, outro estigma que cercava os surfistas. Nesses casos, se criavam estratégias para burlar o controle: “Quando a polícia pegava alguém fumando maconha na areia, as pessoas vaiavam e jogavam copinho de papel nos policiais. Então era constrangedor para a polícia censurar o que acontecia no Píer”.13 Falemos mais sobre esse espaço mítico da história do Rio de Janeiro.

O píer de Ipanema

Nos primeiros anos da década de 1970, o píer de Ipanema tornou‐se quase um universo paralelo ao que acontecia na cidade. Era a praia hippie, frequentada por “loucos” de todos os tipos, símbolo do “desbunde” carioca. O local ficou conhecido como “as dunas da Gal” ou “as dunas do barato”, referência a uma das frequentadoras célebres, Gal Costa, que fizera enorme sucesso com um show no Teatro Tereza Raquel. Esse espetáculo deu origem ao álbum Fa‐Tal, no qual gravou a canção Vapor barato, de Jards Macalé e Waly Salomão. O termo “barato” tinha várias conotações, entre as quais prazer, curtição, alegria; por aproximação, também o uso de drogas.

Foi por lá que Leila Diniz apareceu grávida de biquíni e que se difundiu o uso masculino da tanga. Músicos compuseram canções, modas foram lançadas e a liberdade foi experimentada de diversas formas. O píer é sempre lembrado como um marco do movimento contracultural carioca.

Como vimos, os surfistas, a princípio em função da qualidade das ondas, se integraram àquela paisagem. Antes mesmo da instalação do píer já havia expectativas:

No fim dos anos 60, nós já sabíamos que ia ser construído um píer em Ipanema. Obviamente, alguns surfistas já cogitavam a ideia de que o píer faria com que as ondas quebrassem nos seus pilares. A gente imaginava que a obra fosse criar um fundo perfeito. Então, ficamos esperando. Me lembro de ver os caras fixando os primeiros pilares. Naquela época, ainda antes do píer ficar pronto, só uns 10 ou 15 surfistas frequentavam aquela parte da praia de Ipanema.14

A partir de então, aquele passou a ser o point preferido dos surfistas. Em 1972, ali se fez um campeonato carioca com 150 participantes, para o qual houve negociações em função das normas em vigor: “O Corpo Marítimo de Salvamento que faz restrições ao surfe, estabelece horário limite e locais para a sua prática, deu total autorização aos organizadores (...) para fazer a competição no melhor lugar: perto do píer de Ipanema”.15

Com o decorrer do tempo, alguns surfistas tanto absorveram algo dos princípios contraculturais quanto ajudaram a tornar a modalidade, simbolicamente, uma referência de liberdade. Apesar das diferenças entre o “barato da água” e o “barato da areia”, gestou‐se uma forte identidade que criou o “barato do píer”. Nesse sentido, pode‐se dizer que o surfe também protagonizou a movimentação contracultural do píer de Ipanema.

Alguns depoentes chegam a reivindicar que foram os responsáveis pela agitação daquele espaço. Nas palavras de Otávio Pacheco: “Os surfistas foram atrás das ondas, as gatas atrás dos surfistas e a galera atrás das gatas”. Independentemente de a quem pertence o pioneirismo, devemos mesmo considerar as possibilidades de encontros:

Naquela época, quem usava cabelo comprido era bicha, quem pegava onda era vagabundo e quem ouvia rock era delinquente. Foi um tempo difícil, em que o mundo e a sociedade em geral tiveram que se adaptar a muitas mudanças. O píer foi o lugar onde muitas dessas mudanças aconteceram porque havia uma grande efervescência cultural, que foi impulsionada pelo convívio quase que diário entre surfistas e artistas em geral: músicos, poetas, artistas, intelectuais etc. Nomes como Gal Costa, Caetano Veloso, Jards Macalé, Nelson Motta, Baby Consuelo, Scarlet Moon, Evandro Mesquita, Chacal, entre outros, dividiam as areias das “dunas da Gal” com os surfistas, que estavam ali para surfar ondas perfeitas. Existia um grande movimento cultural ligado ao surfe e aos surfistas. O píer foi o palco perfeito para que ele acontecesse.16

Compartilha dessa opinião Evandro Mesquita, que começou a surfar na época:

Não pegava onda assim tão bem, mas convivia com as feras das feras. (...) tudo que falavam sobre surfistas nessa época vinha meio gripado. A gente era visto como burro, alienado. Sempre achei isso uma grande besteira. Tinha uma opção política de não fazer discurso, mas ter uma atitude de vida. Pegar uma prancha e ir para a água era uma atitude política. Criou‐se uma cultura. Outras coisas saíram disso, músicas e peças. A gente tinha uma visão prática da vida.17

Evandro não chegou a ser um surfista aventureiro, disposto a correr atrás das ondas em qualquer canto do mundo, mas, com Otávio Pacheco, alugou uma casa em Saquarema, onde tiveram uma experiência de vida comunitária. Pacheco, com Paulo Proença e Zeca Proença, criou também, por lá, uma fábrica de parafina.

Situado na Região dos Lagos do Estado do Rio de Janeiro, o balneário recebeu as primeiras visitas de praticantes da modalidade por volta de meados dos anos 1960, quando ainda era um pequeno povoado. Na década de 1970, se firmaria como um local‐referência do surfe, inclusive para frequentadores do píer de Ipanema, que para lá migravam, por algumas temporadas, para aproveitar o que era considerada uma das melhores ondas do país. Além disso, a cidade permitia vivenciar uma experiência paradisíaca de liberdade, longe do controle e da agitação da metrópole.

Saquarema se tornaria ainda mais procurada a partir de 1973, quando o píer foi desmontado em função da conclusão das obras do emissário. Na verdade, com o decorrer do tempo foi se tornando comum entre os surfistas um hábito que também os aproximava das ideias contraculturais: “pegar a estrada”.

Nômades

Se o hábito de viajar em busca de boas ondas teve início nos anos 1960, na década seguinte ele se exponenciou: o universo da Zona Sul carioca se tornou pequeno para os anseios de alguns. Mais ainda, não seria mais suficiente somente fazer viagens esporádicas: o satisfatório era viver na estrada.

Carlos Eduardo Soares, conhecido como Penho, frequentador do Arpoador desde os anos iniciais da década de 1960, é comumente considerado um dos primeiros surfistas do Rio de Janeiro a estabelecer uma relação de dedicação total à modalidade. Um dos ícones da sua época, tornou‐se renomado, sobretudo, pela sua trajetória de aventureiro.

Entre os cariocas, foi um dos pioneiros a surfar no Havaí, chegou lá em 1968, após um ano e meio de viagem, um percurso feito de barco, trem e ônibus. Parou em vários lugares, conheceu pessoas e principalmente surfou: no Peru, em alguns países da América Central e na Califórnia, até chegar à Meca da modalidade, sonho de muitos praticantes, local mítico do esporte no cenário mundial.

Para se sustentar, uma vida muito simples, dedicada a surfar o maior tempo possível, Penho trabalhava no que surgia, quando possível privilegiava a atuação em oficinas de pranchas: “Foi uma época de muitas experiências. (...). A comunidade do surfe internacional vivia sob um clima de cooperativismo incrível. Todos trocavam ideias, uns ajudavam os outros. Por isso consegui ficar mais de dois anos fora do Brasil” (apud Gutemberg, 1989, p. 42).

Esse tipo social já fora categorizado e tivera a imagem difundida por Endless summer, que se tornou um dos mais conhecidos e celebrados filmes dedicados à modalidade. Lançado em 1966, dirigido por Bruce Brown, narra a história de dois amigos que partem para uma viagem pelo mundo em busca de ondas perfeitas, relata o prazer de se dedicar integralmente ao surfe.

Tito Rosemberg foi um dos surfistas que se deixaram incentivar por essas ideias. Depois de ter, desde a infância, estabelecido uma forte relação com a praia, logo se envolveu com a modalidade. Em 1967, começou sua jornada atrás de ondas, viajou para o Peru e o México. Jamais abandonou a paixão pelo surfe, pela viagem, pela aventura. Para ele:

O surfe me colocou na contracultura carioca, evitou que eu me tornasse um vazio, como aconteceu a muitos da minha geração, que ficaram só nas boates e na Bolsa de Valores. Foi por causa do surfe que comecei a viajar e acabei hoje conhecendo 80 países, sendo jornalista e um nômade planetário. O surfe me ensinou os benefícios da simplicidade voluntária, quando abdicamos de bens materiais para poder ter mais tempo para curtir a vida modesta mas muito mais prazerosa.18

O mesmo ocorreu com Otávio Pacheco: “Naquela época, a gente tinha pouca informação. Nós já líamos a Surfer19 e tínhamos assistido ao filme Endless summer, que havia sido exibido no Brasil no fim dos anos 60, na embaixada dos Estados Unidos. O filme mudou a minha vida. Ele despertou em mim o tesão de viajar”.20 Quanto mais aventura, melhor:

Eu viajei com meus amigos durante quase dois anos pra Califórnia de Kombi. Atravessamos os Andes, pegamos ondas no Chile e ficamos um tempo lá. No meio de nossa estada houve o golpe de Salvador Allende. No Peru também desbravamos altos picos, surfeamos ondas grandes. Fomos para Cuzco, Machu Pichu e acabamos voltando pela floresta amazônica, colocando a Kombi em trens e balsas, nem existia a Transamazônica. Viajar e pegar onda era a nossa religião.21

O que movia muitos desses surfistas era a ideia de que a ligação íntima com o mar era uma possibilidade de abertura para uma nova consciência. A própria dinâmica da modalidade favoreceria atitudes contemplativas: um ser humano, sozinho, em profundo contato com a natureza, tendo que interpretar os seus sinais para pegar a melhor onda. Para alguns era quase uma prática de meditação, um momento de profunda sintonia entre o indivíduo e o meio ambiente.

Som, sol e surfe: a caminho do mercado

Na década de 1970, foram feitas as primeiras competições de caráter nacional, os Festivais Brasileiros de Surfe. Quatro desses eventos foram promovidos em Saquarema, entre 1975 e 1978. Nessas ocasiões, a cidade era invadida por jovens, que armavam suas barracas na praia de Itaúna, o point do esporte. Em 1976, o produtor musical Nelson Motta resolveu organizar, em conjunto com o campeonato, um festival de música. O evento foi batizado como Som, Sol e Surfe.

O produtor comumente afirma que o resultado não correspondeu às suas expectativas, tanto do ponto de vista artístico quanto financeiro. A cidade recebeu uma multidão de pessoas,22 mas muitos sequer tinham dinheiro para pagar a entrada (que no fim acabou sendo liberada). Além disso, uma forte chuva levou ao cancelamento da primeira noite (Motta, 2000).

Na verdade, ainda era bem recente a experiência de organização de festivais musicais no Brasil. O próprio Nélson Motta, no ano anterior, promovera o primeiro Hollywood Rock, no estádio do Botafogo, no Rio de Janeiro.23 Antes disso, um dos pioneiros eventos dessa natureza fora feito, em 1972, na cidade de Duque de Caxias. Foi chamado de O Dia da Criação.24 Em função do regime de exceção em vigor, não era fácil organizar esse tipo de atividade, ainda mais que, em maior ou menor grau, dialogavam com as ideias contraculturais, o que os tornava “suspeitos”.25

Se para o produtor Som, Sol e Surfe foi um fracasso, para muitos foi um momento inesquecível. Fred D’Orey recorda com saudades o que considera ter sido um grande evento: “Era muito garoto, mas para a gente funcionava como um Woodstock. Tinha Raul Seixas ensandecido e Flavio Spiritu Santo tocando de ceroula para quase 20 mil pessoas extasiadas”.26

Chacal, que fora convidado para fazer uma “cobertura poética” do evento, relembra:

Bem lembro do choque que tive com aquele cenário de praias selvagens, altas ondas, pessoas lindas e as caixas de som vomitando rock pelas areias de Itaúna, a praia do surfe em Saquarema. À noite no estádio local, shows com Rita Lee, Raul Seixas, Serguei e outros craques. Fiquei fora de si (sic). Queria invadir o palco, falar algum poema. Mas como? Estava invariavelmente chapado mesmo para fazer meus “instant poems”. (...). Não sei como sobrevivi àquela tsunami (Chacal, 2010, p. 56).

O próprio Nélson Motta dá conta de como, a despeito do fracasso financeiro, o evento foi uma festa:

Apesar de tudo, comemoramos como uma vitória, o público tinha se divertido, os artistas estavam felizes, todo mundo foi pago. Sozinho na beira da lagoa de Saquarema, ouvindo ao longe a gritaria das comemorações, tomei um ácido e deixei para o dia seguinte as contas (Motta, 2000, p. 260).27

Esses festivais, curiosamente, geraram uma situação ambígua. De um lado, ajudaram a atrair mais interessados no descolado estilo de vida dos surfistas. De outro, chamaram a atenção para o potencial comercial da rebeldia:

Foi naquela época que aconteceu a grande explosão do surfe. Começava‐se a descobrir o Havaí. Ao mesmo tempo, a gente andava com atores, músicos e pertencia a uma comunidade que passava a ser muito interessante. Os jornalistas queriam saber de tudo e o que menos importava era o esporte.28

O Jornal do Brasil e O Globo, além de fazer a cobertura das competições, passaram a patrocinar alguns sufistas. A estrutura dos campeonatos se aperfeiçoou por causa dos apoios. Esse processo de institucionalização não parece ter sido exclusivo do surfe. Vejamos o posicionamento de Maciel (1987, p. 46):

Os anos 70 foram os anos dos mestres, isto é dos institucionalizadores. As conquistas dos 60 são oficializadas e viram moda, abençoadas pelo sistema. Todo mundo se droga; todo mundo é místico; o mundo aparentemente mudou e a revolução venceu, isto é acabou. Essa aceitação enganosa permitiu a diluição, foi o golpe de mestre no sistema libertário. O sucesso da manobra foi assegurado pela sedução do ego das massas.

Ao falar da decadência da ideia de contracultura, Maciel usa o rock como exemplo mais emblemático de absorção mercadológica. A questão que coloca é a da normatização do processo de criação do artista. Com a modalidade parece ter se dado algo semelhante. O esporte, que passara a ser concebido como uma forma de interação entre homem e natureza, encarado como uma estratégia de busca de espiritualidade e de vida alternativa, foi tornando‐se mais competitivo, mais estruturado e mais comercial. A cultura do surfe, sem abandonar esse discurso, virou um bem de consumo.29

Considerações finais

“The dream is over”: uma frase da música God, de John Lennon, que ganhou repercussão com a entrevista que o compositor concedeu, em 1970, a Jann Wenner, repórter da revista Rolling Stone, em muitas interpretações assumiu o caráter de decreto final e por vezes até mesmo de constatação do fracasso do movimento da contracultura (Feijó, 2009).30 Se tivermos em conta o processo de mercadorização, de normatização da rebeldia, pode‐se perguntar sobre o grau de relação do surfe com as ideias contraculturais.

Tendo em conta a questão da mobilização de memória, devemos observar as peculiaridades dos percursos de nossos informantes. Pode parecer contraditório que o discurso de negação dos valores materialistas da sociedade de consumo tenha vindo de jovens abastados da Zona Sul carioca, que se deixaram influenciar pela cultura americana. Além disso, devemos lembrar que alguns dele se tornaram empresários de sucesso da indústria gestada ao redor do surfe: donos de lojas/marcas de roupas e produtos, jornalistas e produtores de programas.

O envolvimento com o mercado do surfe é um desdobramento de uma estratégia que alguns praticantes adotaram nos anos 1970. A própria conformação do campo os conduziu a modificar sua forma de atuação. Se antes a ideia era “cair fora do sistema”, a partir de determinado momento passou a ser “negociar com o sistema”, com o intuito de manter o mais possível algo dos antigos princípios. Se o ideal de vida libertário que experimentaram não tinha como ser levado adiante, era preciso buscar uma forma de preservar alguma coisa do que idealizaram.

Na verdade, é bem possível que, nos anos 1970, os surfistas sequer assumissem de forma tão contundente, como o fariam a partir dos anos 1990, a relação da modalidade com as ideias contraculturais. Além disso, nem todos se envolviam da mesma forma com a prática. Isso, contudo, não invalida a percepção de que houve algum grau de aproximação.

Até mesmo em função da heterogeneidade dos “movimentos” contraculturais, cremos que o mais relevante não é perspectivar os surfistas como “militantes” dessas ideias, mas sim perceber o quanto alguns praticantes delas se aproximaram, durante um certo período, e o quanto elas foram mobilizadas, em alguma medida.

Há que se destacar duas dimensões: a) houve um caminho de mão dupla entre o surfe e certas noções da contracultura; b) essas ideias forjaram para a modalidade um discurso que marcaria definitivamente a sua trajetória, mesmo que apreendida em estratégias comerciais.

Enfim, na transição das décadas de 1950 para 1960, o surfe era encarado como uma diversão, uma forma de lazer praticada por poucos rapazes que gostavam do mar e com ele estabeleciam uma íntima relação. Já na transição das décadas de 1960 e 1970, mais notadamente nos primeiros anos dessa última, configurou‐se um novo relacionamento com a modalidade, que, fruto da proximidade com certas ideias contraculturais, passou a ser concebida como uma filosofia de vida. Os anos 1980 trariam novas conformações. Mas isso é outra história.

Conflitos de interesse

Os autores declaram não haver conflitos de interesse.

Referências
Almeida e Naves, 2007
Almeida MIM, Naves SC. (orgs.). “Por que não?”’: rupturas e continuidades da contracultura. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2007.
Booth, 2001
D. Booth
Australian beach cultures: the history of sun
Sand and surfe, Frank Cass, (2001)
Bueno e Góes, 1984
A. Bueno,F. Góes
O que é Geração Beat
Brasiliense, (1984)
Cardoso e Torres, 2010
Cardoso J, Torres R. Em plena ditadura militar, milhares de jovens fazem de Duque de Caxias um grande palco da liberdade. Pilares da História 2010;9(10):31–5.
Chacal, 2010
Chacal
Uma história à margem
7 Letras, (2010)
Dias, 2008
C. Dias
Urbanidades da natureza: o montanhismo, o surfe e as novas configurações do esporte no Rio de Janeiro
Apicuri, (2008)
Dias et al., 2012
C. Dias,R. Fortes,V.A. Melo
Sobre as ondas: surfe, juventude e cultura no Rio de Janeiro dos anos 1960
Estudos Históricos, 25 (2012), pp. 112-128
Feijó, 2009
M.C. Feijó
Cultura e contracultura: relação entre conformismo e utopia
Revista Facom, (2009), pp. 1-10
Fortes, 2011
R. Fortes
O surfe nas ondas da mídia: esporte, juventude e cultura
Apicuri/Faperj, (2011)
Gutemberg, 1989
A. Gutemberg
A história do surfe no Brasil
Azul, (1989)
Halbwachs, 2004
M. Halbwachs
A memória coletiva
Centauro, (2004)
Hollanda, 1980
H.B. Hollanda
Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde (1960/1970)
Rocco, (1980)
Maciel, 1987
L.C. Maciel
Os anos 60
L&PM, (1987)
Melo e Fortes, 2009
V.A. Melo,R. Fortes
O surfe no cinema e a sociedade brasileira na transição dos anos 1970/1980
Revista Brasileira de Educação Física e Esportes, 23 (2009), pp. 283-296
Motta, 2000
N. Motta
Noites tropicais
Objetiva, (2000)
Pereira, 1985
C.A.M. Pereira
O que é contracultura
Brasiliense, (1985)
Pollak, 1989
M. Pollak
Memória, esquecimento, silêncio
Estudos Históricos, 2 (1989), pp. 3-15
Reich, 1970
C. Reich
O renascer da América: a revolução dos jovens
Record, (1970)
Roszak, 1972
T. Roszak
A contracultura: reflexões sobre a sociedade tecnocrática e a oposição juvenil
Vozes, (1972)
Thorpe, 2006
H. Thorpe
Beyond “decorative sociology”’: contextualizing female surfe, skate, and snow boarding
Sociology of Sport Journal, 23 (2006), pp. 205-228
Velho, 2003
G. Velho
Projeto e metamorfose: antropologia das sociedades complexas
Zahar, (2003)

Playboys, na acepção da época, eram indivíduos ligados às elites que levavam a vida sem grande preocupação e engajamento social e/ou político. Sua postura tinha algo de transgressão por demonstrar menor preocupação com o trabalho/carreira profissional, buscava extrair ao máximo prazer de todas as situações da vida.

Para um balanço dos movimentos culturais dos anos 1960 e 1970, ver Hollanda (1980).

Sobre o surfe nos anos 1950 e 1960, trabalhamos com os estudos de Dias (2008), Fortes (2011) e Dias et al. (2012).

O Arpoador localiza‐se na transição entre as praias de Ipanema e Copacabana. Desde os anos 1950, tornou‐se um lugar marcado por manifestações da juventude.

Para mais informações, ver Reich (1970), Bueno e Góes (1984) e Pereira (1985).

Careta, Rio de Janeiro, ano LIII, n??. 2736, 20 de julho de 1981, p. 19.

O Globo, Rio de Janeiro, 4 de janeiro de 2004, p. 12.

Trip, São Paulo, n. 84, nov. 2000. Disponível em: http://revistatrip.uol.com.br/print.php?cont_id=29334. Acesso em: 13 jan. 2013.

Depoimento de Tito Rosemberg concedido à revista Longboard Brasil, ano 1, n??. 1, nov. 1999. Disponível em: http://360graus.terra.com.br/titorosemberg/entrevista_tito.asp?did=6523. Acesso em: 13 jan. 2013.

Fluir, Rio de Janeiro, ano 21, n??. 232, out. 2004. Disponível em: http://fluir.ig.com.br/colunistas/228_fala_bocao.shtml. Acesso em: 6 jan. 2008.

InsideNow, Rio de Janeiro, n??. 117, jun. 1999.

Alma Surfe, São Paulo, ano 1, n??. 1, nov. 2000, p. 20.

Depoimento de Otávio Pacheco concedido à revista InsideNow, Rio de Janeiro, n??. 126, 2001, p. 27.

Depoimento de Otávio Pacheco concedido à revista InsideNow, Rio de Janeiro, n. 126, 2001, p. 27.

O Jornal, Rio de Janeiro, 13 de dezembro de 1972, p. 27.

Depoimento de Otávio Pacheco concedido à revista InsideNow, Rio de Janeiro, n??. 126, 2001, p. 27.

Revista Gol, n??. 13, abril de 2003, p. 31.

Alma Surfe, São Paulo, ano 1, n??. 1, nov. 2000, p. 20.

Revista americana, considerada uma das bíblias da modalidade.

InsideNow, Rio de Janeiro, n??. 126, 2001, p. 27.

Depoimento de Otávio Pacheco concedido à revista Hardcore, São Paulo, n??. 29, jan. 1992, p. 42.

Segundo alguns periódicos da época, como a revista Música (de julho de 1976), Saquarema teria recebido cerca de 40.000 pessoas.

Sobre esse festival, há um registro, o filme Ritmo alucinante. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=I2zNlH‐XM34. Acesso em: 14 jan. 2013.

Para mais informações sobre esse evento, ver Cardoso e Torres (2010).

Merece referência, pela ligação entre música e a modalidade, o festival Rock, Surfe e Brotos, promovido em 1976, em Florianópolis. Para uma abordagem sobre a contracultura nessa cidade e o surfe nesse cenário, ver o documentário Ilha 70, disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=nrKEddbKUpE. Acesso em: 14 jan. 2013.

Jornal do Brasil, 27 de outubro de 2002, p. 14.

Sobre o festival, foi planejado um filme, que não chegou a ser finalizado (há em curso um projeto de recuperá‐lo). Algumas cenas foram inseridas no recém‐lançado Raul – O início, o fim e o meio, de Walter Carvalho. Há algumas imagens do campeonato em Ondas do surfe (Lívio Bruni Júnior, 1978).

Depoimento de Ricardo Bocão para o Jornal do Brasil, 27 de outubro de 2002, p. 14.

Não vamos nos debruçar mais profundamente sobre esse tema nesse artigo. Para uma abordagem internacional da relação entre surfe e mercado, ver Booth (2001). Para o caso nacional, ver Fortes (2011).

Sobre permanências e rupturas nas ideias contraculturais, ver o livro organizado por Almeida e Naves (2007).

Autor para correspondência. (Victor Andrade Melo victor.a.melo@uol.com.br)
Copyright © 2016. Colégio Brasileiro de Ciências do Esporte
Revista Brasileira de Ciências do Esporte 2017;39:2-9 - Vol. 39 Núm.1 DOI: 10.1016/j.rbce.2016.01.005